O desaparecimento da tecnologia na transformação pós-digital

5G, IoT, tokenização, biometria, metaverso, nuvens distribuídas, dados devidamente compartilhados, robôs de automação e outras grandes inovações vão sustentar o atendimento a um consumidor alheio a aplicações e produtos bancários, com uma inteligência artificial inserindo os serviços financeiros em cada contexto da vida das pessoas e das empresas

Por Vanderlei Campos

Mesmo para a geração de bancarizados que jamais conheceu uma fila de agência ou um talão de cheque, a ideia de operar uma interface, cumprir os procedimentos de autenticação e realizar as transações em breve fará parte de um passado nada nostálgico. “Começamos a explorar as novas oportunidades tecnológicas e até agora apareceu só a ponta do iceberg. As peças estão no jogo. A novidade neste momento é que tudo ocorre ao mesmo tempo. À medida que tudo começa a se conectar, essa convergência vai trazer uma transformação da experiência dos clientes”, diz Raul Moreira, diretor do Comitê de Inovação do Banco Original. Entre os vetores da transformação, ele destaca a conectividade 5G, a tokenização de ativos e a infraestrutura de open finance. “Vamos ver os efeitos da sobreposição das inovações, com IA permeando”, descreve.

Com essa visão, Raul acredita que estamos agora rumando “para o fim da era dos aplicativos bancários. Quando as peças se unirem, não mais farão sentido as ofertas e a entrega de serviços financeiros como vimos até hoje”. Segundo ele, quando essa etapa estiver concluída, o produto financeiro estará inserido na vida do consumidor, sem menus estáticos e funcionalidades fora de contexto. “Não há mais a necessidade de navegar em app com hierarquia e achar transação. A oferta de serviços financeiros se fragmenta e é intuitiva. Aí a transformação do sistema financeiro dá outro salto”, diz. “A partir de qualquer ponto de entrada, que pode ser um iniciador de pagamentos, um marketplace ou outro agente, uma inteligência artificial vai conferir quem você é, capturar o conjunto de informações autorizadas (inclusive pelo open finance) e configurar e entregar o produto financeiro certo. Isso não está longe. O iniciador de pagamentos veio para viabilizar essas camadas”, menciona.

Enquanto as redes de IoT e a conectividade 5G multiplicam a capacidade de captura de dados, as estruturas de blockchain têm fortes desdobramentos em investimentos, transferências, identidades e outras aplicações. “A tokenização permite fragmentar os ativos já regulados e simplificar a entrega. Para o consumidor, a fragmentação de garantias pode representar acesso mais fácil a produtos de crédito”, exemplifica.

Segmentação

Com essas transformações em vista, o diretor do Original aponta para a tendência de segmentação de perfis de instituições financeiras: os provedores de produtos e funcionalidades, em um modelo de BaaS; e os agregadores, um papel que começa a se moldar. “Alguns bancos podem não conseguir fazer as transformações e permanecerão no provisionamento de serviços. As grandes instituições tendem a ficar nas duas pontas. O que dificilmente veremos são os modelos monolíticos, com os canais de entrega e os apps que temos hoje”, antecipa.

Outras inovações

Junto às novidades de maior visibilidade, como os drones da IoT, as criptomoedas e as interfaces de IA, há inovações na arquitetura dos produtos e das organizações que libertam os criadores de serviços e os clientes de travas nos sistemas e processos tradicionais. Embora pareça um tema técnico, Marcelo Queiroz, head de estratégia de mercado da ClearSale, destaca que a arquitetura de microsserviços e a forma de compor os produtos e serviços têm um desdobramento importante no que se refere a calibrar os custos operacionais e a experiência do usuário em relação ao escopo de risco de cada produto ou funcionalidade financeira.

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Marcelo Queiroz, head de estratégia de mercado da ClearSale


Na vertente de embeded finance (em que o serviço financeiro se dilui na experiência de consumo), Queiroz aponta dois eixos: identidade e crédito:

“A blockchain é o caminho para emissão e distribuição de credenciais – semelhante ao documento físico com reconhecimento jurídico. Vamos ter emissores de credenciais com governança forte, que podem ser aglutinadas e gerenciadas pelo titular.”

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