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Prêmio Banking Transformation reforça necessidade de uma agenda ESG transversal

Dados revelam a diversidade na composição dos times envolvidos nos cases inscritos; reflexão é incentivada por meio do Prêmio Especial ESG

por Ana Carolina Lahr

Às vésperas do Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, o tema da equidade racial ganha destaque em muitos ambientes corporativos cujas lideranças se empenham em dar voz e oportunidades aos grupos minorizados. O posicionamento integra ações de uma agenda ESG em construção e que busca o amadurecimento nos mais diversos setores da sociedade. No ecossistema financeiro, o caminho vem sendo acompanhado de perto pela Cantarino Brasileiro, que insere a discussão sob suas diversas perspectivas – ambiental, social e governança – de maneira transversal às trilhas temáticas.

Para reforçar o conceito de transversalidade da agenda e levar resultados efetivos à sociedade, neste ano o tema ESG teve, inclusive, seu status elevado no 19º Prêmio Banking Transformation, passando de uma categoria a um “Prêmio Especial”. Por meio da mudança, a premiação – considerada referência nacional no setor –, busca estimular o amadurecimento da agenda ESG no ecossistema financeiro e incentivar a divulgação dos projetos, ainda que o tema muitas vezes perca espaço para outras prioridades do mundo corporativo. Para ilustrar essa realidade, na análise dos principais benefícios conquistados pelos cases inscritos, aqueles relacionados à agenda ESG ficaram entre os menos citados – Inclusão e Diversidade (8%), Benefícios Sociais (6%) e Sustentabilidade e Melhorias Ambientais (3%); no ano passado, a proporção foi de 6%, 6% e 5%, respectivamente.

“A exemplo da inovação, a agenda ESG deve ser transversal a todos os departamentos em uma empresa que busca sustentabilidade”, observa Marcos Cantarino, CEO da Cantarino Brasileiro.

“Os dados coletados sugerem que há um esforço do ecossistema para fortalecer a temática da diversidade no cotidiano das empresas, já que foi o benefício da agenda ESG mais relevante entre os três pilares esse anos, e obteve aumento de dois pontos percentuais em relação ao ano passado”, completa. 

Marcos Cantarino - agenda esg
Marcos Cantarino. Crédito: Cantarino Brasileiro

Para Laura Salles, jurada desta edição da premiação e fundadora da PlurieBR – primeira plataforma SaaS de gestão de Diversidade, Equidade, Inclusão e Pertencimento no ambiente corporativo do Brasil –, a iniciativa tem importância: “Ela reforça a visão de que ESG não é algo para um departamento, mas um mindset que precisa ser incorporado pela empresa como um todo. É uma cultura que deve ser adotada”.

Diversidade

A fim de entender melhor o movimento em torno da diversidade no ambiente corporativo, uma das questões inéditas propostas na ficha de inscrição dos cases competidores do 19º PBT pediu detalhes sobre a composição do time envolvido. Com a adesão espontânea, os dados coletados começam a desenhar o cenário na comunidade de inovação no ecossistema financeiro, que é alimentada pela Cantarino Brasileiro.

O que os dados mostram:  

  • 50% dos cases respondentes (81) assumiram ter mulheres envolvidas na equipe do projeto; dentre eles, 16% têm mulheres ocupando mais de 50% do time; em 4% deles elas representam mais de 70% do total. 
  • 43% dos cases respondentes (70) disseram que o time é composto por pelo menos um membro considerado não-branco, sendo que 7% têm mais de 50% da equipe nessa composição, e 1% assumiu a composição do time com mais de 70% de não-brancos.
  • A participação de LGBTQIAP+ é mais tímida: 28% dos times envolvidos nos cases respondentes (45) disseram incluir pelo menos um representante do grupo na composição do time. Apenas 1% desse total tem participação igual ou maior a 50% na equipe.

Análise

Para Sales, os números apresentados ainda estão aquém do que o mercado considera satisfatório em termos de performance em diversidade. “É importante olhar para os marcadores sociais com base na representatividade nacional. Ou seja, no Brasil, de acordo com o IBGE, os dois grupos mais representativos são as mulheres, 52% da população, e os negros, 56%. Para uma empresa desempenhar bem esses índices, ela precisa ter no mínimo esse percentual de representatividade na sua composição”, pondera. 

“Quando a gente se depara com um cenário que aponta que 50% dos cases ainda não têm nenhuma mulher na composição do time, é alarmante. Esse número precisa ser melhorado. Principalmente porque, se estamos falando em inclusão financeira, estamos falando de grandes parcelas de grupos minorizados que precisam ser olhados. Como é possível desenvolver um produto que quer atender a uma sociedade diversa sem representatividade?”, provoca.

Laura Sales - agenda esg
Laura Sales. Crédito: Cantarino Brasileiro

Apesar da constatação, ela mantém a positividade. “A realidade hoje é muito diversa, depende do tamanho e momento evolutivo dessa agenda nas empresas. Mas, podemos observar que muitas estão colocando metas para 2025 e 2030 e já estão performando de forma satisfatória”. 

Uma maneira de melhorar esses índices, segundo a especialista, é através das ações afirmativas. No ambiente do varejo, por exemplo, o Grupo Casas Bahia divulgou recentemente que registrou um aumento no número de lideranças negras da companhia como resultado de um programa de ações afirmativas para promover a igualdade racial, saltando de 26% em 2021, para 33% em 2023. A meta é chegar a 45% de pessoas negras em cargos de liderança até 2025, segundo informou a assessoria de imprensa.

Longo caminho

A mais recente edição da Pesquisa Satisfação Empresas do Espro, constatou que oito em cada dez executivos acreditam ser importante que as empresas brasileiras invistam em ESG. No entanto, somente 31% deles afirmam ter percebido a execução de ações efetivas para consolidar uma agenda dessa natureza nas organizações em que atuam.

Outra constatação foi que o termo ESG ainda é mais associado ao pilar ambiental, embora em uma visão macro os três pilares – ambiental, social e governança – devam andar juntos para suprir a responsabilidade no cuidado de pessoas, do planeta e dos negócios.

A edição contou com a participação de 720 executivos de companhias de todo o Brasil, que apontaram também os principais benefícios que as ações ESG podem gerar para as empresas: causar impactos positivos na comunidade/sociedade/meio ambiente (48%); melhoria da inovação e gestão (39,5%); aumento da produtividade e engajamento dos funcionários (38,5%); e promover proteção ambiental (38%). Na sequência, foram indicados o aumento da eficiência operacional (33%); a melhoria da reputação e imagem da empresa (32%); promoção de justiça social (30%); a redução de riscos (29%); e o fortalecimento da economia local (25%).

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