Três pesquisas lançadas no Febraban Tech 2023 que vão guiar o ecossistema financeiro

| Por Ana Carolina Lahr | Acompanhar de perto um evento da magnitude e importância do Febraban Tech significa não apenas estar de olho no que as empresas do ecossistema financeiro tem feito em termos de tecnologia e inovação, mas também ter acesso em primeira mão a uma série de informações, já que as empresas patrocinadoras não economizam esforços para trazer novidades nesse período que ganha a atenção dos investidores, executivos e mídia.
Entre o “mar de novidades” trazido pela edição 2023, esteve a divulgação de dados que prometem orientar os próximos passos do setor de forma cada vez mais assertiva. Acompanhe!

2° volume da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2023

O estudo realizado pela Deloitte traz constatações importantes acerca das transações bancárias realizadas no país, novos meios de pagamento, open finance, seguros, entre outros. Confira um breve resumo:

> Volume de transações

No ano passado, os brasileiros fizeram 163,3 bilhões de transações nos vários canais de atendimento disponibilizados pelos bancos, representando um significativo aumento de 30% ante 2021.
A taxa de crescimento é a maior já registrada na história das transações, sendo influenciada principalmente pelo desempenho do mobile banking, que teve alta de 54% no número de operações realizadas pelos clientes, totalizando 107,1 bilhões. De fato, oito em cada dez transações bancárias realizadas no Brasil são feitas em canais digitais, sendo o celular responsável por 66% de todas as operações feitas no país.

> Whatsapp

A relevância do whatsapp como meio de pagamento também foi destacada pela pesquisa: 50% dos bancos respondentes oferecem o canal WhatsApp para transações, sendo que elas cresceram 531% no ano, atingindo o total de 56,2 milhões. Deste total, 37% se referem às operações financeiras via Pix e 29% às renegociações de dívidas.
Dentre as transações não financeiras, as consultas de saldos e extratos (24% do total), bem como as de cartão de crédito (10%), foram as operações mais efetuadas.

> Transações físicas

O levantamento revelou recuo nas transações feitas pelos brasileiros nas agências bancárias: caíram de 3,3 bilhões para 3,2 bilhões e, hoje, o canal representa apenas 2% do total. As operações feitas em ATMs também reduziram – passando de 7,4 bilhões para 5,4 bilhões) – assim como as realizadas em contact centers e correspondentes, que foram de 5,5 bilhões para 5,2 bilhões.

> Pix x TED/DOC

Em 2021, as transações por esta via totalizavam 5,7 bilhões, enquanto, em 2022, o volume ultrapassou os 11,7 bilhões, aumento de 105% no período. A modalidade registrou crescimento expressivo no número de usuários que realizam no mínimo 30 transações instantâneas por mês.
Já as transações feitas por TED e DOC registram quedas de 29% no mesmo período.

> Contas

O número de contas correntes abertas em 2022 foi de 46,2 milhões, sendo que pelo segundo ano consecutivo, o número de contas abertas em canais digitais superou o de contas abertas em canais físicos (63%).
Há entre os respondentes, 469 milhões de contas ativas (contas correntes, contas de poupança e contas poupança social digital para pessoa física e pessoa jurídica, com movimentação nos últimos seis meses), sendo que desse total, 45% está sendo utilizado no mobile banking.

> Open Finance

 De 2021 para 2022, houve aumento de 971% na quantidade de usuários pessoas físicas que consentiram ao seu banco enviar seus dados para outras instituições financeiras do Open Finance.

> Seguros

Do total de contas ativas, 25% delas contrataram ao menos um produto de seguridade, elevando para 55,2 milhões os novos produtos de seguro contratados em 2022, um cenário demonstra a oportunidade de digitalizar o processo de contratação de seguros de ponta a ponta, com a utilização de tecnologias e orquestração de processos.

