Keynote speaker do Fórum Bancos & Banking projeta o futuro bancário

Guga Stocco, criador do primeiro banco digital do mundo, analisa como a inteligência artificial e a tokenização vão transformar o setor

O setor financeiro brasileiro, reconhecido globalmente pela agilidade de suas fintechs e pelo sucesso do Pix, está prestes a atravessar uma nova fronteira tecnológica.

O Keynote speaker do Fórum Bancos & Banking, Guga Stocco – conselheiro, palestrante e um dos maiores nomes da inovação no país e peça-chave na fundação do Banco Original, primeiro banco digital do mundo – defende que a próxima disrupção não virá apenas de novos aplicativos, mas de uma integração profunda entre a Inteligência Artificial (IA) e a economia tokenizada.

Para o especialista, o conceito de banco está deixando de ser uma instituição local e transacional para se tornar uma plataforma inteligente e invisível, capaz de operar de forma autônoma e global para atender às necessidades hiperpersonalizadas de cada cliente. Confira a entrevista exclusiva a seguir.

1. Guga, você participou da criação do primeiro banco digital do mundo (Banco Original). Olhando para o cenário atual do Brasil, que é referência em fintechs e sistemas como o Pix, qual você acredita ser o próximo grande salto disruptivo que os bancos tradicionais ainda não abraçaram totalmente?

Guga Stocco: Os bancos estão deixando de ser instituições locais e transacionais para se tornarem plataformas financeiras globais, inteligentes e hiperpersonalizadas. Com a evolução das contas globais, das stablecoins e do dólar digital, os clientes passarão a acessar ativos do mundo inteiro de forma instantânea, fracionada e integrada à sua rotina financeira.

A inteligência artificial será o grande motor dessa transformação. Ao interpretar dados, comportamento, objetivos e contexto de cada usuário, os bancos poderão oferecer uma experiência profundamente personalizada — quase como um private banker digital disponível 24 horas por dia. A relação deixará de ser baseada em menus, produtos e formulários, e passará a acontecer por meio de conversas ricas, recomendações inteligentes e decisões financeiras cada vez mais assistidas por IA.

2. No Fórum Bancos & Banking, o público estará ansioso por estratégias de transformação. Como as instituições financeiras podem equilibrar a necessidade de segurança e regulação rígida com a agilidade necessária para implementar novas tecnologias?

GS: A segurança e a regulação existem para proteger os clientes e preservar a confiança no sistema financeiro. Mas esse papel será profundamente desafiado nos próximos anos, porque a tecnologia financeira está deixando de ser local, estática e baseada em produtos isolados para se tornar global, inteligente e integrada ao cotidiano das pessoas.

Com o avanço do dólar digital, das contas globais, dos ativos tokenizados e da inteligência artificial aplicada à tomada de decisão, a relação do cliente com suas finanças será muito mais contínua. O banco deixará de ser apenas o lugar onde o cliente consulta saldo, paga contas ou investe, e passará a ser uma camada inteligente presente no dia a dia: recomendando decisões, automatizando pagamentos, otimizando investimentos e conectando o usuário a oportunidades financeiras no mundo inteiro.

O grande desafio regulatório será garantir segurança, transparência e responsabilidade em um produto que nasce cada vez mais global. A lógica será parecida com a das grandes plataformas de tecnologia: existe uma infraestrutura global, capaz de servir milhões de usuários em diferentes países, mas com adaptações locais para cumprir regras, impostos, moedas, costumes e exigências regulatórias de cada mercado.

Os bancos caminham para esse mesmo modelo. Não será mais suficiente competir apenas dentro das fronteiras nacionais, porque a tecnologia já permite que clientes acessem dólar digital, ativos internacionais, carteiras tokenizadas e serviços financeiros globais em poucos cliques. Ao mesmo tempo, cada país continuará exigindo proteção ao consumidor, prevenção à lavagem de dinheiro, suitability, privacidade de dados, rastreabilidade e mecanismos claros de responsabilidade.

