Crédito: Agência Brasil - © REUTERS/Amanda Perobelli

Instituições financeiras se mobilizam em prol dos afetados por enchente no RS

Confira as ações tomadas até o momento e como contribuir com doações em dinheiro 
por Ana Carolina Lahr
As fortes chuvas que abateram o Rio Grande do Sul nos últimos dias provocaram a morte de mais de cem pessoas e deixaram mais de 200 mil desabrigados. Além disso, dezenas de pessoas seguem desaparecidas. Enquanto os esforços continuam voltados para preservar vidas e mitigar os impactos imediatos das enchentes, um levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) revela que as recentes chuvas já deixaram um rastro de prejuízos estimado em R$423,8 milhões para o principal polo de agricultura do país. Em seguida, vem a pecuária, com perdas de R$83 milhões, e a indústria, registrando prejuízos na ordem de R$57,3 milhões, conforme apontado pelo estudo. Os números devem ser superados dia a dia, visto que referem-se a apenas 25 municípios afetados, que conseguiram cadastrar informações no sistema do Ministério da Integração.

“O Rio Grande do Sul é um dos principais centros industriais do Brasil, principalmente nas áreas de metalurgia, implementos rodoviários, siderurgia e petroquímica. O estado também tem uma produção agrícola muito forte em itens como arroz, soja, uvas e outros cultivos. Além disso, Porto Alegre é uma das principais capitais do Brasil e importante centro fornecedor de serviços. Com o fenômeno climático de enchentes, deve ocorrer um comprometimento da produção da rede de suprimentos. Sobre o aspecto macroeconômico, existe um risco de inflação sobre os preços de arroz e carne, onde o estado é grande produtor. Além disso, existem algumas incertezas sobre um aspecto fiscal de finanças públicas com a possibilidade de uma elevação dos gastos governamentais, tanto estadual quanto federal, que provavelmente deve oferecer importantes recursos na reconstrução da infraestrutura do estado'', comenta Adriano Giacomini, professor da ESEG - Faculdade do Grupo Etapa e especialista em Economia em geral.

Para amenizar os impactos e contribuir para o restabelecimento das famílias e empresas afetadas, inúmeras medidas emergenciais foram tomadas. A Procuradoria Geral do Banco Central, por exemplo, decidiu suspender medidas executivas contra devedores da instituição residentes no Rio Grande do Sul por 90 dias. 
Também por conta da situação de calamidade pública, no início da semana foi publicada a prorrogação para o prazo de entrega da declaração do Imposto de Renda 2024 para moradores dos 336 municípios afetados pelas chuvas.
No que diz respeito aos serviços financeiros, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e seus bancos associados informaram que as agências estão em operação, salvo aquelas localizadas em locais de risco, que se encontram fechadas de forma preventiva e que “as Instituições Financeiras estão comprometidas em adotar medidas para garantir a continuidade dos serviços à sociedade, assim como a segurança e o bem-estar dos seus clientes e empregados”. 
Juntos, os associados da Febraban – Federação Brasileira de Bancos (Itaú, Bradesco, Santander, BTG Pactual, Banco do Brasil e Caixa) arrecadaram até quarta-feira, (8), R$ 20 milhões para auxílio no socorro à população do Rio Grande do Sul, segundo nota da federação.
Além disso, as instituição financeiras têm adotado medidas individuais para amenizar a situação, entre elas: a flexibilização de carência e prazo nas ofertas de crédito para famílias e empresas, com revisão de taxas; ampliação de linha de crédito; prorrogação dos contratos dos clientes impactados em 90 dias com revisão de taxa; suspensão da cobrança dos contratos em atraso curto; suspensão da negativação dos clientes com até 15 dias de atraso; suspensão de até 3 meses nos contratos de financiamento habitacional (desde que solicitado pelos mutuários); suporte no acionamento do seguro habitacional; priorização no atendimento dos clientes da região para seguros de pessoas, patrimônio, veículos; engajamento dos colaboradores com campanha de conscientização e solicitação de apoio e ajuda; disponibilização de contas para o recebimento de doações voluntárias, que serão revertidas em kits de higiene e limpeza, entre outros, conforme necessidade da população impactada; entre outras.

