Estudo aponta avanço do sistema instantâneo sobre o cartão de débito e pressão por novas receitas de crédito e softwares
O Pix consolidou sua posição de liderança no ecossistema de pagamentos brasileiro ao alcançar 45% de todo o volume transacionado no varejo e no segmento middle market em 2025. O dado, apurado pela consultoria Advisia OC&C a partir de dados do Banco Central, coloca a ferramenta instantânea à frente do cartão de crédito (39%) e do cartão de débito (16%). No total, as movimentações analisadas saltaram de R$ 3 trilhões em 2021 para R$ 7,8 trilhões em 2025.
Entre 2022 e 2025, o volume transacionado via Pix apresentou taxa de crescimento médio anual de 52%, superando a expansão do cartão de crédito (14%) e do débito (2%). O avanço acelerado do Pix acelerou o declínio do cartão de débito, que perdeu espaço na preferência dos consumidores: a modalidade, que representava 41% das transações em 2018, encolheu para 16% em 2025.
Queda de taxas e migração do modelo de receitas
A expansão do pagamento instantâneo e o aumento da concorrência vêm pressionando a taxa de desconto (MDR) cobrada pelas credenciadoras dos estabelecimentos comerciais. No cartão de crédito, a taxa média cobrada do lojista caiu de 2,42% em 2018 para 2,14% em 2025, enquanto no débito o indicador recuou de 1,38% para 1,13% no mesmo período.
Diante do encolhimento da margem gerada pelo simples processamento de pagamentos e pelo aluguel de maquininhas, as adquirentes voltaram suas estratégias para serviços de maior rentabilidade:
- Oferta de crédito e antecipação: As carteiras de crédito digital mantidas por credenciadoras registraram expansão de até 100% de um ano para o outro, tornando-se uma das principais fontes de margem financeira do setor;
- Serviços de software e ecossistemas: O terminal de captura (POS) passa a atuar prioritariamente como porta de entrada e instrumento de relacionamento para a venda de softwares de gestão e produtos financeiros integrados;
- Resistência do cartão de crédito: O segmento de crédito mantém relevante geração de receita devido ao maior valor médio por transação (tíquete médio de R$ 136, contra R$ 114 no Pix e R$ 53 no débito) aliado ao MDR superior.
Pix Automático e os desafios na transição de cobranças
A substituição do débito automático pelo Pix Automático promete reduzir os custos de arrecadação para empresas prestadoras de serviços recorrentes. No entanto, a adoção do novo modelo exige gestão do risco operacional e da inadimplência durante o período de transição.
Ao contrário do modelo tradicional de débito automático, o Pix Automático exige a concessão prévia de consentimento ativo pelo consumidor no ambiente de seu próprio banco, em observância às diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A falha no fluxo de migração ou a demora no aceite podem fazer com que o pagamento volte a depender da ação manual do cliente, gerando atritos, eventuais indisponibilidades de integração entre os bancos participantes e impactos na gestão do capital de giro corporativo.