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Volume de investidores em bitcoin pode ultrapassar o do Tesouro Direto

Os brasileiros que investem em criptomoedas já somam quase 1,4 milhão, mais que o dobro dos CPFs cadastrados na Bolsa brasileira, a B3, que tem cerca de 620 mil. Se mantido esse ritmo, o número de compradores deste tipo de ativo vai ultrapassar, em breve, o volume de investidores do Tesouro Direto, que contabiliza recordes e atualmente tem aproximadamente 1,8 milhão. As informações são do jornal O Estado de São Paulo.

Em 2017, o volume financeiro movimentado pelas criptomoedas foi de R$ 8,2 bilhões, segundo o jornal. O bitcoin conforme dissemos na semana passada (http://cantarinobrasileiro.com.br/blog/ano-novo-chines-ajudou-a-derrubar-o-bitcoin/), subiu de US$ 1 mil, em janeiro, para  US$ 19 mil, em dezembro último. Depois, registrou forte queda, valendo menos de US$ 6 mil. Mas, na quarta-feira de cinzas (14) manteve o ritmo de recuperação, sendo cotado a US$ 9,310, às 20h (horário de BSB).

“A nova notícia é que, agora, os olhos do mercado financeiro tradicional estão voltados para quando parte desses investidores migrarão seus recursos para valores mobiliários, como as ações de empresas negociadas em Bolsa,” explica o Estadão, que justifica essa aposta com dados das corretoras de criptomoedas como de perfil de investidor de bitcoin no Brasil.

O professor da Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap), Henrique Poyatos, comentou que a expectativa é de que alguns investidores de moedas digitais façam o caminho inverso e migrem parte de seus recursos para ações. Isso porque, a despeito da diferença dos fundamentos de cada ativo, há uma série de operações que podem ser feitas com criptomoedas que são similares ao mercado de renda variável. “Assim que esse investidor começar a ter a cultura de compra e venda, deve se interessar pelo mercado de ações”, avalia.

Para Calado, do Mercado Bitcoin, assim que a regulação da criptomoeda avançar no País, parcerias entre as corretoras de bitcoin e de valores mobiliários devem surgir. “Isso ajudará a acabar com os tabus e as empresas, que devem unir esforços”.

Perfil dos investidores

Atualmente, aproximadamente 25% das contas de investidores da B3 são, em grande parte, formado por homens solteiros, entre 25 e 35 anos – exatamente um público que, de acordo com economistas, pode investir em maior peso em ações, sem contar o potencial crescente do público feminino. “Quem começou a investir em bitcoin está começando a se acostumar com volatilidade. Depois de vários anos de altas taxas de juros, agora o jovem parece aceitar bem esse risco”, disse Luiz Roberto Calado, economista da corretora Mercado Bitcoin – que já está próxima de alcançar, sozinha, 1 milhão de clientes, ao jornal.

A possibilidade de compra de uma fração de moedas digitais, com aportes de R$ 50, por exemplo, também contribui para o crescimento rápido desse mercado. O especialista em criptomoedas da XP Investimentos, Fernando Ulrich disse ao jornal que não há a barreira que existe em outros ativos financeiros. “Hoje, o perfil dos investidores já é muito mais pulverizado.”

Na corretora FlowBTC, os cerca de 30 mil investidores que aplicam em moedas digitais têm, em sua maioria, entre 20 e 30 anos. Além disso, a clientela estava antes concentrada no eixo Rio-São Paulo, mas agora já está espalhada pelo País, com crescimento relevante no Nordeste, conta o sócio-fundador Marcelo Miranda.

Falta de conhecimento

Para Luis Felipe Carvalho, que coordena cursos sobre o tema na PUC do Rio de Janeiro, grande parte dos investidores de moedas virtuais, no entanto, não analisa os fundamentos do ativo, que não deveria ser um negócio de especulação. “É preciso entender que comprar criptomoeda significa investir em tecnologia. É necessário verificar se a tecnologia (por trás de determinada moeda) faz sentido”, disse ao Estadão, que informa que, no mercado, existem mais de 1,3 mil moedas virtuais.

Carvalho acrescenta que a compra desenfreada do ativo, em busca de ganhos rápidos, é o que acaba inflando artificialmente o mercado e muitos investidores têm baixíssimo conhecimento no assunto o que causou, por exemplo, a compra da moeda bitConnect (BCC) em vez de bitcoin (BTC), por conta da semelhança dos códigos. “O BCC, que é a bitConnect, perdeu em um dia 98% de seu valor após acusação de pirâmide,” relata o jornal.

Mais uma vez, esses investidores precisam prestar atenção a uma prática já conhecida no mercado de ações. No momento que uma empresa coloca na rua uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), divulga um prospecto no qual comunica dados da companhia, do setor e riscos do investimento, por exemplo. Em criptomoedas, há documento semelhante, os chamados white papers, ou livros brancos, que listam todos os pontos comerciais, tecnológicos e financeiros da moeda.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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