inteligencia artificial generativa

IA Generativa, fraudes e regulações se destacam na era da inovação

| Por Ana Carolina Lahr |

A Inteligência Artificial generativa, tecnologia utilizada pelo Chat GPT que ganhou a pauta da mídia no primeiro semestre de 2023, foi um dos pontos de destaque da apresentação de Alexandre Del Rey, presidente da International Association of Artificial Intelligence (I2AI), na palestra de abertura do webinar Tecnologias Bancárias do Futuro, realizado no início de março pela Cantarino Brasileiro. Ao lado dela, o futurista elegeu as fraudes e a regulação como os pontos mais importantes na discussão sobre a era da inovação vivida atualmente pela sociedade. “Nós estamos passando por um momento incrível, uma época fantástica. Tem muita tecnologia nova disponível para se usar no setor financeiro e na sociedade como um todo, nos negócios, mas elegi esses pontos pois eles são complementares e estão em destaque”, introduziu. 

Para contextualizar, Del Rey destacou que estamos vivendo no meio de três revoluções. A primeira seria a Revolução dos Dados, “que embora já seja algo consolidado, especialmente no setor financeiro, ainda observamos muitas empresas que não se tornaram data-driven”. A segunda revolução, que está em pleno desenvolvimento, seria a da inteligência. “As tecnologias novas, capazes de modular aspectos da cognição humana e da Inteligência humana que estão sendo lançadas é de cair o queixo”, observou. Em terceiro lugar, está a Revolução do Metaverso, um tema que já começa a entrar em pauta a gerar questionamentos, embora ainda em caráter experimental. 

“Nós precisamos ter esse entendimento do momento que estamos vivendo e todas as oportunidades e seus desafios”, destacou. 

Acompanhe os detalhes de cada uma das tendências pontuadas: 

IA generativa

“São modelos algoritmos de inteligência artificial que conseguem processar e compreender a estrutura da linguagem natural, humana. Ou seja, algoritmos que entendem a nossa estrutura de conversa e conseguem interagir com a gente. Estamos falando de modelos com uma capacidade de sinapses que começa a se aproximar do cérebro humano”, resumiu Del Rey ao lembrar que, com a Inteligência Artificial generativa, é possível gerar não apenas conteúdos escritos, como imagens, voz e vídeos com base em modelos de linguagem referência. 

Para mostrar o potencial agregador da tecnologia no setor bancário, ele simulou ao vivo o seu uso na geração de conteúdos de educação financeira, solicitando recomendações sobre renda fixa legal. 

“Existe uma tentativa da gente manter essas novas tecnologias com o viés de uso

positivo. Como usá-la para o bem, para uma sociedade melhor, e dá para fazer muitas coisas bacanas com isso, sem sombra de dúvidas”, afirmou.

Fraudes

Nesse sentido, Del Rey alertou que o “caminho do bem” é apenas uma das opções trazidas pela tecnologia. “Temos um outro caminho sem volta do uso das redes generativas que é o seu uso para gerar fraudes”, lamentou. 

Para exemplificar o perigo, o futurista evidenciou o caso de uso do CEO da Detrade Fund, Mark Jensen, que teria feito vários comunicados para a imprensa sobre um projeto de blockchain e capturado 17,8 milhões de dólares, quando, em 2020, abruptamente, a empresa deixou de existir. Ao ser investigada, constatou-se que Mark Jensen, que tinha seu rosto exposto na mídia durante os anúncios, sequer existia. 

Em outro caso, as redes neurais generativas foram utilizadas para replicar a voz do CEO de uma empresa e manipular seu colaborador para que fizesse saques e depósitos em seu nome. “Olhem só o nível de fraude que pode acontecer. Temos que começar a olhar para a tecnologia por todos os aspectos, para entender que é possível combater essas fraudes. Como? Com mais tecnologia”, instigou, ao considerar o empenho do setor bancário em se manter atualizado, fato de extrema importância para garantir que os abusos do uso dessas tecnologias seja coibido. 

Regulação

Combater tecnologia com tecnologia não é tão simples, no entanto. Del Rey ressaltou que é preciso atingir um novo patamar de desenvolvimento, um caminho no qual a regulação é crucial. Assim, pontuou duas leis importantes nesse sentido. 

A primeira foi a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que nasceu em decorrência da revolução dos dados e foi promulgada para proteger os direitos fundamentais de liberdade e de privacidade e a livre formação da personalidade de cada indivíduo. A Lei fala sobre o tratamento de dados pessoais, dispostos em meio físico ou digital, feito por pessoa física ou jurídica de direito público ou privado, englobando um amplo conjunto de operações que podem ocorrer em meios manuais ou digitais.


O segundo momento da discussão trouxe à tona o Marco Legal da Inteligência Artificial. O Projeto de Lei, apresentado em 2020 pelo Deputado Eduardo Bismarck (PDT-CE), teve sua versão final apresentada ao Senado em dezembro do ano passado e a expectativa é que seja aprovado ainda este ano. Seu objetivo é dotar o país de uma legislação que estimule a IA ao mesmo tempo em que protege os cidadãos do mau uso dela. “É importante todos nós acompanharmos e participarmos dessa discussão pois ela vai impactar o setor e também a sua vida pessoal”, finalizou Alexandre.

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