Varejo, regulação e infraestrutura moldam o futuro dos pagamentos

Em São Paulo, lideranças debatem os impactos da Reforma Tributária, BaaS, IA e eficiência de negócios no ecossistema

Na última sexta-feira (24), o escritório da Águilahub, em São Paulo, sediou a 2ª Câmara de Curadoria para o Fórum Payment Anyway, que será realizado no dia 19 de outubro, no WTC Centro de Eventos. O encontro reuniu executivos de tecnologia, serviços financeiros e advocacia com o objetivo estratégico de desenhar a grade do evento, conectando os desafios operacionais do mercado com a geração de resultados reais.

A tônica dos debates concentrou-se na urgência de aproximar as soluções de pagamento das dores concretas das empresas e do consumidor final. Para Fernando Tassin, CEO do Regula BT, “um tema que não está sendo tão abordado como deveria é o split payment, que envolve dados, meios de pagamento, infraestrutura e a Reforma Tributária”. Tassin complementou ressaltando que essa discussão “deriva para outro assunto importante: a agenda de recebíveis”.

Adoção no varejo e inteligência de negócios

A relação entre tecnologia e a ponta final do consumo foi um dos pilares da reunião. Ronald Nossig, sócio da Varejo180, destacou o potencial do setor ao afirmar que “a grande oportunidade de tema é discutir como ganhar dinheiro no varejo”, apontando que o Banking as a Service (BaaS) é a frente que mais chama a atenção do público varejista no momento.

Thiago do Amaral Santos, sócio da BT Tech, destacou a atenção do regulador ao mercado de BaaS: “Acredito que a preocupação do Banco Central é com a percepção do consumidor ao contratar o serviço financeiro de uma empresa e se sentir enganado. Por exemplo: se a pessoa contrata um tomador de BaaS para ser uma empresa de ‘pay’ e, na verdade, não for aquilo”.

Essa busca por rentabilidade precisa ser acompanhada por métricas claras de desempenho no e-commerce e nos pontos de venda. Erik Franco, head de Customer Success na Koin, trouxe a perspectiva da eficiência operacional: “No varejo, como melhoramos a eficiência? Porque isso é a receita, o Return Over Investment (ROI), e eles dependem disso”.

No campo da tecnologia invisível e da usabilidade, Paulo Sangali, head de Ativos Digitais da Núclea, pontuou que “a duplicata escritural também é um tema super quente que precisamos encaixar”.

Adaptação de C-levels e o novo contexto cambial

O alinhamento das lideranças executivas frente às rápidas transformações tecnológicas e regulatórias foi outro ponto de atenção. Oseas Xavier Neto, head de Vendas da PNI, defendeu a necessidade de apoiar a tomada de decisão no topo das empresas: “Como os C-levels estão se adaptando às mudanças? Precisamos explicar o ‘como funciona’ para os tomadores de decisão”.

A evolução dos meios de liquidação e a convergência de novos ativos, protagonistas da Câmara de Curadoria anterior, voltaram à pauta. Douglas Magalhães Junior, CEO da Enfoque Informações Financeiras, trouxe para o debate a relação entre as corretoras de câmbio e os operadores de stablecoins, levantando as divergências e os pontos de contato entre os dois modelos.

O debate refletiu uma transformação no setor cambial tradicional, no qual a queda nos volumes de operações registradas vem levando corretoras a buscarem parcerias e integração direta com exchanges para manterem seus clientes e navegarem na liquidez das stablecoins. Em conjunto, pagamentos agênticos e Inteligência Artificial foram mapeados como tendências promissoras.

Paralelamente, a estruturação de novas linhas de crédito foi apontada por Rodrigo Cavalcanti, sócio do MDR Advocacia, que trouxe a tokenização de garantias e a solicitação de crédito como temas para compor as pautas do fórum.

Regulação e benefícios

As adequações regulatórias promovidas pelo Banco Central e as mudanças no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) também trouxeram reflexões sobre a proteção do usuário e a concorrência no mercado.

No setor de benefícios, as recentes regulamentações vêm redesenhando a dinâmica comercial. Com a definição da taxa teto de 3,6% cobrada dos estabelecimentos e a abertura dos arranjos pelos grandes emissores — muitas vezes por meio de parcerias e modelos dual brand —, a atenção agora se volta para a fase seguinte da regra.

Diego Silva, head de Vendas da Fastpay Brasil, comentou a transformação do PAT no cotidiano das empresas e estabelecimentos: “Para o estabelecimento e as pessoas em geral, isso foi importantíssimo. O próximo passo é a interoperabilidade”.

Impacto no consumidor e valor do networking

Ao olhar para o panorama geral da cadeia financeira, Renato Rodrigues, gerente de Comunicação e Marca da First Tech, reforçou a integração entre as diferentes pontas: “No final das contas, tudo o que estamos discutindo acaba tendo influência no consumidor final, pois vivemos em um ecossistema e estamos conectados por várias áreas”.

Fechando as reflexões sobre o valor das conexões geradas nos encontros, Keiji Sakai, CEO da Águilahub, enfatizou que “a questão do networking e da exposição no evento é fundamental para trazer retorno para a empresa e fazer negócio”. Sakai ressaltou que a experiência deve ir além do momento presencial, gerando valor efetivo e desdobramentos comerciais para os participantes.

Confira entrevistas excluisvas com alguns curadores

Próximos passos

As análises demonstram que as transformações no ecossistema de pagamentos estão em pleno desenvolvimento. O caminho até o Fórum Payment Anyway reserva novas reuniões de curadoria, em que lideranças continuarão a destrinchar as tendências que movimentam o mercado.

Com o tema central “A próxima fronteira dos pagamentos: inteligência em movimento”, os ingressos já estão disponíveis no lote Early Bird até 9 de agosto. Clique AQUI para garantir o seu!

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