Além disso, novas tecnologias como modelos de IA treinados com dados financeiros, interfaces conversacionais, geração dinâmica de telas e hiperpersonalização vão exigir uma revisão profunda dos processos de compliance, segurança e supervisão. A regulação precisará evoluir de um modelo baseado apenas em produtos e instituições para um modelo capaz de supervisionar algoritmos, fluxos de dados, decisões automatizadas e experiências financeiras personalizadas em tempo real.

No fim, o desafio não será escolher entre inovação e regulação. Será criar uma nova arquitetura de confiança, em que bancos, fintechs, big techs, reguladores e clientes possam operar em um sistema financeiro mais global, mais inteligente e mais seguro.

Guga Stocco, conselheiro, empresário e Keynote speaker do Fórum Bancos & Banking.

3. Você lançou recentemente o primeiro “IPO Humano” do Brasil usando tokens. Como a tokenização de ativos e a Web3 podem mudar a relação de custódia e investimento que os clientes têm com os bancos nos próximos cinco anos?

GS: O lançamento do IPO Humano mostrou que já é possível explorar a tokenização de ativos RWA no Brasil dentro de um ambiente regulatório que permite inovação com segurança. A existência de estruturas como sandboxes regulatórios demonstra que o sistema financeiro brasileiro tem espaço para testar novos modelos, desde que haja transparência, governança e proteção ao investidor.

O poder da tokenização não pode ser ignorado. Trata-se de uma das maiores tendências da próxima década, com potencial de transformar a forma como ativos são emitidos, distribuídos, custodiados e negociados. Estimativas de mercado apontam para um crescimento trilionário dos ativos tokenizados até 2030, e plataformas globais como a RWA.xyz já mostram a diversidade desse novo ecossistema: stablecoins, títulos da dívida americana, crédito privado, ações, fundos, imóveis, private equity e outros instrumentos financeiros sendo convertidos em ativos digitais programáveis.

Essa tendência muda profundamente o papel dos bancos. Eles deixam de ser apenas intermediários financeiros tradicionais e passam a atuar como infraestruturas de acesso, custódia, compliance, distribuição e liquidez para ativos digitais do mundo real. Em vez de competir apenas pela conta corrente ou pelo crédito, os bancos poderão criar novas fontes de receita oferecendo custódia qualificada, emissão de tokens, distribuição de RWAs, estruturação de produtos tokenizados, gestão de carteiras digitais e serviços de governança regulatória.

A tokenização também amplia o mercado endereçável dos bancos. Ativos antes restritos a investidores institucionais ou de alta renda podem se tornar mais acessíveis, fracionados e líquidos. Isso cria uma nova fronteira de produtos financeiros, na qual o cliente poderá montar uma carteira global com stablecoins, renda fixa internacional, fundos tokenizados, ativos alternativos e participações privadas — tudo dentro de uma experiência digital, segura e regulada.

No fundo, os bancos que entenderem essa transformação deixarão de vender apenas produtos financeiros e passarão a operar como plataformas de ativos globais tokenizados. A grande oportunidade não está apenas em acompanhar a tendência, mas em ocupar a camada de confiança entre o investidor, os ativos do mundo real e a nova infraestrutura financeira baseada em blockchain.

4. Diante da crescente desintermediação financeira, onde o “banco” passa a estar embutido em experiências de varejo e serviços (Embedded Finance), qual o papel que sobra para a marca bancária institucional?

GS: Embedded Finance estará cada vez mais presente em soluções de varejo, serviços e plataformas digitais. A grande mudança é que, com o avanço da inteligência artificial, esses serviços deixarão de depender apenas da interação humana direta e passarão a funcionar também em negociações entre agentes — sistemas autônomos tomando decisões, executando pagamentos, comparando ofertas, contratando serviços e movimentando capital dentro de parâmetros previamente definidos.

