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Mais 4 mil suecos usam chips sob a pele para fazer pagamentos, abrir portas e até comprar alimentos

A ficção científica está ficando para trás. O mundo da tecnologia avança a uma velocidade de locomotiva, o que torna difícil diferenciar entre realidade e fantasia. Na Suécia, por exemplo, surgiu uma febre de colocar um microchip sob a pele. Embora pareça mentira, os suecos deram vida ao chamado biohacking, que consiste na união entre humanos e a tecnologia da informação. Mais de 4 mil pessoas implantaram um desses dispositivos, que são do tamanho de um grão de arroz, e com o qual se pode abrir portas, compartilhar informações de contato, comprar alimentos em terminais de venda automática e até pagar por um bilhete de trem.

Foi em 2015, quando chegaram ao mercado os primeiros microchips para se colocar sob a pele. Desde então, eles não pararam de se expandir em todo o país escandinavo. Esses dispositivos têm uma dimensão que não excede 12 milímetros de comprimento. No interior, eles têm um sistema NFC (Near Field Communication) – muito semelhante àqueles no cartão de identidade ou em cartões contactless – que permite criptografar informações pessoais. Os suecos entenderam que a evolução tecnológica é um passo inevitável, avalia Juanjo Tara, engenheiro de computação que foi um dos primeiros espanhóis a implantar um desses gadgets entre o polegar e o indicador.

Tara não só se atreveu a se juntar a este pequeno exército de cyborgs, um acrónimo de cyber e organismo (organismo cibernético) que é usado para definir uma pessoa composta por organismos vivos e dispositivos cibernéticos. Desde 2016, sua empresa, a Dsruptive (com sede na Suécia), se volta para o desenvolvimento de seu próprio dispositivo. Criamos algo semelhante a um pequeno smartphone, um pequeno computador, explicou ele por telefone ao BBVA. Ao contrário dos primeiros microchips suecos, o produto da Tara possui um sensor, ferramentas de inteligência artificial, memória e uma luz de led que é ligada toda vez que o dispositivo é usado.

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Mais de 4.000 suecos já implementaram um dispositivo inteligente como este para abrir portas ou fazer pagamentos

Um microchip nunca será um computador, porque falta dados de comunicação e memória. Um chip é como um cartão de crédito. Estamos falando de implantar sensores e projetar um dispositivo complexo. Essa é a grande diferença , afirma ele. Mas a Dsruptive não é a única empresa comprometida com o desenvolvimento desses dispositivos. Várias empresas, como Dangerous Things ou Biohax, estão se unindo a essa revolução que foi desencadeada na Suécia, uma das três nações mais inovadoras (depois da Finlândia e da Alemanha) da União Europeia, segundo uma análise da agência Bloomberg. Não é por acaso que é no país escandinavo que estão as maiores companhias de tecnologia da Europa e são consideradas um Vale do Silício regional.

Os suecos são uma sociedade hiperconectada e não têm medo da tecnologia … É um país que adota a inovação e entende que faz parte da sua vida, comenta Tara. Mas a Suécia não está sozinha nessa revolução. Outros países (Alemanha, Austrália e Nova Zelândia) também estão adotando e inovando nessas tecnologias subcutâneas. Na Espanha, alguns testes já estão sendo feitos. Entendemos que, no futuro, teremos implantes para armazenar qualquer tipo de informação, diz Tara. Poderemos pagar e levar o passaporte nele. Em suma, vamos eliminar a carteira física do nosso bolso para incluir tudo em um dispositivo do tamanho de um grão de arroz em nossas mãos , acrescenta.

Os pagamentos cada vez mais invisíveis

Esta tecnologia disruptiva se une a outras soluções enquadradas nos chamados pagamentos invisíveis, isto é, pagamentos feitos pelo cliente nos quais se elimina o atrito tradicional no momento da compra (filas, passar produtos por uma esteira, carregar manualmente etc.). Dessa forma, a experiência do usuário é aprimorada sem sacrificar a segurança ou as informações que o cliente e o comerciante precisam. Esse tipo de inovação emprega diversas tecnologias: reconhecimento de imagens, algoritmos de aprendizagem profunda e processamento de dados, entre outras.

O que se procura é automatizar esses passos e comprar sem ter que parar. Como pôs em marcha a Amazon, em sua loja Amazon Go, em Seattle, nos EUA. Para ver a magia da tecnologia, no entanto, você não precisa ir tão longe. Na Espanha, o BBVA está desenvolvendo métodos de pagamento baseados em inovações biométricas para tornar “invisível” o momento do pagamento. A empresa começou a usar essa ferramenta em cafeterias e restaurantes de Ciudad BBVA, espaço com 14 mil metros quadrados, que conta também com restaurantes e cafeterias, onde trabalham os 6 mil colaboradores da instituição (N.T.). O sistema usa algoritmos de \’aprendizado de máquina\’ para identificar os rostos dos usuários e a comida que foi escolhida, para então cobrar corretamente no cartão do cliente.

Este novo projeto está sendo feito com a tecnologia da Veridas, startup de biometria que o BBVA criou em 2017 junto com a Das-Nano. A empresa é especializada no desenvolvimento de software para verificação e autenticação digital de identidade pessoal, por meio de reconhecimento facial, de voz ou imagem ou documento ou com a leitura de impressões digitais. Porém, mais recentemente, a instituição financeira, por meio de seu fundo de capital de risco Propel Venture Partners, investiu na Grabango, startup que lançou a primeira solução tecnológica disponível para grandes empresas que permite a implementação de um sistema de pagamento automático, em lojas físicas.

A plataforma da Grabango, com sede no Vale do Silício, emprega uma rede de computadores descentralizada (ou edge computing), que permite que milhões de transações sejam processadas simultaneamente. O sistema também utiliza técnicas de machine learning e de visão artificial, e é capaz de criar uma cesta de compras virtual para cada pessoa que visita a loja. O registro dos produtos, assim como o pagamento, é feito automaticamente.

Fonte: BBVA

Tradução e adaptação: Edilma Rodrigues

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