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Neon Pagamentos se fortalece com a crise

Por Edilma Rodrigues

Após o Banco Central determinar a liquidação do Banco Neon, ex-banco Pottencial, em 4 de maio, a correria da fintech Neon Pagamentos foi grande para desfazer o mal-entendido gerado pela homonímia. O fundador e CEO da Neon Pagamentos, Pedro Conrade, explica que as empresas tinham um acordo operacional para serviços de custódia e liquidação das transações, há dois anos, mas a fintech não tinha nenhum vínculo societário com o banco.

Conrade conta que, no início da parceria, a fintech acreditou ser uma boa oportunidade emprestar o nome Neon para o Pottencial, de modo a causar menos confusão para os clientes. “Esse foi o grande erro dessa parceria, que era simplesmente um acordo operacional. Emprestamos a marca e a parceria funcionou durante dois anos. Com o bloqueio do Banco Neon pelo Banco Central, as marcas foram confundidas, o que prejudicou a imagem que estamos construindo e tivemos que explicar ao mercado,” assinala o CEO.

A reação

A retomada, no entanto, foi rápida. Em poucos dias foi fechada parceria com o banco Votorantim e os principais serviços foram reabilitados. Segundo comunicado da empresa, até o momento foram restabelecidos os serviços de ativação e uso do cartão de débito, recarga de celular, pagamento de contas, saque, transferência, consulta de saldo, chat no app e notificações.

“Quase tudo está no ar. A estratégia agora é estabilizar todas as operações, garantir que o cliente entenda que tudo está voltando ao normal. Ainda tem uma operação ou outra que precisa ser normalizada, o que vai acontecer nos próximos dias. A partir da próxima semana, voltamos aos planos que já tínhamos: lançamento de novos produtos, crescimento de base etc.,” salienta Conrade.

Entre as iniciativas frente à crise, a Neon Pagamentos dividiu a equipe para conseguir cuidar de todas as demandas: clientes, novas parcerias, jornalistas etc. O time com apenas dois anos deu conta do recado.

“Se alguém por algum minuto desconfiou que as fintechs poderiam se enfraquecer, enganou-se. As fintechs voltam fortalecidíssimas depois desse acontecimento. A forma como o Banco Central estruturou a regulamentação viabiliza que as fintechs cresçam e se desenvolvam e ainda mantenham o dinheiro dos clientes de forma segura. Esta é a prova que as fintechs vieram para ficar, mesmo com uma parceria que deu problemas, sobrevivemos e saímos ainda mais fortalecidos,” argumenta o CEO.

Confiança do mercado

Quando o problema veio à tona, a Neon Pagamentos recebeu dezenas de contatos de bancos de todos os portes, oferecendo parceria. “O Votorantim era o melhor porque além de ter credibilidade, solidez, o que nos dá a tranquilidade que o que aconteceu não vai acontecer de novo. Eles estavam preparados, com grande transformação digital e tudo estava disponível para as integrações,” avalia.

Conrade lembra que a fintech recebeu [em 03 de maio] o maior aporte do Brasil, de R$ 72 milhões numa rodada de investimentos.

Clientes

A perda de clientes foi infinitamente menor do que a Neon Pagamentos imaginava e apenas nos primeiros dias. “A maior parte dos clientes continua conosco. Hoje, já está equilibrado e vemos os números voltando a crescer,” comemora.

Grande apoio dos investidores

Os investidores, segundo o CEO da Neon Pagamentos, arregaçaram as mangas, foram ao escritório da empresa e ajudaram em todas as etapas de negociação, com ideias, alternativas, contatos. “Só conseguimos fazer esse movimento tão rápido porque os investidores participaram ativamente.”

O futuro

Existem algumas sinergias com o novo parceiro que podem ser exploradas, várias possibilidades daqui para a frente, segundo o executivo. “Mas é importante dizer que vamos continuar em carreira solo, crescendo com o nosso sonho, aqui. Continuamos com a expectativa de atingir 1 milhão de clientes até o final de 2018.”

Além disso, a startup prossegue com o lançamento de produtos que já foram anunciados: a conta PJ para pequena e média empresa; o cartão de crédito, lançado um mês antes dessa crise, receberá aprimoramentos; haverá diversificação do portfólio de produtos de investimentos. A Neon Pagamentos atualmente oferece somente CDB.

Conrade finaliza dizendo: “não vamos cometer esse erro de novo. Nosso nome só a gente usa.”

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