Moeda digital entra na pauta de discussões do BC

Moeda digital entra na pauta de discussões do BC

Por Edilma Rodrigues

O Banco Central criou um grupo de trabalho para discutir os impactos de uma eventual emissão de moeda digital no Brasil. Entre os objetivos do grupo estão a proposição de modelo de emissão de moeda digital, com identificação de riscos, incluindo a segurança cibernética, a proteção de dados e a aderência normativa e regulatória e análise de impactos do CBDC sobre a inclusão e a estabilidade financeiras e a condução das políticas monetária e econômica. O intuito também antever o futuro das relações financeiras.

“Acrônimo para “Central Bank Digital Currency” ou moeda digital emitida por banco central, em Português, CBDC é um suporte digital da moeda soberana de um país, em nosso caso o Real, que atualmente só possui suporte físico (cédulas e moedas),” explica o BC em nota.

O BC explica que com a evolução tecnológica, os sistemas de pagamento foram digitalizados e deixaram de usar papel. “A quantidade de pagamentos eletrônicos vem crescendo nos últimos anos, graças, especialmente, à evolução da tecnologia de dispositivos e comunicação móveis. Porém, nosso dinheiro continua materializado em papel e círculos de metal, não existindo, ainda, nenhuma representação digital do dinheiro acessível ao cidadão. Então, uma moeda digital emitida por banco central permitiria que o brasileiro interagisse com seu dinheiro de uma forma completamente eletrônica”, explica o coordenador do 

grupo de estudo, Aristides Andrade Cavalcante Neto, do departamento de Tecnologia da Informação (Deinf) do Banco Central.

Rafael Sarres de Almeida, também do Deinf e coordenador alterno do grupo de estudo, destaca que “o assunto moedas digitais emitidas por bancos centrais está na pauta de pesquisa de muitos bancos centrais já há algum tempo, porém, neste ano, houve um foco maior em uma abordagem mais prática. A China já entrou na fase final de testes de sua moeda digital e muitas autoridades monetárias anunciaram novos projetos”. 

Segundo Almeida, o objetivo do BC é aprofundar os estudos “sobre o futuro de nossa moeda. É importante frisar, porém, que a aprovação do grupo não significa que haverá a emissão de uma moeda digital pelo BC, mas que a autoridade monetária estudará o assunto e dará uma resposta à sociedade sobre o tema.”

Emissão de papel moeda custa R$ 90 bi por ano
O grupo também vai permitir avaliar possíveis implicações em áreas como inclusão financeira, crescimento econômico, inovação tecnológica e aumento de eficiência de transações. E pode trazer benefícios como redução de custos de emissão e manutenção do numerário, cédulas e moedas que circulam na economia. O custo estimado do ciclo do dinheiro considerando a emissão, custódia, distribuição, manuseio pelo comércio, recolhimento, descarte e demais custos indiretos é de aproximadamente R$ 90 bilhões por ano, em linha com demais países, tendo em vista que costuma variar entre 1% e 2% do PIB, de acordo com o tamanho e particularidades de cada economia.

Fonte: Banco Central

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