Porque abrir agências bancárias no metaverso não é uma boa ideia?

Porque abrir agências bancárias no metaverso não é uma boa ideia?

Por Boris Plantier, gerente de estratégia de conteúdo e líder de inovação na Qorus*

Há algumas semanas, a fintech indiana Kiya.ai lançou o primeiro metaverso bancário, o Kiyaverse, que vai permitir que os clientes usem avatares personalizados em unidades bancárias digitais, celulares, laptops, fones de ouvido de realidade virtual e ambientes de realidade mista. A plataforma trará serviços bancários do mundo real para o mundo virtual e vice-versa, permitindo a interação com a criação e personalização do avatar de um gerente de relacionamento, interação com o cliente digital baseada em IA, análise de portfólio, gestão de patrimônio, empréstimo e serviços corporativos.

Anteriormente, o Kookmin Bank, da Coréia do Sul, anunciou sua oferta para que os clientes se reunissem com consultores financeiros em agências virtuais.

Nada de muito novo. Outros fizeram o mesmo. Alguns anos atrás, antes que a Meta, o antigo Facebook, popularizasse o termo metaverso, falava-se muito sobre mundos virtuais – em particular o Second Life, plataforma multimídia online que permite às pessoas criar um avatar para si mesmas e ter uma segunda vida em um mundo virtual. O Second Life foi criado em 2003 e, em 2007, o Deutsche Bank construiu a primeira agência bancária virtual, chamada de Q110 – die Deutsche Bank der Zukunft. Muitos outros bancos seguiram esse caminho e nenhum obteve êxito.

Uns podem dizer que o mundo ainda não estava pronto para os mundos virtuais. Desde então, a tecnologia avançou, os headsets de realidade virtual tornam a experiência mais imersiva, e seus preços começam a cair o que levará a uma democratização desses dispositivos. No entanto, há outra pergunta essencial a se fazer. Se a realidade virtual se tornasse a nova tendência e revolucionasse nossas vidas, isso teria impacto em nossa experiência bancária?

Em outras palavras, se meu banco abrir uma agência no metaverso e eu estiver equipado com um headset de realidade virtual, será que eu vou? Acho que não. Como muitos, uso o aplicativo do meu celular para efetuar serviços bancários e, se quiser entrar em contato com meu banco, uso o telefone. Também posso entrar em contato com um consultor por videoconferência. Então, por que iria com meu avatar conhecer o avatar do meu consultor financeiro? Não vou às agências porque não é mais uma necessidade. E oferecer uma cópia do mundo real no mundo virtual não é uma solução, pois não vai reviver essa antiga necessidade. Se um dia, decidir passar um tempo no metaverso, será para fazer coisas que não posso ou dificilmente faço no meu dia a dia. Ir a um show do Snoop Dogg ou conhecer a Kylian Mbappé em uma coletiva de imprensa do time de futebol francês, por exemplo. Experiências que a indústria do entretenimento pode me oferecer.

Para se impor no metaverso, os bancos terão que oferecer aos seus clientes uma experiência diferente de uma simples cópia da agência bancária tradicional, mesmo que seja uma agência futurista com efeito uau. Os bancos terão que reinventar a experiência bancária e criar uma necessidade para o consumidor, o que será um verdadeiro desafio porque significa criar novos serviços, como o que o neobank estadunidense para gamers ZELF está fazendo. “Nossa tecnologia de banco do metaverso vai tornar o comércio de ativos virtuais tão visuais, tangíveis e emocionantes quanto os cartões de beisebol ou do Pokemon costumavam ser, proporcionando um ambiente seguro para compradores e vendedores negociarem ativos digitais nos mundos virtuais”, afirmou o CEO, Elliot Goykhman.

Fonte: Qorus

Tradução e adaptação: Edilma Rodrigues

A Qorus – antiga Efma – é  uma organização internacional que tem em seu portfólio mais de 6 mil estudos de casos de melhores práticas das instituições bancárias globais, compartilhados por uma rede que soma hoje 120 grupos financeiros de 133 países. Ela reúne seus membros num espaço virtual em que é possível ter acesso não apenas aos cases como às pesquisas inéditas realizadas com os parceiros e à visão de especialistas sobre as tendências do setor. A parceria para distribuição de conteúdo através dos canais da Cantarino Brasileiro objetiva aumentar sua visibilidade e adesão dentre as instituições financeiras no Brasil. Para saber mais, acesse o site: https://www.qorusglobal.com.

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