Decisão supera resistência da França e cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, segundo agências
Os países da União Europeia aprovaram o aguardado acordo comercial com o Mercosul, encerrando mais de duas décadas de negociações intermitentes e superando a forte oposição liderada pela França. Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira por agências de notícias internacionais, como Reuters e Bloomberg, embaixadores dos 27 estados-membros deram o aval técnico necessário para que o tratado avance para a assinatura final e ratificação, consolidando uma das maiores áreas de livre comércio do planeta.
Segundo o G1, a aprovação representa uma vitória diplomática significativa para os defensores do livre mercado em ambos os blocos. O tratado eliminará tarifas sobre mais de 90% dos bens comercializados, facilitando o acesso de produtos agrícolas sul-americanos — como carne, açúcar e etanol — ao mercado europeu, ao mesmo tempo em que reduz taxas para a entrada de carros, maquinários e produtos químicos europeus nos países do Cone Sul.
Manobra estratégica
Para viabilizar o “sim” do bloco europeu, a Comissão Europeia utilizou uma estratégia de fatiamento do acordo (conhecida como splitting), separando o pilar comercial dos aspectos políticos. Isso permitiu que a aprovação ocorresse por maioria qualificada no Conselho da UE, contornando a necessidade de unanimidade que daria poder de veto a governos individuais, como o de Paris.
A França, pressionada por seu setor agrícola que teme a concorrência dos produtores brasileiros e argentinos, tentou até o último momento formar uma minoria de bloqueio com países como Polônia e Áustria, mas não obteve sucesso suficiente para barrar o texto. “O acordo respeita os mais altos padrões ambientais e garante a proteção dos nossos agricultores através de cotas rigorosas”, afirmou uma fonte ligada à negociação em Bruxelas.
Compromissos ambientais
Um dos pontos cruciais para destrava o diálogo foi o anexo de sustentabilidade. O texto final inclui garantias robustas sobre o combate ao desmatamento e o cumprimento do Acordo de Paris, exigências que haviam travado as conversas nos últimos anos.
Para o Mercosul, a validação europeia é vista como um motor para a reindustrialização e modernização das economias locais. “É um passo fundamental para integrar nossas cadeias de valor globais e atrair investimentos tecnológicos”, avaliam especialistas em comércio exterior. O acordo agora segue para revisão jurídica e tradução antes da assinatura oficial pelos chefes de Estado, prevista para ocorrer nos próximos meses.