Por João Paulo Oliveira*
Um dos maiores jargões do mercado financeiro está com os dias contados: os papéis. De modo geral, papéis podem significar qualquer título ou instrumento financeiro. Os preços dos papéis sobem, descem. Alguns papéis pagam juros ou dividendos. Outros papéis são ‘podres’. Debentures, ações, dívidas, recebíveis, quotas, certificado de operações, derivativos, etc.. Tudo se resume a papéis em finanças.
Na ascendente era da blockchain (o 5º paradigma disruptivo computacional), esquecemos os papéis. Entramos na era dos tokens. Os ativos financeiros anteriormente registrados, garantidos, auditados e fiscalizados por uma cadeia de intermediários, tokenizam-se. A infraestrutura descentralizada da blockchain garante o registro e dispensa ou reduz a necessidade de auditoria e fiscalização. Apenas a garantia do valor do token continua como responsabilidade do emissor do ativo.
Imagine um mundo onde todo tipo de ativo será representado como token: moedas, ações, mercadorias, dívidas, obrigações e direitos, itens de jogos digitais, fichas de vending machine, tickets para cinema e shows, pontos de fidelidade. As possibilidades e aplicações são ilimitadas. A blockchain do ethereum, por exemplo, torna extremamente rápida, barata e segura a emissão desses tokens. A empresa americana t0 (https://tzero.com/) já emite ações tokenizadas na blockchain do ethereum da empresa listada na NASDAQ overstock (OSTKP). O Fórum Econômico Mundial estima que 10% de toda economia global será tokenizada até 2027.
Bitcoin surgiu como o primeiro token e ainda hoje é o mais relevante. Embora já existam milhares de outros no mercado, nos próximos anos veremos uma explosão de novos tokens sendo criados. Essa explosão de ativos demanda uma nova infraestrutura para serem negociados entre si.
O 0X (0Xproject.com), por exemplo, fornece um smart contract padrão que torna possível negociar quaisquer tokens (no padrão ERC-20), entre si. Esse smart contract substitui o papel de uma bolsa, com a vantagem de ser descentralizado e sem risco de contraparte. Também não há cobrança de qualquer taxa de corretagem para usar essa 0x, a não ser as taxas de transação da blockchain.
As vantagens com a revolução da Tokenização são similares a qualquer outro caso de transformação digital: 10x melhor, 10x mais barata, 10x mais rápida, 10x mais acessível. Exponencial. Os dados não negam. O market cap de tokens negociados e listados pelo coinmarketcap multiplicou mais de 9x, apenas esse ano. E deve manter o ritmo em 2018. Grandes corporações que há pouco ignoravam o assunto, já não podem fechar os olhos. O Bank of International Settlement (chamado de banco central dos bancos centrais pelo Jornal O globo), afirmou que bitcoin já não pode ser ignorado e estuda a emissão de um token transnacional.
Essa revolução está extremamente acelerada no mercado financeiro não regulado (criptoeconomy). Em quanto tempo ela impactará de forma significativa o mercado tradicional? De sua opinião.
*João Paulo Oliveira é chief blockchain officer na FoxBit – Bitcoin no Brasil, e um dos palestrantes confirmados para o Blockchain View, que acontece em 19 de outubro.
Sobre o autor: especialista em blockchain e em criptomoedas, Oliveira tem mestrado e graduação pela Universidade Federal de Pernambuco. Estudou Futurismo na Singularity University/NASA e possui especialização em fintechs pelo MIT. O executivo foi professor do primeiro curso de blockchain no Brasil pela FIAP, sendo um dos pioneiros a divulgar essa tecnologia e se tornando um dos principais evangelistas do assunto no País.