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Startups latino-americanas prosperam

Por Georgina Baker*

Uma nova geração de empreendedores está desencadeando uma grande mudança na América Latina. As empresas de tecnologia emergentes criadas por eles se declaram prontas para inovar em setores como agricultura, logística e educação. Além de ensinar novas competências para a economia digital, melhorar a produtividade de grandes áreas cultiváveis e eliminar obstáculos logísticos. Essas empresas também se concentram em problemas que a América Latina enfrenta há décadas e apostam que podem ajudar a resolvê-los com novas tecnologias e ideias.

É uma aposta que a América Latina precisa vencer urgentemente. As empresas tradicionais da região não inovam o suficiente e, de acordo com alguns indicadores, começam a ficar atrás de outras empresas, em economias similares, de outras partes do mundo. Companhias da América Latina e Caribe têm 20% menos probabilidade de introduzir um novo produto que as de países de renda mediana na Europa e na Ásia Central.

As empresas de tecnologia emergentes (ou startups, como são conhecidas no imaginário coletivo mundial) são intrinsecamente inovadoras, por isso são fundamentais para superar essa lacuna em matéria de inovação. Já se observam sinais animadores. Algumas das principais instituições financeiras da região estão bem encaminhadas, por exemplo, para criar seus próprios hubs de empreendedorismo ou para forjar alianças, a fim de identificar novas tecnologias para fornecer serviços a seus clientes.

Em lugares como a Cidade do México, Santiago, Medellín e Florianópolis, ecossistemas tecnológicos prósperos se desenvolvem. As universidades locais promovem programas de apoio a startups e governos formulam políticas para atrair investidores de capital de risco e futuros empreendedores.

O Brasil foi o primeiro ponto de entrada para os investidores do Vale do Silício e continua sendo o epicentro da região. Argentina, Colômbia, México e Peru também são núcleos de empreendimentos tecnológicos. O Chile tem sido chamado de Chilecon Valley por seus aceleradores de inovação, que atraíram empresários estrangeiros. De acordo com algumas estimativas, as empresas de tecnologia emergentes da região receberam mais de US $ 2 bilhões em financiamento nos últimos cinco anos.

No entanto, os empreendedores de tecnologia da América Latina enfrentam um desafio comum: seus mercados locais, com exceção do Brasil, não são grandes o suficiente para que suas empresas expandam suas operações. Suas perspectivas de crescimento são frequentemente limitadas pelas fronteiras nacionais e o financiamento escasso. Os ecossistemas dessas companhias emergentes, como na Colômbia, tendem a ser agrupados em torno de empresários de sucesso e círculos muito fechados em países específicos, mas ainda não existe uma rede consolidada na região para elas. Por esse motivo, é essencial ajudar os empreendedores e suas empresas emergentes a atravessar fronteiras e estabelecer relações com potenciais investidores e parceiros fora de seus países de origem.

A Loggi, nova empresa brasileira que conecta motociclistas de transporte independentes a clientes para fornecer serviços rápidos de correio, por exemplo, conta com um grupo de 5 mil condutores autorizados. Esses motoristas usam um aplicativo da empresa para smartphones e dirigem veículos que atendem às regulamentações governamentais. A empresa usa algoritmos para combinar oferta e demanda e melhorar as rotas de entrega para os motoristas. Essa é uma tarefa crítica para operações comerciais e de varejo em cidades da América Latina, onde infraestrutura precária e tráfego avassalador impedem o comércio eficiente e limitam o fluxo de bens e serviços.

A história da Loggi é um dos muitos empreendimentos que nos entusiasmam na região. E vemos com interesse iniciativas como UpLink, uma comunidade e plataforma digital com respaldo do Fórum Econômico Mundial, que permite que empresários interajam com seus pares e possíveis parceiros. Com o UpLink, empresas como a Loggi poderão compartilhar conhecimento e ajudar a acelerar o desenvolvimento de outros novos empreendimentos na América Latina.

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UpLink cria comunidade, impulsiona a inovação colaborativa e atende a startups à medida que se expandem.

(Imagem: UpLink)

Cremos que os atores chave nos diferentes ecossistemas nacionais de startups devem fomentar um diálogo regional mais sólido – principalmente entre novas empresas, mas também entre investidores, líderes do setor público e universidades – para trocar perspectivas sobre desafios comuns, como o financiamento, a contratação de talentos, a melhoria das políticas públicas e a expansão para os mercados externos.

Aceleradores como o NXTP Labs, o investidor mais ativo da América Latina nas fases iniciais startups, também podem desempenhar um papel fundamental, ajudando as empresas emergentes a aproveitar novas oportunidades em outros países da região e no exterior e compartilhar suas experiências

A Argentina, por exemplo, tornou-se um centro para empresas de tecnologia agrícola que desenvolvem novas ferramentas para melhorar a produtividade na agricultura, entre elas a S4, companhia que usa imagens de satélite para melhorar o rendimento dos cultivos. O acesso da NXTP a uma comunidade internacional de empreendedores e investidores de ideias afins desempenha papel importante ao assegurar que esforços pioneiros da Argentina em novas tecnologias agrícolas cheguem a outros países da América Latina, que têm uma necessidade urgente de melhorar seu setor agrícola.

Outro exemplo é a Laboratoria, um empreendimento educacional no Peru que ensina programação para mulheres de baixa renda e que é um modelo para novas empresas que buscam se expandir internacionalmente. A Laboratoria – como a Digital House, da Argentina – faz parte de uma onda de novos centros de formação, nos quais os jovens aprendem habilidades tecnológicas com grande demanda no setor privado. O impacto da Laboratoria não se limita ao Peru, uma vez que também opera no México e no Chile, onde ensina às mulheres habilidades muito escassas na força de trabalho desses países. A América Latina precisa de mais exemplos como esses para que as soluções mais inovadoras possam ser adotadas em lugares onde são necessárias. E o apoio necessário para que possam crescer e ter impacto.

*Georgina Baker é vice-presidente para a América Latina da IFC (International Finance Corporation, que é membro do Banco Mundial)

Fonte: Tyn Magazine

Tradução: Edilma Rodrigues

 

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