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Nova regra do BC eleva calotes e asfixia crédito a PMEs, diz estudo

Estudo da safegold aponta que aumento na inadimplência contábil reduz oferta de financiamentos para pequenas empresas

Uma nova diretriz regulatória estabelecida pelo Banco Central do Brasil gerou um impacto significativo nos balanços das instituições financeiras e no acesso ao crédito para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs). Segundo o estudo “Crédito estressado: quem compra, quem vende e quem deve”, elaborado pela consultoria Safegold e divulgado pelo InfoMoney, as novas regras de provisionamento alteraram a forma como os bancos contabilizam os atrasos, resultando em um aumento expressivo nos índices de inadimplência reportados no sistema financeiro.

O levantamento aponta que essa mudança metodológica acabou “inflando” o volume de calotes registrados nas carteiras de crédito corporativo. Como consequência direta do crescimento da taxa de inadimplência nos relatórios oficiais, as instituições financeiras adotaram uma postura de maior aversão ao risco, enrijecendo os critérios de concessão e restringindo a liquidez disponível para o segmento de menor porte.

Impacto na liquidez e no caixa das pequenas empresas

O represamento da oferta de financiamento atinge de forma mais severa os empreendedores de pequeno e médio porte, que dependem do crédito bancário tradicional para financiar o capital de giro, honrar folha de pagamento e manter compromissos com fornecedores. Diante de exigências mais rigorosas para a obtenção de novos recursos, muitas empresas passam a enfrentar escassez de caixa.

A retração na concessão de crédito cria um efeito em cadeia na saúde financeira das companhias. Sem acesso a linhas de financiamento acessíveis ou em momentos de necessidade imediata de liquidez, o ritmo de pagamento de compromissos operacionais é afetado, elevando o nível de estresse financeiro das empresas do setor.

O mercado de crédito estressado e a venda de carteiras

Diante do aumento do volume de créditos em atraso e do represamento nos balanços bancários, o mercado de ativos estressados (distressed assets) ganhou tração. Para limpar os balanços e cumprir as exigências de capital estipuladas pelo Banco Central, as instituições financeiras têm recorrido com maior frequência à cessão e venda de carteiras de dívidas inadimplentes para fundos especializados em recuperação de crédito.

A movimentação desse mercado secundário de dívidas busca amortecer o impacto dos calotes no sistema bancário. No entanto, para o ecossistema de MPMEs, o cenário atual impõe o desafio de renegociar passivos acumulados em um ambiente de crédito mais escasso e com custos de financiamento elevados.

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