Open Finance já recebeu R$ 124 mi em investimentos; 79% direcionados à infraestrutura e segurança

|Por Ana Carolina Lahr|

O Banco Central divulgou no início dessa semana o Relatório Anual 2022 do Open Finance, 

que reúne informações sobre o desenvolvimento do ecossistema, o histórico de implantação, implantações futuras, os principais indicadores e outras informações referentes ao período de janeiro a dezembro de 2022. O documento destaca a consolidação da agenda de Open Finance no Brasil durante o ano de 2022, e registra que, do início do open finance até dezembro de 2022, foram desembolsados R$ 124 milhões – sendo que mais de 79% foram direcionados ao desenvolvimento da infraestrutura tecnológica e segurança cibernética. 

“Seguimos no esforço de conduzir as ações de segurança cibernética do Open Finance Brasil junto com profissionais altamente capacitados e competentes. O desafio é constante. O intercâmbio de experiências acumuladas pelas instituições financeiras nesses diversos anos de transformação digital em nosso país contribui muito para nossa operação de segurança. Os resultados têm sido muito satisfatórios e nosso objetivo é manter a segurança do Open Finance Brasil para que os usuários desfrutem, com tranquilidade, dos benefícios. Não existe transformação digital sem segurança e o Open Finance é um dos grandes exemplos de transformação digital de nossa era. Reforço o agradecimento da valiosíssima contribuição dos profissionais que trabalham diretamente no Escritório de Segurança, dos membros dos Grupos Técnicos, das Empresas prestadoras de Serviços e todos aqueles que têm colaborado para a segurança do Open Finance Brasil”, complementou o CISO, Carlos Rust, no relatório.

Evolução 

Em março do ano passado, aproximadamente dois anos após as primeiras resoluções que deram luz à iniciativa do Open Banking, o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional determinaram a utilização do termo Open Finance como forma de reforçar a estratégia de cobertura ampla de escopo do ecossistema, dos serviços bancários tradicionais aos demais serviços financeiros no país. O relatório reforça, no entanto, que “a alteração não gerou mudanças de escopo da iniciativa na estrutura técnica, de segurança ou outros temas já assegurados em especificações anteriores”. 

A revisão e enriquecimento das fases já entregues, a fim de melhorar a qualidade e escopo dos dados que já estão sendo compartilhados e abrir espaço para introdução de demais escopos e funcionalidades previstos, foram os principais feitos no ano de 2022. “O ano foi marcado por grandes melhorias operacionais e de qualidade de nosso ecossistema, incluindo múltiplas análises de especificações de API e de interoperabilidade, com o esforço culminando, ao final de outubro, no lançamento das versões 2.0 das APIs da Fase 2”, declarou o secretário-geral do Open Finance Brasil, Carlos Antonio Rodrigues Jorge, no documento. Para ele, tanto os resultados quanto as expectativas futuras são notáveis. “O ano de 2023 será marcado pelo fortalecimento da iniciação de pagamentos e pela criação de novas APIs, aumentando o escopo e fortalecendo o mais ecossistema de compartilhamento de dados financeiros do mundo”, reforçou. 

A implementação do open banking teve início em 2021, com a Fase 1, na qual os dados das próprias instituições financeiras – canais de atendimento, produtos e serviços ofertados – foram compartilhados. A Fase 2 teve início em agosto do mesmo ano, com o compartilhamento de dados dos clientes com consentimento explícito – dados cadastrais, saldo/extrato, crédito.

Em outubro, deu-se início à Fase 3, com o compartilhamento de serviços de iniciação de transações de pagamentos via Pix. Em fevereiro deste ano, a Fase evoluiu e passou a permitir agendamentos únicos de Pix por meio do ecossistema. A agenda de evolução prevê a inclusão de meios de pagamento complementares, como TED, boletos e débito em conta, além do serviço de encaminhamento de proposta de crédito. Seguindo o cronograma de implementações, em abril deste ano deu-se início à Fase 4, que deve seguir até abril do próximo ano, com o compartilhamento de dados institucionais e transacionais de câmbio, credenciamento, seguro, investimentos e previdência. 

O CIO Elcio Calefi destacou no documento o papel da tecnologia adotada no Brasil e o seu papel de alavanca estratégica e segura para evolução do ecossistema, permitindo a entrega de um roadmap robusto em 2022 e em constante evolução para 2023. “O desafio de aumentar a observabilidade e a gestão por dados de um sistema distribuído dessa magnitude torna-se um dos grandes desafios para 2023, junto à expansão da agenda para novos produtos e serviços. A evolução passa através de um olhar para 2022, identificando as principais lições aprendidas com o objetivo de aprimorar essas alavancas para permitir o crescimento saudável e confiável do ecossistema”.

Números

APIs: De março a dezembro de 2022, foram realizadas mais de 11,6 bilhões de chamadas de APIs, sendo 68% referentes a Contas e Cartões de Crédito. A métrica, que demonstra a evolução da atividade dos participantes do ecossistema e a adoção do open finance pelos usuários, registrou um crescimento de 428% de chamadas por semana desde o início da contabilização. O índice de sucesso das chamadas manteve-se acima de 80% em 7 das 9 APIs da Fase 2 do Open Finance Brasil.

 

Consentimentos ativos: Seguindo as diretrizes definidas pela LGPD, para que o compartilhamento de dados cadastrais e transacionais da fase 2 do Open Finance Brasil aconteça, é necessário a finalização da jornada de consentimento pelo cliente através da API de consentimento. Dessa forma, foram registrados de março a dezembro de 2022, 18,7 milhões de consentimentos ativos para compartilhamentos de dados no sistema entre as 23 instituições participantes nessa fase. 

O número representa um aumento de 95% em relação ao primeiro semestre de 2022 e a tendência, segundo o relatório, “é que o crescimento continue com a implementação das melhorias previstas nas APIs de Fase 2, disseminação do uso do Open Finance pela população e incrementos na experiência do usuário”.

Instituições ativas: O Open Finance Brasil contava até dezembro com 886 instituições ativas no diretório de participantes, sendo mais de 150 conglomerados – dentre os quais apenas 13 tiveram a participação como mandatória – e mais de 600 pessoas de múltiplas instituições contribuindo. A Fase 3, fechou o ano com 16 iniciadores de transação de pagamentos certificados e habilitados no ecossistema.

Compartilhe

Notícias relacionadas

TOP 6
CMN e BC aprovam medidas para amenizar os efeitos da calamidade pública no RS
O Banco Central monitorará continuamente o funcionamento da intermediação financeira na regiãoEm reunião extraordinária no...
TOP 6
Competição voltada às tecnologias para finanças sustentáveis abre inscrições
Quinta edição do G20 TechSprint foi lançada pelo Banco Central (BC) e o Centro de...
TOP 6
Celcoin adquire startup especializada em regulação bancária e fiscal
Reg+ representa a quarta aquisição em dois anos, e reforça o investimento da empresa em...
TOP 6
Programa Celular Seguro é desconhecido por 40% da população, aponta pesquisa
Levantamento encomendado pela Febraban mostra que 29% dos entrevistados não estão interessados na plataformaAté o...

Assine o CANTAnews

Não perca a oportunidade de saber todas as atualizações do mercado, diretamente no seu e-mail

plugins premium WordPress
Scroll to Top