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O mundo físico se une ao digital por meio das fintechs

O mercado financeiro está em polvorosa. A revolução tecnológica que atravessa, junto com os demais segmentos, como governos, indústrias, educação e outros; mudanças e novas regras, regulamentações e legislações governamentais, além de novos players do mundo digital. Tudo isso torna o cenário bastante desafiador.

Cerca de 2,5 bilhões de pessoas não usam serviços financeiros formais e 75% das pessoas de baixa renda não têm conta bancária no mundo. O Banco Mundial (GBM) tem trabalhado para garantir que pessoas em todo o globo possam ter acesso a uma conta para suas transações financeiras. Isso tem sido feito através do projeto Iniciativa de Acesso Universal aos Serviços Financeiros para 2020 (UFA2020). Mais de 50 países se comprometeram a estabelecer metas específicas para aumentar a inclusão financeira. E, no ano passado, o presidente do Grupo Banco Mundial, Jim Yong Kim, estabeleceu metas para dar acesso universal a serviços financeiros a todos os adultos em idade de trabalhar, até 2020.

Ter uma população com acesso a uma conta bancária é o primeiro passo para alcançar uma economia organizada e transparente, com mais oportunidades para o desenvolvimento do comércio, inclusive o eletrônico, e com benefícios para os cidadãos. Tanto indivíduos como empresas precisam ter acesso a produtos financeiros úteis e acessíveis que atendam às suas necessidades e permitam o seu progresso e crescimento. Isso permite economizar recursos financeiros, gera mais investimentos, envios e recebimentos de pagamentos com mais segurança, eficiência e rapidez. Uma conta para transações também pode servir como porta de entrada para outros serviços financeiros internacionais e expansão do leque de serviços disponíveis a toda a população.

A expansão cada vez mais acelerada de empresas digitais como Google, Microsoft, Facebook e Amazon Web Services e a nova geração de usuários “millenials”, empurram uma demanda por serviços digitais e ágeis como nova premissa indispensável da economia e, para isso, são necessários parceiros com capacidades digitais, colaborativos, e ágeis, como as fintechs. E o uso de smartphones no mundo levou a automação para a mão das pessoas, independente de classe social ou idade, e alavancou o desenvolvimento de soluções e aplicativos voltados para a modernização financeira digital.

Na América Latina existem cerca de 1.166 fintechs, o que corresponde a um crescimento de 66% desde a medição do ano anterior, detalhou o relatório “Fintech na América Latina 2018: crescimento e consolidação”, publicado em novembro pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Finnovista. A pesquisa explica que atualmente dois em cada três empreendimentos deste tipo estão em estágios avançados de desenvolvimento.

Na América Latina, o Brasil, segundo o mesmo relatório, tem 380 projetos de fintech, consolidando-se como o país número um, seguido pelo México com 273, Colômbia em terceiro com 148, Argentina com 116 e Chile com 84, segundo o relatório. E estes números não param de crescer exponencialmente a cada mês.

O mercado financeiro, os órgãos reguladores e os bancos centrais de muitos países da América Latina estão revendo e promulgando uma nova legislação, que impulsionam o novo cenário da economia digital. A tecnologia é a ferramenta que pode tornar isso possível. E ela precisa ser fácil, rápida e muito flexível, aos modelos de negócio e particularidades locais de cada país.

O México foi o primeiro país a aprovar a Lei de Fintechs, em março de 2018, promovendo as empresas a desenvolver conjuntamente as mudanças exigidas pelo setor. A Colômbia criou a figura do SEDPES (Sociedades Especializadas en Depósitos y Pagos Electrónicos), que tem licença bancária e sua principal função é capturar e gerenciar contas de depósito eletrônico, que são usadas para fazer pagamentos, recargas de celulares, transferências, pagamentos. Vários bancos e empresas aderiram a este modelo, como alternativa para atender à necessidade de bancarizar os usuários fora do sistema tradicional.

Por outro lado, o BCRA, Banco Central Argentino, autorizou em abril de 2018, a operação do primeiro banco digital que registra seus clientes online, de seu smartphone ou qualquer dispositivo e pode rapidamente obter sua conta bancária, integrando-se ao sistema de clientes cadastrados, podendo operar e fazer pagamentos, compras ou receber dinheiro rapidamente.

Ainda como exemplo dos mais recentes, o Banco Central do Brasil aprovou a resolução de dezembro de 2018 que permite a criação da “Sociedade de Crédito Direto” e da “Sociedade de Empréstimo entre Pessoas”. Esta resolução permite às fintechs manter contas de pagamento e utilizar recursos próprios ou de terceiros para oferecer empréstimos por meio de plataforma eletrônica.

A inovação tecnológica pode acelerar esse progresso e sustentar os bancos nesse desafio. As fintechs são em sua maioria empresas jovens, lideradas por uma gestão inovadora e nativa digital, geração que executa todas as suas ações a partir de um dispositivo e desenvolve aplicativos e soluções ágeis e dinâmicas para atender de maneira muito focada a essa necessidade da economia digital. Interfaces de programação de aplicativos (APIs) habilitam funcionalidades de maneira muito rápida, dando capacidade de inovar e agregar novos recursos e funcionalidades a seus ecossistemas, como aplicativos móveis personalizados. Esta é uma arquitetura com um sistema modular que facilita múltiplas integrações: de novas redes de pagamento, canais que interagem com clientes ou códigos personalizados para automação de processos, processamento de cartões e outros produtos e serviços complementares na nuvem.

O uso de APIs representa um mundo de possibilidades para instituições financeiras, pois permite o fluxo de informações entre aplicativos de maneira fluida e segura, além de propiciar às instituições um acesso mais fácil aos dados dos clientes, obtendo e analisando informações e criando produtos inovadores personalizados de acordo com as necessidades reguladoras, do mercado e dos consumidores.

Há países que estão bastante evoluídos na transformação do setor financeiro, e são justamente estes que criaram um ambiente regulador e normativo favorável e incentivaram o uso das tecnologias, permitindo que instituições bancárias, e não bancárias, inovem e ampliem o acesso a serviços financeiros.

Aumentar a colaboração entre fintechs e bancos é benéfico para ambas as partes, e mais ainda para os clientes. As fintechs não competem com os bancos, são sim, aliados, que oferecem soluções inovadoras para acompanhar as mudanças em um setor tão desafiador como o financeiro.

* Edgardo Torres Caballero é diretor geral da Mambu para América, principal mecanismo de SaaS para o setor bancário, que oferece serviços digitais.

Tradução e adaptação: Cida Vasconcelos

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