“Não há justificativa para falhas como a não atualização de patches, que preveniam do WannaCry, ou ataques a bancos de dados”, afirma Cláudio Neiva, vice-presidente de pesquisas do Gartner. “Se o legado é imprescindível por alguma razão de negócio, há outras tecnologias para isolar os dados, dentro de um programa de gestão de vulnerabilidades. Diversas camadas de proteção têm que ser combinadas conforme os critérios da organização”, explica. Ele enfatiza que medidas como controle de acesso, criptografia, IPS, ou simplesmente o isolamento ou deslocamento de dados críticos em sistemas vulneráveis, contam com ferramentas de implementação na escala de cada negócio.
O analista e chairman da Conferência Gartner Segurança & Gestão de Risco destaca que, ao mesmo tempo em que o segmento de segurança é o de maior diversidade de fornecedores na área de infraestrutura, os modelos comerciais se modificam. “Antes se vendiam muitas soluções em hardware e licenças de software. O mercado de ‘caixas’ continua importante, mas agora vemos que predominam os modelos de assinatura de serviços”, observa.
Embora os firewalls e outros appliances continuem a ter crescimento de mercado e expansão de funcionalidades, conforme a escala dos negócios digitais de cada organização, os modelos orientados a serviços endereçam um novo cenário, em que se supera o conceito de “perímetro”. Segundo projeção do Gartner, até 2020, 25% os firewalls estarão integrados a serviços de Casb (cloud access security broker). Outra tendência é a integração do firewall com as soluções de detecção avançada de malware.
Neiva enfatiza a importância de um bom mapeamento de riscos e premissas de segurança como base de qualquer decisão tecnológica. “O mercado brasileiro é muito orientado a marcas. Temos trabalhado em um entendimento profundo dos requisitos, para a partir disso buscar as soluções no mercado. Assim fica mais fácil tangibilizar o valor”, recomenda.
Em relação à disponibilidade de profissionais qualificados, Neiva revela que, conforme pesquisa da IDC, no Brasil 93% das empresas relatam dificuldade de achar líderes de iniciativas digitais. Segundo o analista é uma característica diferente da maioria dos países, onde faltam analistas técnicos. “O Brasil é historicamente um chão-de-fábrica. Temos uma tendência ao tático”, avalia.