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O futuro não é tradicional ou digital, é uma combinação dos dois

Desmonetização tem sido um dos assuntos mais abordados no CIAB FEBRABAN 2018. O combate à circulação do papel moeda deve trazer redução de custos e inclusão. Mas, assim como a internet não acabou com a televisão, os meios digitais não devem acabar com os tradicionais. Como disse, durante painel que discutiu os “Desafios da Transformação Digital nas Instituições Latinoamericanas”, o vice-presidente do banco Patagônia, Claudio Borsa: “O futuro não é tradicional ou digital. É uma combinação dos dois.”

Borsa pontua que há necessidade de reduzir a circulação de crédito e de dinheiro na economia. Segundo ele, depois da folha de pagamento, a segunda maior despesa dos bancos é com transporte de valores. E conta que houve iniciativas do governo argentino com o objetivo de aumentar a utilização do digital, com medidas que restringiam os pagamentos de imposto aos meios eletrônicos, por exemplo. “A circulação exacerbada de dinheiro colabora com a informalidade. No entanto, os argentinos preferem usar cash. Tanto que em tempos de crise, como em abril, os clientes retiraram dinheiro dos bancos e levaram para casa. O desafio da sociedade é sair do meio físico para o digital. O grande paradigma, no entanto, é o cultural.”

A evolução rumo a uma sociedade digitalmente transformada varia, claro, de país para país. Essa variação reflete na maturidade e nos desafios que os bancos enfrentam localmente. A disparidade existe tanto entre as nações de uma região geográfica, como a América Latina, quanto dentro dos próprios países. Borsa ressalta a desigualdade no acesso dos argentinos à transformação digital e diz que o País tem ilhas, onde há bastante avanço em algumas áreas, mas no restante não.

Com este enfoque, o Santander optou pela diversificação no desenvolvimento de suas soluções. O CIO da instituição, Marino Aguiar, salienta a necessidade de a operação da TI ser local, considerando as diferenças no desenvolvimento de soluções em cada país. “A demanda de alguns mercados da AL é muito diferente das da Espanha.”

Desafios

Maurício Minas, presidente do conselho do Ciab, membro do conselho de administração e vice-presidente executivo do Bradesco, avalia que estamos em uma economia do compartilhamento, na qual os hábitos dos consumidores estão mudando, principalmente os da nova geração, em que a posse das coisas não é mais relevante. O mercado, conceitos como de crédito e de financiamento se transformam com isso. Nesse contexto, explica o executivo, no processo de digitalização, os bancos não são mais suficientes para dar as experiências que o cliente quer. Há demandas por plataformas de serviços não financeiros, soluções que não são produzidas pelos bancos. Assim, o modelo de negócios caminha para a “agregação de valor” com produtos importantes para o cliente. “O Bradesco quer agregar “tudo” em torno da marca. Seremos o hub Bradesco, o hub Next.”

Minas também comenta sobre uma das questões mais críticas para países como os da América Latina: a capacitação profissional. De acordo com o executivo, nesse novo mundo, o conjunto de competências exigidas dos trabalhadores é diferente, sendo vital a requalificação. Assim, o foco da transformação digital é “em pessoas e não em tecnologia.”

Borsa corrobora que a transformação precisa envolver pessoas e avalia que muitos argentinos não querem se digitalizar. Nesse sentido, o banco vem recorrendo a parcerias com players como o mercado livre para chegar até o cliente.

Outras soluções

O CIO do Citibanamex / Managing Director, Tiago Spritzer, falou sobre a importância do apoio governamental para se enfrentar os desafios da transformação digital e cita o caso da Índia, com políticas como a de desmonetização, que buscam tornar o país mais digital, apesar de seu baixo nível de desenvolvimento. “Quando há apoio governamental, o movimento é mais rápido,” avalia.

Sobre a desmonetização, apontada como um dos principais desafios para o setor, Spritzer cita o exemplo da China, onde a tão comentada queda na utilização de dinheiro se dá mais em função da adoção de ferramentas como as do Alibaba, que propriamente de ações do governo.

Em um modelo híbrido de transformação digital, Aguiar reafirma que a instituição pensa e opera como uma fintech, com desenvolvimento interno e adoção da metodologia Agil em sua organização. Além do uso da TI como novo método de trabalho.

O Citibanamex desenvolveu uma plataforma de autoatendimento disponível em qualquer telefone, o Audiomático, com segredo de oito dígitos que permite acesso a todos os serviços, sem necessidade de falar. O intuito é expandir o acesso dos clientes, com possibilidade de fazer depósitos e pagamentos em conta virtual.

Spritzer alerta para a velocidade e para a quantidade de transformação que virão nos próximos anos e prevê que serão diárias. “Com mil dólares, em 2.040 poderemos comprar toda a capacidade de inteligência dos humanos no mundo”. Será?

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