Apesar da alta no crédito imobiliário, inadimplência no agronegócio e no setor empresarial impacta rentabilidade do banco público
A Caixa Econômica Federal registrou um lucro líquido de R$ 3,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026 (1T26), o que representa uma queda de 34,4% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O resultado, divulgado nesta quinta-feira (14), revela um cenário de contraste: enquanto a instituição conseguiu expandir sua carteira de crédito e as receitas de serviços, a rentabilidade foi severamente comprometida pelo aumento da inadimplência. Para fazer frente aos calotes, o banco precisou elevar drasticamente suas provisões, expondo os desafios de crescer em um ambiente macroeconômico de juros persistentes.
Salto nas provisões e custo do risco
O principal fator que pesou sobre o balanço da estatal foi a despesa com Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa (PCLD). As provisões para perdas saltaram 211,5% em doze meses, atingindo o montante de R$ 6,5 bilhões no trimestre. Esse movimento de reserva financeira é obrigatório para cobrir eventuais calotes e retira diretamente recursos do lucro líquido. Como consequência, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) recorrente da Caixa caiu para 9,31%, ficando abaixo dos 12% registrados no primeiro trimestre de 2025.
Deterioração no agronegócio e setor empresarial
A inadimplência total da carteira da Caixa atingiu 3,71%, um avanço de 1,22 ponto percentual em um ano. Entretanto, o dado que mais chamou a atenção dos analistas foi a deterioração no segmento do agronegócio, onde a inadimplência disparou para 18,29%, quase quatro vezes superior ao índice de um ano atrás.
O segmento de pessoas jurídicas (PJ) também apresentou sinais de alerta, com a inadimplência no crédito livre chegando a 13,2%. No segmento de pessoas físicas (PF), o índice avançou para 6,12%. Até mesmo o crédito imobiliário, historicamente o setor mais seguro do banco devido às garantias reais, registrou uma leve alta, fechando o período em 1,60%.
Expansão operacional e liderança imobiliária
Apesar dos indicadores de risco, a Caixa demonstrou força operacional ao ampliar sua presença no mercado. O banco manteve a expansão do financiamento habitacional e cresceu em ativos administrados, ganhando participação de mercado em áreas estratégicas. Esse crescimento operacional, contudo, agora caminha lado a lado com a necessidade de uma gestão de risco mais rigorosa.
A diretoria da instituição indicou que o aumento da inadimplência é um reflexo do cenário de crédito atual, mas reforçou que a Caixa continua sólida, focada em manter o apoio aos programas sociais e habitacionais do governo federal enquanto calibra suas estratégias para mitigar o custo do risco nos próximos trimestres.