Resolução 6: por que precisamos falar disso agora?

por Leandro Bartolassi *
A Resolução Conjunta n° 6, em vigor desde 1 de novembro de 2023, representa um marco importante no setor financeiro, sobretudo por atender uma demanda antiga do mercado e garantir que todas as instituições financeiras e de pagamentos autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil colaborem entre si e troquem informações sobre tentativas e confirmações de atividades suspeitas – ainda mais em um momento em que as tentativas de fraudes financeiras estão em crescente constante.
É evidente que o mercado já sinalizava a necessidade de algo neste sentido há alguns anos, mas sabemos que a concretização de um processo dessa magnitude não é fácil. Não à toa, desde o seu anúncio, o mercado financeiro se viu correndo contra o tempo para se adequar à nova regra e atender uma as adaptações exigidas por parte do Bacen.
Para além da conformidade regulatória, a Resolução 6 reflete a necessidade do mercado em criar processos para combater um inimigo comum: as fraudes. Ameaças cibernéticas, dentre outros golpes, são um risco para o mercado financeiro, e a proposta com força normativa tem um papel inovador ao permitir (e exigir) que haja colaboração entre as instituições, o que possibilita a criação de uma camada mais forte e sólida para o mercado, sempre em observância à proteção de dados pessoais e sigilosos. Sua implementação fortalece esse ecossistema e garante mais segurança no sistema financeiro, o que é benéfico para todos.
Além da utilidade para as empresas, a população será impactada pela nova norma. Caso seja observada qualquer atividade suspeita, o cidadão deve reportar para a instituição, de forma tempestiva, através de canais oficiais. As instituições irão analisar o caso minuciosamente e, caso seja constatada uma ação fraudulenta, reportar essa informação em uma base que será compartilhada com o mercado, para garantir que esse consumidor não seja vítima em outra instituição.
Ou seja, será possível minimizar as perdas dos bancos, que poderão continuar garantindo crédito mais acessível a toda a população, além dos riscos aos consumidores, que terão agilidade no compartilhamento seguro de seus dados.

Da necessidade à inspiração

Estes movimentos, impulsionados pela inovação e tecnologia, revelam que a criação de uma ferramenta como a R6 é uma necessidade tanto para o mercado quanto para a população. Exemplos de resultados notáveis não faltam, sobretudo no exterior, como é o caso da União Europeia, com o modelo OLAF (Organismo Europeu de Luta Antifraude), que tem um propósito parecido: ajudar entidades responsáveis pela gestão de fundos das regiões a compreender os tipos, as tendências e as ameaças geradas pelas fraudes e, claro, melhorar a vida de seus cidadãos.
Por fim, o mais importante é que as pessoas se sintam seguras ao realizar suas transações pessoais, e que as empresas deixem de ter tantos prejuízos acarretados pelos golpes. A R6 é um passo importante para essa conquista, e seguiremos juntos em busca de um futuro financeiro mais seguro.
* Leandro Bartolassi é diretor de Estratégia de Dados da ClearSale

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