Open finance vai acirrar a concorrência e devolver a posse dos dados bancários ao seu legítimo dono

Open finance vai acirrar a concorrência

Por Edilma Rodrigues

Em decorrência da amplitude que o open banking vai alcançar – todos os produtos financeiros, o que inclui seguros e investimentos -, no mês passado, o Banco Central mudou o seu nome para open finance. De todo modo, a entrada em vigor dessa regulação, prevista para o fim de 2021, devolve a propriedade dos dados cadastrais e bancários ao seu legítimo dono, o consumidor, e obriga instituições a compartilhá-los, desde que consentido pelo cliente, com outras empresas, inclusive não bancárias. 

Especialistas dizem que o open finance deve trazer muitas melhorias à competitividade no mercado financeiro. Segundo o CFO da Bit Capital, Francesco Miolo, o sistema financeiro aberto vai viabilizar a criação de novos modelos de negócios, que permitirá que empresas e pessoas físicas reduzam o custo de suas operações bancárias, democratizando o acesso a serviços financeiros de qualidade e o aumento na rapidez das transações. 

A ideia central do open finance é que os usuários são donos dos próprios dados. Isso pode parecer óbvio, mas hoje os bancos é que detêm nosso histórico de transações, tornando mais difícil a migração de uma instituição para outra e, por consequência, limitando o alcance e o potencial de inovação de produtos. Com a nova regulação do BC, as instituições serão obrigadas a compartilhar os dados do consumidor final, desde que com consentimento deste, permitindo que tenhamos acesso a serviços financeiros mais baratos e de melhor qualidade, esclarece Miolo. 

A Bit Capital, que tem plataformas de open finance baseada em blockchain, explica que com o esse sistema aberto, o BC pretende aumentar a concorrência também entre as fintechs, que estão crescendo cada vez mais no setor e acelerar a digitalização das instituições tradicionais, uma vez que toda a comunicação entre os participantes se dará por meio de uma API (sigla em inglês para interface de programação de aplicações) padronizada. “O modelo favorece ofertas que abrangem todo o sistema financeiro, fazendo com que o cliente receba propostas mais vantajosas para seu perfil e tenha mais independência ao escolher uma instituição, como seguradoras, companhias de câmbio, fundos de previdência etc.”

As quatro fases do open finance

Além de apresentar uma série de normas a serem seguidas, o BC nomeou quatro fases para efetivar a mudança. A primeira etapa consiste na abertura de tarifas entre as instituições bancárias. A segunda, possibilita o intercâmbio de dados cadastrais e das transações dos clientes. O terceiro momento é de compartilhamento de serviços transacionais, com novas formas de intermediação de pagamentos. A quarta e última etapa consiste na abertura de escopo do open banking, que deixará de ser exclusivamente para operações bancárias e passará a atender seguros, investimentos e outras operações financeiras. 

Com informações da assessoria de imprensa

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