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Nem só de tecnologia vive a vanguarda dos bancos digitais

Modelo de gestão horizontal, acolhimento de críticas, custos e democratização dos serviços financeiros entram no projeto do C6 Bank para desafiar o status quo

Por Edilma Rodrigues

Os bancos digitais têm sido a aposta de grupos, de empresas e de empreendedores – brasileiros e estrangeiros – que enxergam no setor potencial de crescimento e de renovação. Nubank, Banco Inter, Agibank, Original, Next, N26 são alguns exemplos. A tecnologia é a face mais visível e o ponto de interseção entre eles, mas, além dela, o que mais torna esses players inovadores?

A inovação no C6 Bank, que obteve a licença do Banco Central para operar como banco múltiplo (carteira comercial e de investimento) em janeiro, também vem de modelos organizacionais menos tradicionais, em que a horizontalidade é um dos pontos observados em sua estratégia. Segundo a empresa, a descentralização de poder com poucos níveis de alçada permite que todos os funcionários tenham atribuições próprias, para que possam tomar decisões quando necessário. O modelo, baseado nas ideias de liberdade e responsabilidade, amplia a exposição dos colaboradores a oportunidades de crescimento profissional.

Entre os valores do C6 Bank está a autorcracia, que, em termos mais amplos, é uma forma de gestão horizontal em que a hierarquia tradicional é reduzida. “Diferentemente do que ocorre em uma estrutura administrativa estritamente vertical, em que os níveis hierárquicos são rígidos e as decisões vêm de cima para baixo, o modelo horizontal é mais informal e os funcionários têm autonomia para tomar decisões, respondendo pelo sucesso ou não da iniciativa”, explica declaração da empresa.

Além da autorcracia, a instituição financeira aposta em mais cinco valores: “desafiar o status quo”, “escolher o frescobol”, “ética, transparência e respeito”, “bom humor” e “arte de discordar”. O “escolher o frescobol” foi inspirado em uma crônica do escritor Rubem Alves, chamada “Tênis x Frescobol”, para decidir qual é a cultura profissional do novo banco comercial, que afirma querer mudar a relação das pessoas com os serviços financeiros. “No frescobol, não há adversários – só empatia e cooperação.”

Sugestões e críticas são bem-vindas

Com quinhentos profissionais, dos quais 31% são mulheres, os investimentos do banco no projeto devem somar 500 milhões de reais até o fim de 2019. Em abril, o C6 Bank iniciou sua terceira fase de testes (beta testers) – “peça seu convite”, que chama pessoas para testarem a conta corrente. As outras duas foram, respectivamente, para funcionários e para convidados dos colaboradores do banco. “Com base nas sugestões desses nossos primeiros clientes (e na percepção de nossas equipes), fizemos mais de duzentas melhorias no nosso app. A cada quinze dias, o aplicativo passa por uma atualização tanto para ampliar a oferta de produtos quanto para aperfeiçoar a experiência do usuário. Nos próximos meses, faremos o lançamento oficial do banco e ofereceremos nossos serviços para todos os interessados”, descreve Verena.

Os usuários vão ter acesso aos serviços do banco em primeira mão e, segundo a executiva, vão ajudar a construir o banco, com sugestões e críticas. “Em poucos meses, ampliaremos a oferta de produtos, lançaremos uma nova versão do nosso app e começaremos a trabalhar nossa marca no país. Até o final do ano, ofereceremos uma plataforma completa de trading aos nossos clientes”, assegura.

Custo e atendimento personalizado: vieses competitivos

A proposta do C6 Bank é ser um banco de baixo custo, com comunicação transparente com o cliente e experiência personalizada. Para encorajar as pessoas a experimentar seus produtos, a empresa não cobra para fazer as principais transações bancárias: abertura de conta, transferências, pagamento de boletos e saques. Verena explica que a instituição se propõe a atender a todos os perfis de clientes e se posiciona como um banco completo para pessoas físicas e jurídicas. “Oferecemos conta corrente gratuita, TEDs e saques ilimitados e gratuitos, pagamento de boleto sem custo, um cartão múltiplo (crédito e débito) com tecnologia NFC (pagamento por aproximação), além de uma oferta bastante competitiva de CDBs (Certificado de Depósito Interbancário) emitidos pelo C6 Bank”, assinala.

O objetivo é que, após testarem as plataformas – app e canais digitais – e a maneira como os clientes são atendidos, as pessoas se sintam confiantes para trazer os investimentos, movimentar a conta e contratar os serviços.

Parcerias e colaboração para inovar

Para garantir o contato com pesquisas de excelência, que ajudem a acompanhar o estado da arte em tecnologia, a instituição, firmou, no ano passado, quatro parcerias com o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) em áreas como cibersegurança, analytics e empreendedorismo.

Além disso, o C6 Bank mantém uma comunidade de inovação, o Opp. A iniciativa apoia e potencializa pessoas com ideias que desafiam o status quo, por meio de um programa que ensina, oferece mentoria e cria conexões verdadeiras. O banco selecionou quatro startups para seu o primeiro programa. “Elas começaram conosco em estágio inicial e se preparam para os próximos passos. Sem dúvida, quando chegar o momento, vamos avaliar eventuais sinergias”, conta Verena.

Marketplace de serviços financeiros

Na TI, a empresa apostou no conceito de arquitetura aberta para explorar a camada de APIs (Interfaces de Programação de Aplicação) e apresentar um portfólio de serviços completo para os clientes. De acordo com Verena, as conexões com negócios complementares aos do banco são benéficas ao cliente. “Nesse modelo, ele não precisará lidar com ambientes totalmente descolados um do outro para contratar e administrar seus serviços financeiros. Nossa proposta é criar um marketplace de produtos financeiros dentro da nossa plataforma.”

A estruturação de todos os processos e produtos prevê o respeito à lei geral de proteção de dados, seguindo um princípio basilar do C6 Bank: a transparência com o cliente.

O cartão múltiplo da instituição vem com tecnologia de pagamento por aproximação, nas funções crédito e débito, mesmo na fase de testes. A empresa investe também em soluções de pagamento digital, que estão em desenvolvimento.

Erramos: na edição impressa do Anuário Brasileiro de Bancos – ABB 2019, na matéria acima, a palavra autorcracia foi grafada erradamente como autocracia. Na verdade, trata-se do conceito que define um modelo organizacional, baseado nas ideias de liberdade e responsabilidade, e que constitui um dos valores do C6.

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