Mais que dobra número de usuários de bancos digitais, mas a segurança ainda preocupa

Mais que dobra número de usuários de bancos digitais

Por Edilma Rodrigues

43% dos brasileiros têm conta em algum banco digital, mais que o dobro do registrado em 2019 (18%). Além disso, em média, cada usuário tem conta em 2,3 instituições e a conta principal de 14% deles é em um neobanco. Os dados são do levantamento da Akamai Technologies, encomendado à Cantarino Brasileiro, com mais de mil correntistas de diversos bancos do Brasil.

Em nota, a empresa explica que a pesquisa mostra que 75% dos usuários se sentem seguros em suas instituições bancárias, mas, ainda há espaço para melhorias, sobretudo quando cada vez mais clientes verificam e estão cientes de questões relacionadas à cibersegurança e ao vazamento de informações.

Segurança digital afeta escolha do banco

Cerca de 57% dos usuários verificam eventos de vazamento de dados ou falhas de segurança nas instituições mesmo antes de abrir uma conta, mais ainda para os bancos digitais. Para 33% dos entrevistados é fundamental para a escolha de uma instituição financeira que ela nunca tenha sofrido vazamento de informações. E cerca de 43% não se preocupa com isso. Essa parcela é maior entre mulheres e na classe C. Para 54% dos entrevistados, o uso de biometria de dedo, face ou mão aumenta a sensação de segurança nas transações financeiras em canais digitais. Já para 42%, são as certificações de segurança.

Este é um cenário que evolui rapidamente no setor financeiro, com usuários mais exigentes, informados e digitais. As instituições precisam mostrar performance, segurança e versatilidade aos usuários, com transparência em seus contratos, canais de atendimento e cobranças, para acompanharem a sociedade cada vez mais tecnológica.

O gerente de marketing de indústria LATAM na Akamai Technologies, Helder Ferrão, comenta que, hoje, a oferta de serviços financeiros está acontecendo em muitos outros tipos de instituição e em formatos mais diversos. “Há muitas empresas que oferecem serviços financeiros (cartão de crédito, cartão pré-pago, empréstimos) que não são bancos. Vide também a agenda do Banco Central, que não mudou com a pandemia e seguiu firme na implementação do Pix e continua a agenda para o open bank. Vemos empresas de varejo e carteiras digitais que estão ‘bancarizando’ um público de maneira muito rápida e inclusiva”, avalia ele. 

No entanto, constata-se que muitos consumidores (39%) ainda não usam serviços financeiros ofertados por empresas de fora do setor, há mesmo aqueles que afirmam sequer considerar a alternativa (7%). Entre os pesquisados, 29% já são adeptos de e-wallets ou carteiras virtuais.

Tarifas são fator de concorrência

O surgimento dos bancos digitais ampliou de forma rápida a competição no segmento bancário. Neste cenário, as tarifas são consideradas um fator cada vez mais importante para o cliente. Para 40%, esse é o principal critério para escolha de um banco, um número que aumenta entre os usuários de bancos digitais. Com 34%, o segundo critério mais importante é justamente a mobilidade – ou a capacidade de acessar serviços em qualquer lugar. 68% dos entrevistados usam os apps de bancos como a principal forma de acessar suas contas. É o mais utilizado entre os jovens, com ensino superior e usuários de bancos digitais. Internet banking é o mais utilizado por 47%.

“Uma abordagem digital, melhores tarifas e segurança, são algumas das principais expectativas nos dias de hoje para o cliente do sistema bancário brasileiro. Mais interessado em novidades tecnológicas e com um cardápio de opções cada vez maior no mercado, o usuário brasileiro já não tem medo de trocar de banco”, assinala Ferrão.

O gerente avalia ainda que, aos poucos, as fronteiras entre empresas vistas como digitais ou tradicionais vão deixando de existir. “A agência bancária já deu lugar ao app, enquanto as redes sociais crescem como canais de atendimento. Ao mesmo tempo, o brasileiro não parece estar disposto a abrir mão da segurança em detrimento de maior conveniência.”

A situação é emblemática: na mesma medida em que a concorrência passa a ser cada vez mais marcada pelo preço das tarifas, o investimento na proteção contra riscos cibernéticos se torna cada vez mais necessário e estratégico.

Com informações da assessoria de imprensa

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