Política de crédito fora do sistema financeiro: mais acessibilidade para pequenas empresas

Política de crédito fora do sistema financeiro

Por Rodrigo Mussolino*

Quase um ano após a pandemia, segue o debate que coloca equivocadamente em campos opostos a saúde e o desenvolvimento econômico. A vida é prioritária, sempre. E a retomada da economia é necessária, com toda a cautela para preservar e proteger a sociedade. Nesse quesito, 2021 ainda nos trará muitos desafios. Mas não podemos deixar de lado pequenas e médias empresas, deixando de as envolver num movimento de recuperação econômica. 

No cenário nacional, um dos problemas tem sido concessão de crédito para pessoas jurídicas de pequeno e médio portes, as chamadas PMEs. O governo federal vem equacionando a complementação de renda para pessoas físicas, com o Auxílio Emergencial. Entretanto, até o momento, nenhuma das medidas implementadas aportou eficácia na concessão de crédito para os pequenos e médios negócios. 

Quando há recursos, muitas empresas esbarram nas exigências de garantias pelas instituições financeiras. As empresas com maiores necessidades, e tempo exíguo para receber socorro, encontram uma maratona de obstáculos na obtenção de crédito. Em geral, pequenos e médios empresários não conseguem, em cenários de crise, oferecer as garantias exigidas pelo sistema financeiro. 

Segundo dados divulgados pelo Sebrae – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, o impacto econômico dos pequenos negócios é fundamental para toda a cadeia produtiva, e também para a geração de empregos. Aproximadamente 54% da mão de obra com carteira assinada, no Brasil, está trabalhando em micro ou pequena empresa. Esse perfil de negócio também é responsável pela inclusão de gênero no mercado de trabalho. Cerca de 53% das mulheres do mercado formal atuam num pequeno negócio. 

Assim como surgiu um modelo de mediação e arbitragem como alternativa ao Poder Judiciário enquanto foro para resolução de conflitos, já há no Brasil oferta de crédito disponível fora do sistema financeiro tradicional. Regulados pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), os fundos de crédito são uma alternativa bastante viável para o atual momento, especialmente para as pequenas e médias empresas brasileiras. Os juros variam entre 1,5% e 3% ao mês. E não há cobrança de IOF (Imposto sobre operações financeiras). 

Essa alternativa, disponível há cerca de 15 anos no mercado, já vem sendo utilizada por empresas dos segmentos da indústria, dos serviços e o setor atacadista, mesmo antes da pandemia. Nessa modalidade, as garantias ofertadas por quem busca crédito são seus próprios recebíveis. 

Os momentos em que os empresários mais precisam, em geral, coincidem com as dificuldades em atender exigências para obter empréstimos nos bancos públicos e privados. 

Vivemos na iminência da vacina. Que ela chegue o mais rápido possível e que seja acessível a toda a população. Mas enquanto não retomarmos a estabilidade sanitário, enquanto houver riscos de contaminação, as autoridades seguirão impondo restrições de funcionamento para distintos segmentos da economia. 

Ora há limitação de horários, ora restrição para atendimento a clientes de acordo com a capacidade máxima de cada empresa. São normas para restringir a expansão da epidemia. Ainda não sabemos quando haverá uma nova normalidade. Mas até lá, todos os segmentos econômicos precisarão estar atentos a questões financeiras para sobreviver a este momento. 

Nesse novo cenário, os fundos de crédito estão revisitando paradigmas para incluir também o setor de varejo nas possibilidades de socorro financeiro. Os custos do dinheiro são acessíveis, mais que nos mecanismos tradicionais de empréstimos. Neste momento, em que é hora de olhar para 2021 com cautela, mas também com foco em retomar o funcionamento da economia, os fundos de crédito podem ser a alternativa para que pequenos negócios ganhem fôlego e sigam abertos.

* Rodrigo Mussolino é CEO do Grupo Moka, expert em gerenciamento de ativos e risco de crédito e investidor-anjo

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