walkiria marchetti

Liderança feminina no setor financeiro: as inspirações de Walkiria Marchetti

Executiva recém aposentada foi a primeira mulher a ocupar o cargo no Bradesco e recebeu reconhecimento especial no 19º Prêmio Banking Transformation
por Ana Carolina Lahr
A ascensão das mulheres em cargos de liderança no cenário corporativo, especialmente no setor financeiro, tem ganhado reconhecimento e destaque. Walkiria Marchetti, homenageada no 19º Prêmio Banking Transformation, ilustra essa trajetória de sucesso.
Recém aposentada, ao longo de seus 42 anos de carreira no setor financeiro, Marchetti destacou-se não apenas pela sua visão visionária, mas também pelo seu comprometimento com as transformações tecnológicas. 
Desde os anos 80, quando ingressou na área de programação logo após se formar em matemática, ela esteve atenta às inovações que moldaram o setor. “Em 8 de maio de 1981 fui admitida como auxiliar de programação. Desenvolvi toda a minha carreira dentro dessa organização, passando aí pelos diversos níveis de atuação. O setor financeiro brasileiro sempre foi campeão no uso de tecnologias e se mostrou apto às evoluções e foi essa energia e adrenalina que me moveu durante as minhas quatro décadas de trajetória profissional”, recordou, em entrevista ao canal do Youtube da Cantarino Brasileiro.
Na década de 90, se tornou a primeira mulher a ocupar uma posição executiva no Bradesco. Sua jornada, marcada por desafios e resiliência, reflete não apenas sua expertise, mas também a quebra de barreiras de gênero em um ambiente tradicionalmente dominado por homens. “A minha ascensão na carreira foi muito movida pelos desafios que me foram dados. E, o que me deu um frio na barriga, foi me dar conta que estava me colocando em uma posição de grande responsabilidade. E pra isso, respirei fundo e sempre contei com o time. O trabalho em equipe é fundamental. Ninguém avança sozinho”.

Tecnologia

Marchetti compartilhou suas experiências e insights sobre liderança e atualizações no setor, abordando a evolução do setor financeiro, desde os desafios do “bug do milênio” até a revolução digital com a chegada da internet, mobile, apps e inteligência artificial nos anos 2000 e destacou os bancos digitais como oportunidades para reinventar modelos de negócio, destacando a importância da inovação constante.
Ela destacou também a importância de fortalecer equipes por meio de investimentos em treinamento e capacitação e ressaltou a evolução constante da área de tecnologia ao longo das décadas. “Eu diria que nestas quatro décadas não teve tempo ruim. Sempre teve muito movimento, muito aprendizado e muita evolução”.
De olho na relevância da transformação digital no setor, Marchetti ressaltou o papel do líder na atualização e motivação da equipe. “Não tem muito segredo. Tem dois caminhos. Primeiro, a gente tem que fortalecer as equipes e para isso, a empresa tem que ter um investimento forte em treinamento e capacitação, como parte de um plano de desenvolvimento. Evidentemente que hoje a área de tecnologia é muito mais ampla do que no meu início de carreira. São muitas capacidades e competências envolvidas que se complementam – o time de dados, o time de uso de algoritmos e use experience, o front-end, o back-end, o pessoal de banco de dados –, e o olhar holístico sobre todas elas permite à empresa um plano estruturado de capacitação e atualização desses profissionais”, reforçou.
O segundo movimento, para ela, deve partir do próprio profissional. “Todo profissional tem que buscar o seu autodesenvolvimento. E aí há muitas formas de se fazer isso. Um ponto forte que foi fundamental no meu desenvolvimento pessoal, foram as trocas com os meus colegas de equipe, em todos os níveis. A troca no dia a dia e a convivência traz muito aprendizado, especialmente hoje, que a maioria das equipes é multidisciplinar.”

Liderança feminina

Ao abordar os desafios enfrentados pelas mulheres ao longo de suas carreiras, a líder rejeitou o mito de falta de ambição nas mulheres e destacou a importância de uma rede de apoio. “Assumi a primeira posição executiva em 1998, poucos meses depois que voltei da licença maternidade do meu segundo filho. Para mim, isso tem um simbolismo muito grande, porque a empresa olhou para o que eu podia oferecer para o futuro e para mim foi muito gratificante”.
Assumindo que o fato de ter sido a primeira mulher a assumir uma posição do supremo executivo foi muito natural graças à sua formação no âmbito familiar, que nunca fez distinção entre homem e mulher, enfatizou a necessidade de reduzir os “ruídos” sociais que limitam as mulheres no ambiente de trabalho, incentivando a equidade tanto nas famílias quanto nas empresas. “Precisamos falar mais de equidade, ou seja, dar condições para que, mesmo em situações diferentes, todos consigam alcançar o mesmo lugar”, reforçou.
Cida Vaconcelos; Walkiria Marchetti; Marcos Cantarino.

“Eu sempre digo que para mim não há nenhum mérito de eu ter sido a primeira executiva de tecnologia dentro da empresa, mas eu tenho muito orgulho de dizer que eu não fui a única. Hoje temos várias mulheres no nível de diretorias estatutárias na instituição. Poder olhar essa história e ver que há espaço para todas e que não há limitações é gratificante”.

Assim, encerrou o assunto reforçando a necessidade de um olhar mais estruturado e intencional das empresas em relação à igualdade de gênero. “A gente observa que nos níveis de entrada nas empresas, o percentual entre os gêneros é muito similar, mas ao longo do crescimento da carreira, principalmente no nível gerencial, a gente vê uma queda muito abrupta da participação feminina. É preciso entender esses motivos, mas não tem uma fórmula mágica que vá servir para todas as empresas. Cada uma tem que trabalhar e estudar suas próprias necessidades”.

Motivação

Ainda sobre liderança e motivação, Marchetti destacou o papel da Cantarino Brasileiro na motivação dos novos projetos em tecnologia ao longo de sua história no Bradesco. “São 20 anos de parceria nesse trabalho. Quando a Cantarino Brasileiro surgiu, a gente sentia falta de conteúdos produzidos especificamente para TI no setor financeiro e ela veio com esse foco. O Bradesco sempre teve uma participação ativa no Prêmio Banking Transformation – antes Relatório Bancário. Quando a gente lança o comunicado de abertura das inscrições, todas as equipes querem participar. Essa motivação acontece porque cada participante tem a oportunidade e orgulho em dizer que fez parte do projeto e levou tal valor para o nosso cliente. Por isso, vibramos na espera pelos resultados. É um grande Incentivo, não só para para o desenvolvimento de novos projetos, mas principalmente para compartilhar essas experiências para que todo o setor possa avançar em conjunto”. 
Assista a entrevista na íntegra
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