Bancos afetados

Diante da extensão do desastre humanitário provocado pela catástrofe climática, o site Seu Dinheiro noticiou uma avaliação do JP Morgan sobre a exposição do setor financeiro brasileiro à tragédia que, em avaliação preliminar, apontou o Banrisul (BRSR6) como o banco mais exposto, uma vez que 98% da sua carteira de crédito é formada por pessoas e empresas estabelecidas no Rio Grande do Sul.
Desse total, 22% dos devedores do banco estão em cidades declaradas em estado de emergência. Em segundo lugar, vem o Banco do Brasil (BBAS3) –o JP Morgan estima que 6% dos empréstimos bancários contratados junto ao banco são de clientes do Rio Grande do Sul, sendo 4% em cidades em estado de emergência. 
Já o IRB é a companhia mais exposta no setor de seguros. seguido pela Porto Seguro (PSSA3) e pela BB Seguridade (BBSE3), segundo o levantamento. Apesar da declaração, o JP Morgan afirmou que “ainda é cedo para estimar o impacto real devido aos esforços de negociação e outras medidas de alívio”.
Após os bancos anunciarem medidas de flexibilização para os clientes da região, diante da destruição de cidades e estruturas produtivas, além das mortes, o Bradesco BBI também divulgou uma análise. De acordo com notícia do investidor, o cálculo do BBI considerou o tamanho das exposições de risco de cada banco e sua exposição ao Rio Grande do Sul. “O Banrisul tem a maior exposição à região (uma exposição de 52,9% ao Sul do Brasil), seguido pelo ABC Brasil (ABCB4), com 18,9%, Banco do Brasil (BBAS3) com 12,2%, BTG Pactual (BPAC11), com 10,6%, Santander Brasil (SANB11), com 10% e pelo Itaú (ITUB4), com 7,2%”.
Segundo o Bradesco BBI, nos próximos 12 meses, o impacto sobre o lucro do Banrisul pode chegar a 16,1%. Os demais bancos teriam impacto menor: o lucro do ABC pode ser reduzido em 3,8%; o do BB, em 2,6%; o do Santander, em 1,9%; o do Itaú, em 1,4%; e o do BTG, em 0,4%.
A análise é limitada pelas informações dadas pelos bancos sobre quanto de sua carteira de crédito está em cada Estado e o cálculo utilizou ainda o retorno sobre os ativos (ROA, na sigla em inglês) médio dos últimos cinco anos, além do menor ROE no mesmo período, incluído no cálculo como um cenário pessimista.

Confira as iniciativas de algumas das instituições financeiras do país para ajudar os afetados e descubra como você também pode ajudar:

