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Maior comunidade de São Paulo terá banco e moeda próprios

A comunidade de Paraisópolis, considerada a maior de São Paulo de acordo com o Censo de 2010, do IBGE, com cerca de 100 mil habitantes e 8 mil estabelecimentos comerciais, vai ter banco e moeda próprios. Um dos objetivos do empreendimento é oferecer microcrédito a juros baixos para moradores e comerciantes, como uma alternativa aos juros dos bancos tradicionais, que cobram taxas mais altas.

Batizado como Banco de Paraisópolis, a instituição será gerida pela associação de moradores e comerciantes locais, terá uma agência dentro da favela e vai oferecer conta corrente, cartão de débito e um aplicativo para celular. A moeda, chamada Nova Paraisópolis, será impressa e vai circular pelo bairro. Nossa ideia é que as pessoas tenham uma conta, possam fazer saques e pequenos empréstimos, diz Gilson Pereira, presidente da União de Moradores e Comerciantes de Paraisópolis.

Os juros e as taxas de funcionamento serão usados para financiar os 32 projetos sociais que a associação de moradores toca na área, como uma orquestra de jovens, um grupo de balé e um bistrô em uma laje da favela. “Nosso objetivo não é ganhar dinheiro, não é gerar lucro, mas investir no desenvolvimento da comunidade, no comércio e no consumo local, gerando empregos”, observa Pereira.

Para financiar a iniciativa, a associação de moradores vai realizar um jantar com empresários e personalidades. O dinheiro arrecadado vai para um fundo que irá financiar as ações do banco. Assim quando um morador pedir empréstimo o dinheiro vai sair desse fundo e quando pagar a dívida, o dinheiro retorna para financiar outras ações.

O censo do IBGE, de 2010, apontou que 11,4 milhões de brasileiros vivem em favelas. Os bancos comunitários existem desde 1998, com a criação do primeiro, o Banco Palmas, na favela de Palmeiras em Fortaleza. Hoje estima-se que existam 103 dessas instituições operando no País, de acordo com a Rede Brasileira de Banco Comunitários. Segundo a entidade, entre 2016 e o final do ano passado, elas movimentaram cerca de R$ 40 milhões.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) empresta dinheiro para a criação de fundos, onde fica o dinheiro que financia bancos comunitários.   “Hoje, grande parte dos moradores de áreas rurais, ou de pequenas cidades, não tem acesso a serviços como pagamento de boletos e microcrédito” observa Leonardo Leal, da Incubadora Tecnológica de Economia Solidária da Universidade Federal de Alagoas – Ufal, que participou da criação do Olhos D´água, banco comunitário da cidade de Igaci, com 25 mil habitantes, no estado de Alagoas.

Esse modelo de microcrédito rendeu o Prêmio Nobel de Economia ao banqueiro Muhammad Yunus, em 2006. Nascido e, Bangladesh, na Índia, o economista criou um banco que emprestava pequenos valores para milhões de pessoas pobres em seu país.

*Com informações da BBC Brasil

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