palestra gui rangel - cantarino brasileiro

“O futuro já começou e manter-se relevante é o grande desafio”, diz futurista

 

|Por Ana Carolina Lahr |

A agenda do “novo” futuro da humanidade está pautada na aceleração, na flexibilidade, na hiperpersonalização de dados, na hiperconectividade, na descentralização e na inteligência artificial. O resumo vem do futurista Gui Rangel, da What The Future?!, que conduziu a palestra de encerramento do webinar Tecnologias Bancárias do Futuro, realizado em março, pela Cantarino Brasileiro. A grande questão, segundo ele, é que em meio à velocidade com que as mudanças tecnológicas vêm acontecendo, “o futuro já chegou”. E foi parafraseando o escritor de ficção científica William Gibson que ele trouxe a grande problemática: “Ele só está mal distribuído”. Ou seja, é ainda preciso encontrar um equilíbrio entre a tradição e a inovação. 

Assumindo o papel de explorar, mapear, decodificar os sinais e identificar as tendências emergentes do mundo da ciência, da tecnologia e do empreendedorismo para mostrar o que pode acontecer ante a “tecnologia do futuro” e como os players do ecossistema financeiro podem agir de maneira intensa, ativa e protagonista nesse cenário, Rangel destacou que “prever o futuro” deve ser uma tarefa constante e cada vez mais necessária para se manter a relevância no mercado. 

Disrupção

O futurista trouxe uma discussão sobre aquilo que considera o grande desafio dessa geração: “como criar esse futuro?”. 

“Sendo disruptivo”, respondeu, sem esperar intervenções. Para exemplificar, ele usou uma frase de Bill Gates em 1994, que dizia: “Banking is necessary, but banks are not” – no português: o produto do setor financeiro é necessário, mas a instituição financeira não. “Isso quer dizer que temos que quebrar esses modelos e encontrar um caminho diferente para poder abraçar esses novos futuros que estão emergindo”, apontou.

Uma vez que a inovação usa os elementos da realidade para construir o futuro, Rangel afirma que é preciso ser cada vez mais disruptivo. Esse estresse disruptivo seria o responsável por criar oportunidades para se tornar relevante. “Temos que deixar, cada vez mais, de ser meros observadores das realidades emergentes e nos transformar em protagonistas, agentes disruptivos que vão deixar as nossas versões presentes e relevantes, porque quem cria o futuro não corre o risco de se tornar obsoleto”, enfatizou.

Inteligência Artificial 

A inteligência artificial é a grande estrela desse “novo” momento tecnológico. Chamada de “nova eletricidade”, porque assim como tal, reinventa a existência humana e está presente cada vez mais nas nossas vidas, ela já tem possibilitado a democratização cada vez maior do conhecimento técnico. “Tudo aquilo que é previsível e repetitivo tende a ser substituído, num curto prazo, por inteligência artificial. Então, aquilo que nos faz máquinas no nosso trabalho, cada vez mais corre o risco de ser substituído”, ressaltou o futurista. 

Rangel desmistificou, porém, a crença de que o trabalho humano possa ser substituído pela tecnologia e destacou que a inteligência artificial, a orquestração de dados e todos os outros elementos “do futuro” ainda gravitam em torno da experiência humana, do cliente e da sua força de trabalho. “Os colaboradores serão aqueles que darão forma para essa nova realidade”, salientou. 

Análise preditiva

Para o futurista, uma das grandes mudanças dessa era é que, se até pouco tempo vivia-se um período de análise descritiva, onde os dados não eram usados para entender o que acontecia e nem guiar o processo decisório, hoje vive-se o período da análise preditiva. “Onde os sistemas conseguem pegar, ajudar, determinar qual plano de ação, qual a decisão correta, transformando o processo decisório à nossa realidade em processo”, justificou. 

Nesse contexto, trouxe como exemplo a empresa NetDragon Websoft, que desenha games e experiências educativas online e que anunciou recentemente que o CEO passaria a ser uma inteligência artificial, que existirá no metaverso e que vai usar dados e informação para tomar decisões do negócio e guiar a força de trabalho de maneira mais eficiente.

Phygital

A conexão entre o mundo físico e o mundo digital é, segundo ele, um cenário que ganhará força ante as novas tecnologias onde funcionalidades, que demandavam investimento e enorme energia das organizações do setor financeiro, vão estar disponíveis em versões escaláveis na nuvem, desde a disponibilidade de dados, até modelos de inteligência artificial customizáveis capazes de transformar o negócio e aumentar a eficiência. 

Outra tendência do futuro, guiada pela Web3 e descentralização da informação, é, segundo ele, a redução da necessidade de instituições financeiras físicas tradicionais. “Ao emitir stable coins, os governos vão sacudir as fundações do setor financeiro, porque as movimentações não serão mais dependentes do sistema tradicional. “São esses vetores que vão criar o futuro e as organizações pós-digitais que surgem nesse processo”, afirmou.

“Somente serão necessários coordenadores no processo decisório – e ainda assim eles precisam se conectar com produtos digitais e com uma força de colaboração também pontual, totalmente independente, que consiga ganhar escala, ocupando espaços que antes eram inacessíveis para empresas menores”, salientou.

Por último, ele falou sobre o metaverso. “A gente está preparado para criar experiências virtuais e, às vezes, com realidade aumentada que se conectam à nossa ideia de geração de valor de produtos financeiros para esse público?, então, vai fazer parte do mix. E continuando a ideia da fragmentação e convergência, o que acontece nessa fragmentação?” 

E não para por aí, vamos falar da hiper personalização, a ideia da experiência individual do cliente sendo cada vez mais mapeada, entendendo mais sobre suas necessidades para criar produtos únicos, utilizando a inteligência artificial para fazer com que esses produtos sejam criados. Na hora que você tem contato com o cliente, entendendo cada vez mais suas necessidades para poder precificar, poder medir seu risco e encontrar soluções cada vez mais adequadas.

“Tudo vai ser construído para poder gravitar em torno dessa experiência individualizada da organização com o cliente. Então, a ideia está muito na era da internet das pessoas e hiperpersonalização de dados”.

Assista a palestra na íntegra no nosso canal do YouTube.

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