Verticalização pode gerar arranjos de pagamentos locais mais caros que os internacionais

Os comerciantes e adquirentes brasileiros podem ter que arcar com custos maiores para operar arranjos de pagamentos locais, como Elo e Hipercard, do que com sistemas internacionais como Visa e Mastercard. O assunto foi discutido ontem no seminário “Mercado de Cartões de Crédito. Novo patamar de competição após a regulamentação”, promovido pela InterNews com o apoio da Associação Brasileira de Instituições de Pagamento (ABIPAG).

Ao abordar o tema, o Country Manager da First Data, Henrique Capdeville afirmou que aconteceram avanços importantes no sentido da ampliação da concorrência no segmento, porém ainda existe muito espaço para ajustes. “A questão da verticalização é importante e precisa ser encarada antes de outras mudanças estruturais que causem impacto à rentabilidade dos Credenciadores a fim de não causar danos à competitividade na Indústria. O setor não terá concorrência livre enquanto estiver tão concentrado. Esta forma de atuação favorece o uso de subsídios cruzados para produtos e causa uma disputa em desigualdade de condições”, disse.

O coordenador geral de Análise Antitruste da Superintendência-geral do CADE, Marcelo Nunes, declarou em sua palestra que o órgão está em estado de vigilância continuada tanto em relação à questão da verticalização quanto referente ao encerramento de entraves ao surgimento e crescimento dos novos concorrentes. Em abril, O CADE coordenou a assinatura de dois Termos de Compromisso de Cessação (TCCs) no segmento. Um deles teve como objetivo acabar com a exclusividade dos cartões Hipercard nos POS’s da Rede, controlado pelo Itaú. O outro determina que a Rede permita a inserção de chaves criptográficas de credenciadoras concorrentes em seus equipamentos Pinpad.

Existe ainda outro processo em fase de investigação pelo CADE. Ele se refere ao fato de a Cielo continuar excluindo outras credenciadoras dos pinpads que leva ao mercado, com exceção da Rede e Getnet.

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