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Score inovador faz da Voltz vetor de inclusão financeira entre utilities

|Por Ana Carolina Lahr|

 

Em março deste ano, o Brasil registrou sua maior taxa de inadimplência, com 40,58% dos adultos negativados, totalizando 66 milhões de pessoas com dívidas atrasadas, segundo dados da CNDL/SPC Brasil. Os dados do “Mapa de Inadimplência e Renegociação de Dívidas” do Serasa mostram ainda que, do total de dívidas, aproximadamente 22% são de contas básicas, como água, gás e energia. Isso representa mais de 56,9 milhões de débitos nas utilities de todo o Brasil, um aumento de 9,85% no número de inadimplentes no setor em relação a março de 2022.

Com resiliência e criatividade, a Voltz – fintech das utilities que surgiu do Grupo Energisa – tem usado a tecnologia para contribuir de forma responsável e inteligente com a adaptação dos clientes e da empresa ao momento econômico vivido e lançou, no segundo semestre do ano passado, um score de crédito customizado. O sistema de pontuação já está sendo aplicado no Fique Ligado – solução de parcelamento de dívidas com pagamento direto na fatura ou por cartão de crédito – e os resultados positivos começam a desenhar novos produtos e oportunidades na empresa.  

Respeitando a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), o score da Voltz utiliza o Machine Learning para analisar o histórico de pagamentos dos clientes e considera informações detalhadas sobre pagamentos realizados no prazo, adiantados, atrasados, bem como casos em que a cobrança precisou ser acionada para garantir o pagamento. Com isso, consegue alcançar um alto nível de precisão no histórico de pagamento dos clientes e identificar a probabilidade de pagamento futuro com base no plano de parcelamento proposto. 

“A grande vantagem desse sistema é que ele elevou a qualidade da análise da base e está melhorando a inadimplência do nosso produto”, pontua o co-CEO, Tiago Compagnoni. Ele recorda que os resultados comprovaram a teoria da Voltz desde o início da sua atuação, de que a conta de energia elétrica seria uma maneira “abrir o leque” de oportunidades para a empresa. 

Assim, se para os clientes em dívidas o score permite a oferta de melhores parcelamentos e taxas de juros, será possível ir ainda além. “Identificamos na base da Energisa uma quantidade enorme de ótimos pagadores, ou seja, uma base super qualificada”, destaca Compagnoni. 

“O score tem um potencial ainda maior porque com ele somos capazes de identificar os clientes com melhores indicadores de pagamento e recompensá-los com ofertas competitivas, como juros mais baixos e prazos mais flexíveis, por exemplo. Diante dessa realidade, conseguimos ampliar o escopo de nossos produtos não só para o cliente que está com dívida, mas para o cliente que também está em dia, ofertando produtos que não precisam ser destinados somente para pagar a conta”, adianta o co-CEO, Daniel Orlean.

Desafio aceito

Compagnoni destaca que, historicamente, as utilities sempre apresentaram interesse em gerar receitas adicionais com a sua própria base, mas isso ainda se apresenta como um desafio. “Você não quer aumentar a sua inadimplência, e também não quer oferecer um produto que não tem nada a ver com aquele cliente e atrapalhar a jornada dele, já que existem várias situações em que não faria sentido oferecer um produto e muito menos incluir mais uma conta na sua dívida, como ele estar com a luz cortada, por exemplo. Com o score, a gente desbloqueia esse potencial todo das utilities em poder utilizar de forma responsável a sua base e conseguirmos ser bem específicos em qual produto oferecer”, comemora.  

O sistema ainda permite que o algoritmo criado seja aplicado em outras utilities, com seus próprios históricos, e com isso, tem a ambição de contribuir de maneira cada vez mais ampla para a inclusão financeira e democratização de acesso ao crédito. “Ao expandir o score para outras utilities, começamos a promover também uma maior inclusão já que boa parte da população brasileira sem dados em bureaus faz uso de serviços como energia, água e saneamento”, destaca Orlean. “Já estamos também realizando um experimento do score com serviços de saneamento básico. A ideia é usar de uma maneira macro, não apenas na Energisa”, complementa Compagnoni. Em um futuro não tão distante, outro plano nesse sentido é fazer parcerias com bureaus de crédito tradicionais, para complementar scores de forma a beneficiar pessoas sem esse tipo de histórico. 

Inovação 

O desenvolvimento do novo score contou com a área de inovação da Energisa para captar startups que ajudassem a acelerar o processo. Ante os positivos resultados alcançados até o momento, logo depois que foi lançada ao mercado a solução já foi reconhecida pelo Prêmio Score Awards 2022 na categoria “Fomento à Inovação a partir do Uso Criativo de Dados”.

Educação financeira

Ao lado da inovação e da tecnologia, a educação financeira é outro tema inerente ao trabalho que vem sendo desenvolvido pela Voltz. “A gente acredita fortemente que a educação financeira é fundamental. Se a gente fala de inclusão financeira, não podemos deixar de falar de educação financeira”, reforça Orlean.  

Dessa forma, ele ainda destaca que a fintech está a todo o momento aprimorando a sua comunicação e relacionamento com os clientes no sentido de promover o crédito consciente. “Não queremos fazer crédito a qualquer custo, mas fornecer um crédito consciente, que de fato ajude a pessoa a sair de uma situação difícil e temporária”, finaliza.  

Quer se inspirar com outros casos e entender como agregar serviços financeiros nos setores não-financeiros pode agregar valor ao negócio?

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