Esse movimento aponta para uma nova etapa do sistema financeiro: uma infraestrutura invisível, inteligente e distribuída. O cliente não necessariamente “entra no banco”; o banco passa a estar embutido na experiência, no aplicativo, no marketplace, no software de gestão, na carteira digital ou no agente de IA que representa seus interesses.

Um exemplo dessa nova lógica é o Swordfish.money, uma ferramenta que permite ao usuário acessar ativos globais enquanto a inteligência artificial monitora e rebalancea a carteira em tempo real, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Em vez de o cliente precisar acompanhar manualmente o mercado, a plataforma busca manter a carteira alinhada à estratégia definida, ajustando posições conforme sinais, liquidez, risco e objetivos do investidor.

Nesse contexto, a marca bancária institucional passa a ter ainda mais valor. Quanto mais complexa, automatizada e global se torna a experiência financeira, maior é a necessidade de confiança. O banco deixa de ser apenas o provedor de conta, crédito ou cartão, e passa a ser a instituição que oferece segurança, suporte, governança, custódia, compliance e responsabilidade perante o cliente.

A combinação entre embedded finance, inteligência artificial, ativos tokenizados, contas globais e orquestração automatizada de investimentos indica o surgimento de um novo modelo de banco. Um banco capaz de operar como plataforma, infraestrutura e camada de confiança ao mesmo tempo.

O banco do futuro precisará abraçar essas novas tecnologias e processos não apenas para inovar, mas para continuar relevante. Ele será menos uma agência ou um aplicativo fechado, e mais um sistema operacional financeiro: conectado ao cotidiano do cliente, integrado a múltiplas plataformas, capaz de conversar com agentes de IA e preparado para dar acesso seguro a um mercado financeiro verdadeiramente global.

5. Para a palestra de abertura do Fórum, qual a principal mensagem ou “provocação” que você quer deixar para os executivos do setor bancário brasileiro?

GS: Na palestra de abertura, vamos apresentar um novo mundo financeiro: mais global, automatizado, inteligente e conectado. A proposta é mostrar como os avanços da inteligência artificial, combinados com a evolução dos ativos digitais, estão redesenhando a forma como pessoas, empresas e instituições acessam, movimentam, protegem e investem capital.

Vamos trazer exemplos concretos de agentes autônomos criando, testando e demonstrando estratégias de investimento; plataformas capazes de acessar ativos globais; carteiras que se ajustam em tempo real; e novas experiências financeiras construídas com IA como camada fundamental. A palestra mostrará que essa transformação não é mais uma previsão distante: o futuro já está acontecendo.

Também vamos discutir a mudança no cenário global dos ativos digitais, incluindo tokenização, stablecoins, ativos RWA, novas infraestruturas de custódia, liquidez e distribuição. Essas tecnologias estão criando uma nova arquitetura financeira, na qual ativos podem ser fracionados, programados, negociados e integrados a experiências digitais de forma muito mais eficiente.

Um dos conceitos centrais será o dinheiro generativo: a convergência entre blockchain e inteligência artificial para criar estruturas financeiras capazes de operar de maneira mais dinâmica, automatizada e inteligente. Nesse novo paradigma, o dinheiro deixa de ser apenas um instrumento passivo de troca ou reserva de valor, e passa a se tornar uma camada programável, capaz de buscar rendimento, executar regras, respeitar estratégias e interagir com agentes autônomos.

Quem assistir à palestra sairá com uma visão clara de que o mercado financeiro está entrando em uma nova fase. Bancos, fintechs, investidores e plataformas digitais precisarão repensar seus modelos de negócio, suas experiências de uso e suas arquiteturas tecnológicas. A combinação entre IA, blockchain, ativos digitais e automação não é apenas uma inovação incremental — é a base de um novo sistema financeiro.

Esta foi apenas uma pequena prévia do que vai ser discutido no Fórum Bancos & Banking. Se você gostou, aproveite e garanta já o seu ingresso AQUI para o evento, que será realizado no dia 18 de maio, no WTC Centro de Eventos.

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