Por Edilma Rodrigues
A paulistana Kalendae implantou toda a arquitetura de computação em nuvem na Quod, gestora de inteligência de crédito e de dados. O objetivo era aprimorar o processo de negativação, que consiste na comunicação de inadimplência e cadastro de inadimplentes, da empresa que presta serviços para os cinco maiores bancos brasileiros. O projeto foi conduzido ao longo de 10 meses e o ambiente passou de pré-operacional para operação plena em três semanas, atendendo aos requisitos funcionais dos negócios da Quod e de seus principais processos dentro do prazo e do budget definidos. A iniciativa concorre ao Prêmio Relatório Bancário 2019 nas categorias “Processos”; “Solução para Nuvem” e “Transformação Digital”.
A Kalendae explica que o projeto promoveu transformação digital na gestora de crédito e alterou um paradigma estabelecido há mais de três décadas no processo de “negativação”. Por ser uma nova arquitetura não baseada em produtos legados, a empresa buscou o máximo de eficiência em custo, utilizando plataformas abertas (open source) e versões não-enterprise de sistemas proprietários (como o SQL Server standard). O processo de negativação na Quod compreende a recepção e processamento de remessas, análises críticas, comunicação com consumidores e exposição ao mercado.
Deste modo, a solução foi desenhada para suportar os principais processos de oito macrogrupos funcionais: composição da base informacional, gestão de comunicação com o cliente, processos de atualização em tempo real, plataforma web de atendimento a clientes e parceiros, gestão de demandas judiciais, administração de cadastro, operação da plataforma e suporte a produtos de negócios.
Para dar conta do processamento do elevado volume de dados, a Kalendae criou infraestruturas em nuvem aberta integradas a ambientes on premises tanto na empresa quanto no ecossistema que compõe seu negócio: clientes e parceiros de serviço. A implantação usou técnicas ágeis de desenvolvimento, concebidas para uma arquitetura cloud, escalada à medida das entregas das funcionalidades de negócios. Com as configurações usadas, a estrutura é portável para qualquer fornecedor de nuvem e mesmo para instalações físicas de maneira a garantir a perenidade do investimento.
Além de oferecer independência entre infraestrutura e aplicação, o projeto resultou em uma solução com balanceamento de carga, alta disponibilidade e gerenciamento, suportando não apenas processos de recuperação de desastre como também oferecendo uma destacada resiliência.
Desafios: romper paradigmas, integração heterogênea e prazo
Um dos principais desafios foi propor e conseguir aprovação da quebra de paradigma que é executar a transformação digital de um processo estabelecido há décadas. “A nuvem ainda era vista como “ambiente não seguro” e o BACEN ainda não havia publicado sua resolução 4.658 de nuvem, que permitiu tantos investimentos posteriores,” assinala a Kalendae.
A execução em si foi outro desafio. Era preciso desenvolver a solução completa, escalável e heterogênea, envolvendo arquitetura cloud e aplicação de suporte ao processo completo de negativação, em um prazo bastante agressivo (10 meses) e sem margem de erro tanto funcional quanto financeiro, dado o compromisso assumido perante o mercado e aos acionistas. Vale lembrar que a estrutura previa a integração dos processos existentes de negativação das cinco maiores instituições financeiras do Brasil, o que trazia desafios tanto de heterogeneidade na integração quanto de volumes envolvidos, adicionais aos já presentes em projetos de alta complexidade técnica.
A Kalendae explica que o projeto “Solução em nuvem para processo de comunicação de inadimplência e cadastro de inadimplentes (processo de ‘negativação’)” é também um avanço por propor que a negativação passe a ser tomada tão somente como parte de um esforço maior para impulsionar o conceito de cadastro positivo, com ganhos gerais no mercado de informações de crédito.
“Trata-se da transformação digital fim a fim de um sólido processo existente há mais de 30 anos em uma plataforma escalável baseada em microsserviços, inclusive com uso de comunicações eletrônicas (e-mail e SMS) além da tradicional comunicação por carta,” finaliza a empresa.