Pix: Afinal, o que vem por aí?

Pix: Afinal, o que vem por aí?

Por Raul Moreira*

Com a aproximação do lançamento oficial do Pix – 16 de novembro -, o mercado e o Banco Central do Brasil vêm promovendo uma intensa pauta de conversas com a participação de diversos representantes dos segmentos de tecnologia, finanças e pagamentos, visando reforçar os entendimentos sobre uma agenda evolutiva que está sendo estabelecida exclusivamente para a nova plataforma. E é nessa agenda que seria possível visualizarmos detalhes que poderão definir os rumos dos serviços de meios de pagamentos no Brasil e mudar de forma gradativa a dinâmica de atuação do setor. 

Dentre os principais pontos em fase de implementação pelos agentes de mercado, a partir das orientações e padronizações estabelecidas pelo regulador, se destacam a construção de soluções de uso do Pix no âmbito do comércio em geral. A ideia é que os mais variados meios de pagamento possam avançar na oferta e implementação do Pix no varejo de uma forma totalmente padronizada. Isso engloba tanto compras físicas, virtuais, bem como ferramentas que permitirão que uma série de empresas, sejam prestadoras de serviços de TI ou integradoras de meios de pagamentos façam parte do ecossistema. 

O regulador enfatizou ainda a intenção de lançamento de uma série de novas modalidades de uso dos pagamentos instantâneos. Entre os quais constam o Pix Agendado, Pix Cobrança e o Saque Pix, demonstrando que esse meio de pagamento será muito mais do que uma simples transferência instantânea ou uma TED modernizada, como muitos interpretaram inicialmente. 

Outra ênfase relevante será a possibilidade de utilização do Pix para pagamentos de contas, taxas e tributos, por meio de acordos atuais e futuros com diversos órgãos públicos ou agências reguladoras, a exemplo da Secretaria do Tesouro Nacional, INSS, ANEEL e outros. Tal ação reforça o caminho anteriormente anunciado pelo BACEN sobre a intenção de colocar o Pix em contas de concessionárias (água, luz, telefone etc.) e todos os outros tipos de pagamentos que façam parte da nossa vida cotidiana, a exemplo dos tributos, é claro. 

Apenas como exemplo, se resolvida somente a implantação do Pix junto às contas de concessionárias, espera-se uma elevação significativa de sua utilização nesse tipo de pagamento, principalmente em detrimento aos tradicionais modelos de arrecadação bancária baseados em convênios que se utilizam de tecnologias mais antigas, seja em processamento como em tempo de liquidação. 

Outra frente importante, que só reforça esse intenso cronograma de novidades, será a viabilização dos Saque Pix. A solução permitirá o uso do QR Code para realização de saques em estabelecimentos comerciais que queiram prestar esse tipo de serviço. Acredita-se que o serviço será implementado possivelmente ao longo do 1º. trimestre de 2021. 

Vejam que o plano descrito demonstra potencial de levar esse novo meio de pagamento para todas as formas possíveis de utilização recorrente no dia a dia dos consumidores. Trata-se, por um lado, de uma estratégia muito bem elaborada por parte do regulador, mas de outro também um grande desafio de implementação por parte dos agentes de mercado, principalmente em termos de integração tecnológica, comunicação com os usuários e segurança cibernética. 

No geral, a agenda confirma a determinação dos participantes de facilitar a adoção do novo sistema junto ao maior número de consumidores possível. 

Esse movimento já começa a se desenhar como uma das maiores mobilizações que já tivemos no mercado financeiro nos últimos anos, ocasionando naturalmente uma franca corrida das instituições na busca pelo domicílio dos consumidores por meio do incentivo ao cadastramento das chaves de identificação pessoal do Pix. Mais de 60 milhões de chaves pessoais já foram cadastradas na nova plataforma. 

Tudo isso demostra claramente que nenhuma instituição, seja banco ou fintech, que busca realmente competir no mercado brasileiro num futuro próximo, poderá se abster de participar desse movimento. 

Começa a se desenhar um possível cenário para que o ano de 2021 seja um marco histórico. Principalmente quando estimamos que os efeitos combinados de todas essas alterações regulatórias e tecnológicas, adicionadas ao contexto do Open Banking, certamente irão influenciar o surgimento de uma nova dinâmica de atuação das instituições junto a esse mercado brasileiro. 

Enfim, que venha a digitalização dos meios de pagamentos, a inclusão financeira da população e uma dinâmica competitiva cada vez maior entre os participantes do sistema.

*Raul Moreira é diretor executivo de TI, produtos e open banking do Banco Original

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