Grandes redes usam inteligência artificial para otimizar processos e enfrentar consumo mais cauteloso
Por Cantarino Brasileiro*
Na preparação para a Black Friday, que neste ano deve movimentar todo o mês de novembro, grandes varejistas brasileiros como Amazon, Grupo Carrefour, Magazine Luiza e Mercado Livre estão ampliando o uso de agentes de inteligência artificial (IA). Essas ferramentas, capazes de automatizar tarefas operacionais, já são empregadas para aprimorar descrições de produtos, resumir avaliações de clientes, negociar com fornecedores e indicar a melhor localização de itens nos centros de distribuição.
“Os agentes, que podem ser desde assistentes virtuais até robôs autônomos, estão se tornando cada vez mais comuns em setores como saúde, finanças e varejo”, aponta relatório da consultoria Precedence Research.
O levantamento prevê que o mercado mundial de agentes de IA deve alcançar US$ 7,92 bilhões em investimentos em 2025, crescimento de 45,9% em relação a 2024, conforme relatou o Valor Econômico.
O avanço da tecnologia ocorre em um momento de cautela no consumo. O índice de Intenção de Consumo das Famílias caiu 0,3% em agosto frente a julho, interrompendo três meses consecutivos de alta, segundo a CNC. Além disso, grandes players do setor tiveram resultados mistos no segundo trimestre: Magazine Luiza e Casas Bahia registraram prejuízos de R$ 24,4 milhões e R$ 55 milhões, respectivamente, enquanto o Mercado Livre viu o lucro recuar 1,5%. Já o Carrefour Brasil teve alta de 19,7% no lucro líquido no mesmo período.
O diretor de Dados do Grupo Carrefour Brasil, Vinicius Coelho, afirma que a companhia vem intensificando esforços para usar IA na preparação para a Black Friday.
“O foco principal é otimizar nossos processos internos e potencializar os resultados do evento”, diz.
Segundo o executivo, o Carrefour iniciou os primeiros projetos com agentes de IA no começo de 2025, priorizando agentes de conversação.
“Nosso objetivo é utilizar essa tecnologia tanto para automatizar atendimentos quanto para gerar insights estratégicos a partir de dados, especialmente para apoiar os times comerciais”, explica.
O desenvolvimento de IA do Carrefour é baseado na plataforma do Google e em soluções de IA generativa, permitindo novas aplicações, como a criação de conteúdos para todo o catálogo de produtos e o resumo automatizado de avaliações de clientes.
A Amazon segue caminho semelhante. A companhia tem usado agentes de IA para aperfeiçoar anúncios, completando descrições de produtos e títulos de forma mais precisa. A tecnologia consegue incluir dados sobre cores, texturas e características específicas dos itens, além de tornar os títulos mais atrativos, aumentando o engajamento e a conversão nas vendas.
*Escrito com IA generativa