Ao participar do 10º Seminário Internacional da Acrefi ontem, 11/11, em São Paulo, o ex-presidente do Superior Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, disse que um dos principais problemas do Brasil é o “Patrimonialismo”, que é a confusão entre o público e o privado. Segundo ele, mesmo tendo assinado um documento internacional de iniciativa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) no qual se comprometia a evitar corrupção entre empresas e o governo, na prática o Brasil ainda patina, titubeia e emite sinais contrários a este objetivo.
Barbosa pediu à plateia que se preparasse para um grande constrangimento que deve acontecer quando tiverem início os trabalhos de julgamento pela justiça norte-americana dos envolvidos nos esquemas de corrupção na Petrobras e da Fifa. Segundo ele os brasileiros vão passar por uma verdadeira humilhação.
“A ética do cidadão, a ética nos negócios e a ética no poder público não podem estar separadas. O que faz a ligação entre elas é a transparência. O Brasil precisa de um capitalismo social verdadeiro com regras que garantam a competição justa entre as empresas e proteção aos consumidores,” disse ressaltando que a tolerância à corrupção pode causar danos aos investidores. “A falta de ética pode ser deletéria na formação de preços, encarecendo-os, desde o mais simples aos supérfluos, acrescentou.
Ele lembrou que países como a França e os EUA passaram por processos traumáticos e longos para encontrar modelos institucionais de uma sociedade com direitos iguais para todos. Segundo ele, o Brasil também já avançou se comparado há um passado recente. “As normas básicas do Estado de Direito já são respeitadas. O calendário eleitoral é respeitado, existe alternância de poder e o aparato de justiça funciona. Mas ainda há muito a evoluir”, concluiu.