Levantamento Serasa Agro Score e Serasa Score ESG Agro

Os dados foram apresentados e avaliados pelo head de Agronegócios da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, durante o painel “ESG, inteligência de mercado e concessão de crédito para o agronegócio”. Com a participação de mais de 337 mil produtores rurais de todo o Brasil, o levantamento revelou que 91,8% deles atuam em compliance com a conformidade socioambiental, que passou a ser exigida pelo Banco Central para a concessão de linhas de crédito e fundos de investimento. Veja alguns dos insights mais relevantes:
> O alto percentual exibe um quadro positivo sobre a adaptação da agricultura brasileira frente às métricas ESG. “O que vemos é uma potência nacional que, em sua maioria, trabalha para viabilizar um modelo econômico mais sustentável. Por isso, entendemos a importância de utilizar a expertise em dados para trazer transparência sobre o segmento como um todo”.
> No novo momento do mercado de crédito, as análises complementares são fundamentais. Elas não apenas mitigam riscos aos credores, mas garante que os produtores que estão em compliance sejam vistos de forma adequada pelo mercado e indica, para aqueles que ainda precisam se adaptar, como podem melhorar a pontuação de crédito e os indicadores ESG para que possam acessar linhas de crédito mais compatíveis.
> A utilização de imagens capturadas via satélite foi integrada ao funcionamento do Score ESG pois conseguem comprovar a situação ambiental agrícola e tornar o crédito mais acessível e sustentável em todo o país, fato que representa um avanço tecnológico e estratégico.
> Os mercados de café, soja e cana-de-açúcar possuem um bom desempenho socioambiental mesmo quando observados separadamente. O setor cafeeiro, por exemplo, tem 95,6% de seus produtores operando em compliance com as práticas ESG. Além disso, o segmento de cana-de-açúcar registrou que 93,3% de seus trabalhadores estão em compliance. Para a soja, o quadro também é positivo, com 88,5% dos produtores bem avaliados.
> A adaptação às práticas ESG evolui constantemente e é primordial que os produtores de todos os portes e culturas estejam dispostos a mudar e entender novos formatos de trabalho. Para isso os incentivos e direcionamentos que contemplem os critérios socioambientais são primordiais. Apesar disso, mesmo que engajados, principalmente para pequenos agricultores, essa adaptação não é tão simples.

1º Índice de Maturidade de Open Finance Brasil” (Capgemini Brasil)

O estudo, elaborado entre em maio e início de junho deste ano, contou com uma análise aprofundada de um comitê composto de 16 executivos e especialistas da indústria financeira, academia e associações, que revelam as tendências e indicam os rumos e próximos passos de Open Finance no Brasil, e foi apresentado aos jornalistas na sala de imprensa.
A pesquisa realizou entrevistas personalizadas com 24 executivos participantes do ecossistema, além de pesquisas quantitativas com 205 empresas de todos os segmentos (Serviços, Indústria, Varejo e Atacado) que já possuem iniciativas de Open Finance e 882 consumidores finais (bancarizados, com mais de 18 anos de todo Brasil).
Confira os destaques:
> Os dados levantados junto às empresas estabeleceram um índice de maturidade de 6,43 e, para o universo representado por consumidores, o índice de maturidade foi definido em 5,34.
Confira nossa entrevista com Jamile Leão, Líder para Soluções de Open Finance da Capgemini Brasil.
> Os produtos de crédito são apontados como uma das principais oportunidades de monetização, tanto para as empresas como para os consumidores, seguido pela melhoria da experiência em pagamentos e investimentos.
> Elementos da arquitetura tecnológica como cloud, APIs e tratamento de dados já estão sendo endereçados e figuram como prioridade estratégica dentro das instituições. Confira alguns dos principais destaques do estudo:

> Índice de maturidade das empresas: 6,43.

  • 53% da base de empresas afirmam ter metas de desempenho voltadas para os impactos do Open Finance 
  • 70% das empresas dedicam áreas ou pessoas aos temas relacionados ao Open Finance, sem diferenças significativas entre os perfis, exceto pelo porte (76% grande porte e 55% PMEs)
  • 26% já rentabilizam com soluções lançadas em Open Banking
  • 37% das empresas utilizam dados para gestão de clientes

> Índice de maturidade dos consumidores bancarizados: 5,34

  • 67% dos entrevistados já ouviram falar de Open Banking e 65% de Open Finance (24% nunca ouviram falar de nenhum dos conceitos)
  • 37% dos consumidores declaram que já autorizaram que algum banco/carteira digital acessasse informações de outras instituições nas quais possuem conta.
  • 78% dos entrevistados costumam realizar pagamentos via app e 18% via Internet Banking ou site 
  • Serviços que motivariam a autorização para compartilhar dados: 1º) Acesso à cartões de crédito com benefícios diferenciados; 2º) Acesso à cartões de crédito com limite maior; 3ª) Possibilidade de consultar e aumentar score de crédito; 4º) Mais facilidade de pagamentos; 5º) Mais facilidade para fazer a gestão financeira

> Insights do Comitê Executivo (incumbentes, neobanks, fintechs e varejo):

  • Um dos principais desafios será migrar da visão técnica para uma visão de negócios, com capacidade de rentabilizar e medir (financeiramente) os resultados das soluções. Atualmente, essa evolução passa pelo desafio da gestão dos dados
  • Em oportunidades internas, notamos que avanço na curva de aprendizado acelera a produção de soluções finais. Além disso, oportunidades com outros Opens são percebidas, mas vistas como distantes. 
  • “Sozinho, o OpF não muda nada. Precisa estar engajado no negócio, estar preparado para receber informações e gerar negócios, toca muito no desenvolvimento de negócios.” (Neobank)
  • “OpF ainda é fechado, apenas se conecta com empresas reguladas pelo Bacen, o que garante mais segurança para o ecossistema.” (Incumbente)

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