Por Edilma Rodrigues
A percepção de que a pandemia do novo coronavírus acelerou o uso dos meios digitais se confirma nos serviços financeiros, mais claramente, com os dados da pesquisa Future Consumer Index, realizado pela EY com 1.112 consumidores, durante os meses de maio e junho. O estudo revela que 46% dos entrevistados aumentaram o uso de pagamentos digitais, contra apenas 7% que continuaram a usar dinheiro. E 59% passaram a utilizar mais bancos online versus 5% que permanecem somente no ambiente físico.
A EY informa que o estilo de vida mais digital vem sendo impulsionado pelas gerações mais jovens – os chamados nativos digitais – e com maior renda. “Um recorte natural, considerando que é o público com mais acesso a smartphones, wearables e outros dispositivos já equipados com meios de pagamento sem contato,” avalia a empresa.
Open Banking e PIX
Outra percepção da EY é que com a chegada do PIX, sistema instantâneo de pagamentos e transferências do Banco Central, espera-se que haja uma facilitação do acesso da população de baixa renda, equilibrando os gaps digitais, uma vez que o uso dos links de pagamento tende a tornar a digitalização do sistema financeiro mais palpável.
Por sua vez, o Open Banking, cuja discussão central é o consentimento do consumidor, deve materializar ainda mais as preferências de como realizar as atividades bancárias. “Os mais jovens e de alta renda tendem a ampliar o engajamento, em oposição aos mais velhos e as populações de baixa renda, que seguiram utilizando os modelos bancários tradicionais,” assinala a EY em nota.
De acordo com o líder do segmento de mercado de serviços financeiros da EY, Rafael Dan Schur, a construção de um novo ecossistema por parte das instituições financeiras vai ocorrer, mas ela não deve se limitar a atender às novas regulações do sistema financeiro aberto e do sistema de pagamentos instantâneos.
Os temas de compliance e de adequação tecnológica devem ser trabalhados em conjunto com a ideação de distintos modelos de negócios, a gestão de parcerias e soluções, e, principalmente, com a implantação de um modelo de governança robusto que permita que as instituições financeiras – tradicionais ou novos entrantes – atendam às necessidades dos seus consumidores e prosperem, complementa.
Novos padrões de consumo
A relação com o dinheiro e as reservas financeiras também mudou nos últimos meses. Segundo análise da EY, os consumidores que sentiram mais os efeitos da pandemia e desejam, assim que possível, retomar os padrões de consumo pré-crise sanitária, terão a maior propensão ao comportamento digital, usando menos dinheiro e mais serviços financeiros online que os demais. Já a pequena parcela dos brasileiros que foram menos impactados pela crise e não irão mudar o padrão de compras atual diz ter menor disposição a abandonar o uso do dinheiro e a utilizar tecnologia no relacionamento com o sistema financeiro.
Entre esses dois extremos, encontram-se 68% dos brasileiros, com diferentes graus de aceleração de seu comportamento digital. Entre eles, predomina a necessidade de realizar escolhas, seja para abrir espaço para produtos premium, seja para continuar a reduzir o orçamento.
Os provedores de serviços financeiros deverão pensar em novos modelos de negócios que coexistam para aproveitar as oportunidades de crescimento e criar diferenciação no atendimento às preferências dos diversos tipos de consumidores. Aqueles que conseguirem colaborar para construir um ecossistema financeiro mais forte serão os mais bem-sucedidos nestes novos tempos, conclui Schur.
Com informações da assessoria de imprensa