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O que muda no Brasil com as fintechs?

Por Elvis Tinti*

A evolução da tecnologia nas últimas décadas transformou a forma como as pessoas lidam com o dinheiro. Se antes havia um abismo entre os conceitos financeiros e a grande parte da população, hoje se percebe uma aceitação maior de serviços que auxiliam os consumidores a administrarem seu dinheiro e melhorarem a experiência de compra. Essa nova realidade só foi possível com o advento das fintechs, startups que desenvolvem soluções para democratizar o mercado financeiro. A consolidação da primeira geração de empresas deste segmento abre espaço para que novos produtos e serviços sejam desenvolvidos, facilitando ainda mais a vida da população.

É um cenário que desafia as instituições bancárias. Pesquisa realizada pela consultoria PwC mostra que 76% dos bancos consideram as fintechs como potencial ameaça. Além disso, 80% dessas empresas afirmam que desenvolvem serviços focados na relação com o consumidor, algo que apenas 56% dos bancos acreditam fazer também. Não à toa, 42% das instituições já perceberam um movimento de incorporação e aliança com as startups para, justamente, entregar aquilo que seus clientes esperam.

Dessa forma, a mentalidade por trás das fintechs apresenta uma nova realidade para o usuário de produtos financeiros no Brasil. A união de tecnologia com a capacidade de quebrar barreiras pré-estabelecidas pelo mercado financeiro fez com que muitos processos que eram vistos como difíceis, morosos ou complicados fossem transformados em questões fáceis de serem resolvidas com poucos cliques. Desburocratizamos, por exemplo, a relação que o brasileiro tem com o dinheiro, facilitando sua vida com soluções que apresentam melhor experiência. A simplificação é palavra de lei: quanto mais intuitivo e menos demoradas as empresas do setor forem, melhor.

Logo, é preciso suprir as demandas da população. Muitas empresas ainda têm focos diferentes – e acabam não decolando por conta disso. Algumas empresas do mercado financeiro oferecem uma série de diferentes serviços, com facilidade e um grande leque de ofertas, mas que, por outro lado, entregam uma experiência menos agradável ao longo do processo, com muita burocracia. O que o cliente quer é agilidade, facilidade, poucas taxas e o máximo de transparência no processo.

Portanto, a próxima geração de fintechs deve ser rápida o suficiente para acompanhar tudo o que está acontecendo no mercado interno e externo e ter agilidade na implementação de processos, mudanças e novos produtos. No meio do caminho é comum errar, mas é essencial aprender rapidamente com os erros. Dessa forma, é mais fácil criar disrupção em novos produtos e serviços e entregar melhores propostas de valor. Independentemente do segmento, o usuário quer a melhor experiência do começo ao fim de seu ponto de contato com a startup.

Ao longo dos últimos anos, as startups especializadas em tecnologia e finanças cresceram por oferecerem serviços mais democráticos e eficientes à população do que as tradicionais instituições bancárias. Essa atitude está criando uma geração que não apenas se preocupa com sua finança, mas sabe como administrá-la e identifica quais ferramentas podem ajudar nisso. Agora, a fase de novidades passou e o desafio das empresas que já existem ou irão surgir daqui para frente é melhorar cada vez mais a experiência dos usuários e pensar soluções que continuem agregando ao dia a dia das pessoas.

*Elvis Tinti é diretor comercial da Acesso

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