Crédito: World Economic Forum

O papel do ecossistema financeiro no Fórum Econômico Mundial 2024

por Ana Carolina Lahr
Entre os dias 15 e 19 deste mês, aconteceu em Davos, Suíça, o Fórum Econômico Mundial (WEF). O encontro recebeu líderes mundiais e executivos empresariais para discutir questões relacionadas à economia, aos conflitos globais e à evolução da tecnologia. Temas como a crise climática e a transição energética ganharam grande destaque, mas não ofuscaram a inteligência artificial, grande aposta no pilar da tecnologia.
A Cantarino Brasileiro acompanhou a cobertura dos principais temas na mídia e compilou algumas das importantes discussões do encontro, com ênfase nas estratégias de ação voltadas ao ecossistema financeiro. Acompanhe!

1. Sistemas Alimentares

A questão da crise climática teve grande destaque na edição, sobretudo depois que 2023 foi registrado como o ano mais quente da história, reforçando a necessidade de adotar medidas mais eficientes para atingir as metas do Acordo de Paris.
Nessa direção, um dos estudos apresentados durante o Fórum – “100 milhões de agricultores: modelos inovadores para financiar uma transição de sustentabilidade”, desenvolvido em colaboração com a Bain & Company – destacou a necessidade de mudança rápida dos sistemas alimentares para formas de produção mais sustentáveis. 
Isso porque, no modelo praticado até 2020, eles representavam mais de 30% das emissões globais de gases de efeito estufa, mais de 80% do desmatamento tropical e perda de biodiversidade e 70% das retiradas globais de água doce naquele ano.
Para mudar o cenário foi apresentado um modelo inovador de sistema alimentar que precisará de uma estratégia eficiente para apoiar os agricultores com um foco específico na adoção da agricultura regenerativa.
E o que isso tem a ver com o ecossistema financeiro?
Cinco ações são indicadas para acelerar o processo, entre elas: construir, ampliar e replicar modelos inovadores para financiamento e colaboração; e promover o envolvimento de atores financeiros na adoção da agricultura regenerativa.
A intensificação do financiamento misto, a monetização dos resultados ambientais, as capacidades financeiras avançadas e a coordenação entre intervenientes públicos e privados dentro e fora das cadeias de valor alimentar são pontos que têm tudo a ver com os agentes financeiros.

2. Energia sustentável

Ainda sobre meio ambiente, ressaltou-se que, à medida que a população mundial e a demanda por energia aumentam, a implementação de políticas públicas e a promoção de colaborações na cadeia de valor se mostram cada vez mais fundamentais para gerir o consumo de energia e reduzir a intensidade de carbono.
Dada a sua abundância de recursos, tamanho e localização, o Brasil é uma das apostas dos líderes quando o tema é a descarbonização.
No Fórum, foi destacada a capacidade do país para se tornar um líder mundial em produtos com carbono próximo de zero. Em sinergia com essa aposta, está o Plano Nacional de Energia 2050, lançado em 2020 pelo governo, que planeja mais do que duplicar a implantação de energias renováveis até 2050, concentrando-se na energia eólica e solar. 
No encontro, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a matriz elétrica 88% renovável reforça as condições favoráveis do país para receber novos investimentos. No ano passado, a geração de energia eólica e solar nacional aumentou em 8,4 gigawatts. “Nós temos superávit de energia limpa e renovável. Temos no Nordeste brasileiro um grande potencial para que indústrias se instalem para poder produzir efetivamente produtos verdes e exportar a sustentabilidade”, indicou, conforme matéria publicada na Agência Gov.
De encontro ao tema, e na busca por propostas para descarbonizar os setores de Siderurgia, Alumínio e Aviação no Brasil, a First Movers Coalition (FMC) apresentou um relatório com as conclusões e propostas de um workshop realizado no Brasil em outubro do ano passado para discutir como descarbonizar os setores em questão.
A conclusão foi que o Brasil já possui muitos dos ingredientes essenciais para o sucesso da sua transição para baixo carbono nesses setores, sendo necessário investir em soluções políticas – como mandatos e incentivos governamentais – e soluções financeiras, que “devem se concentrar no papel dos bancos de desenvolvimento federais e estaduais para disponibilizar financiamento, juntamente com credores multilaterais, setor privado e produtos financeiros inovadores”, conforme noticiou o site Mundo Coop

3. Tecnologia

Além dos temas relacionados ao meio ambiente, o Fórum Econômico Mundial em Davos concentrou-se em discutir também questões relacionadas à tecnologia, entre elas, a Inteligência Artificial. 
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), discutiu a regulação da inteligência artificial com integrantes do setor público europeu e norte-americano e de empresas, que expuseram suas pesquisas e preocupações.
Entre os riscos da inteligência artificial, o ministro destacou o impacto sobre o mercado de trabalho, a utilização para fins bélicos, a massificação da desinformação e a violação da privacidade. Já entre os benefícios, ele aponta a melhor capacidade decisória em muitas áreas, a automação de tarefas repetitivas e desgastantes para humanos, as aplicações na medicina, pesquisa e inovação, as utilidades práticas do dia a dia e impactos sobre o meio ambiente. Ele ponderou que a regulação da inteligência artificial se tornou imprescindível para lidar com os riscos das novas tecnologias, mas é preciso tomar cuidado para que as restrições não afetem o ímpeto da inovação e criem uma reserva de mercado para as empresas já estabelecidas.
Dados divulgados em pesquisas lançadas no encontro mostram que cinco em cada dez economistas veem a inteligência artificial (IA) generativa, a exemplo do ChatGPT, tornando-se uma tecnologia “comercialmente disruptiva” neste ano e, para os próximos cinco anos, 94% dos entrevistados esperam que os benefícios da IA generativa em termos de produtividade se tornem economicamente significativos no mundo desenvolvido, ante 53% nos emergentes. 
Já em relação aos empregos, nas economias avançadas, aproximadamente 60% estão expostos à IA devido à prevalência de empregos orientados para tarefas cognitivas. Nas economias emergentes, a exposição é de 40%, percentual que se reduz para 26% nos países de baixa renda.
A conclusão da diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, foi que “as descobertas sugerem que os mercados emergentes e as economias em desenvolvimento enfrentam menos perturbações imediatas causadas pela IA”. Apesar disso, conforme destacou, muitos dos países emergentes e em desenvolvimento não têm infraestrutura ou mão de obra qualificada para aproveitar os benefícios da IA, o que aumentaria o risco da tecnologia agravar a desigualdade entre os mercados no futuro.
Em discussão focada no papel da tecnologia no comércio, com ênfase no desenvolvimento de países emergentes, especialistas discutiram como a tecnologia pode apoiar na resolução de desafios globais. No recorte financeiro, podemos destacar a participação de Juan Pablo Ortega, CEO e cofundador da Yuno – uma orquestradora global de pagamentos -, que compartilhou perspectivas sobre o setor de pagamentos digitais. A empresa compartilhou seu conhecimento e contribuiu ativamente para conversas sobre tecnologia financeira e pagamentos digitais.

* Esse artigo foi elaborado com base nas informações sobre o Fórum Econômico Mundial apresentadas nas matérias do site Mundo Coop, Agência Gov, Invest Talk e STF.

 

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