Itaú Unibanco
Já fez o aporte de R$5 milhões em iniciativa da companhia aérea Azul para custear voos humanitários para a região, com itens como doações e mantimentos; aporte inicial de R$ 5 milhões por meio da organização não-governamental União Brasil para destinar recursos com agilidade para a população. Em nota, anunciou que “novos aportes financeiros e medidas emergenciais poderão ser implementadas de acordo com a necessidade. Além disso, o banco já discute com parceiros e o poder público ações para a reconstrução das cidades impactadas pelas chuvas”.
A instituição financeira também informou que adotou uma série de medidas emergenciais para apoiar os clientes e as comunidades presentes nas regiões mais atingidas com base nas necessidades mais urgentes dos clientes do banco, sejam pessoas ou empresas, de colaboradores e no contato com governo estadual e com autoridades locais buscando garantir que os esforços sejam destinados de forma eficiente e com base nas prioridades das comunidades impactadas.
Binance
A Binance Charity anunciou a doação de até US$ 1 milhão em vouchers de token BNB para os usuários da Binance que morem nas áreas afetadas pela tragédia.
Sicredi
As cooperativas do Sicredi estão engajadas em uma campanha de doações para apoiar a população afetada e em zona de risco. As doações recebidas por meio do Pix da Fundação Sicredi serão destinadas à compra de recursos e mantimentos, que serão distribuídos à população dos municípios atingidos.
Para contribuir, os interessados podem enviar suas doações voluntárias para a chave pix ajuders@sicredi.com.br, conferindo o nome favorecido como Fundação Sicredi.
Bitso
Bitso promove campanha emergencial para arrecadar doações para o Rio Grande do Sul na qual cada real doado pelos seus clientes, a empresa doará o dobro às vítimas das enchentes, até o limite de R$50 mil.
Sicoob
O Instituto Sicoob, em parceria com o Coopera e as cooperativas do Sicoob Central SC/RS e Sicoob Central Unicoob, realizam até 31 de maio a Campanha de Doações Emergenciais SOS Rio Grande do Sul, com o objetivo de arrecadar doações em dinheiro destinadas à aquisição de alimentos e materiais, a fim de colaborar no atendimento à população afetada pelos fortes ventos e chuvas no estado gaúcho. Os participantes cadastrados no marketplace do Coopera podem realizar as doações com pontos, cartão de crédito, pontos + cartão de crédito e Pix por meio da plataforma. As doações também poderão ser realizadas por pessoas físicas e jurídicas, por meio da chave Pix 07147834000173, ou pelo banco 756, agência 0001 e conta corrente 80.000.689-5, do Instituto Sicoob.
Para a prestação de contas aos doadores, a área de Comunicação e Marketing do Sicoob publicará, até 12 de junho, uma notícia no site do Instituto Sicoob, bem como nos demais canais em que a campanha for veiculada, a fim de dar transparência à destinação dos recursos doados.
Banco do Brasil
O Banco do Brasil postergou pagamentos em algumas linhas e isentou tarifas de forma temporária para a população das áreas afetadas pelas enchentes das últimas semanas. Além disso, anunciou que estuda a possibilidade de criar linhas de crédito específicas para os clientes do Estado do Rio Grande do Sul, sejam eles pessoas físicas, jurídicas ou produtores rurais, , conforme noticiou o IstoÉ Dinheiro 
A instituição financeira também abriu um canal para doação de recursos financeiros em prol das vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. De acordo com o banco, R$ 5 milhões já foram obtidos por meio da campanha de mobilização e por repasses feitos por empresas de seu conglomerado.Os depósitos podem ser feitos por meio de pix (chave pix.enchentesrs@fbb.org.br) ou na conta-corrente 51.000-9, da agência 1607-1.
Banco Safra
Doou de forma emergencial R$ 1 milhão para as famílias gaúchas atingidas pela maior enchente do Estado. A doação será feita por meio de duas instituições: o Movimento União BR e a Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais.
Foxbit
A Foxbit lançou a campanha emergencial “Ajude o Rio Grande do Sul” para mobilizar recursos de forma rápida e eficiente para oferecer o máximo de apoio possível às vítimas deste trágico evento. Para cada real doado em bitcoin, ethereum ou theter, a Foxbit e os parceiros Bybit e OKX comprometem-se a dobrar a quantia, até um máximo estipulado, para garantir que sua generosidade tenha o dobro do impacto. A arrecadação vai até 15 de maio e, no encerramento da campanha, a Foxbit fará a prestação de contas, encaminhando todo o valor arrecadado para as ONGs locais que estão liderando os esforços de auxílio e reconstrução no estado. 
Mercado Pago/ Mercado Livre
O Mercado Livre anunciou a doação de R$ 1 milhão às vítimas das chuvas no RS em parceria com a ONG @acaodacidadania. A conta digital Mercado Pago, no menu de Doar, criou um botão especial para arrecadação de recursos para as vítimas das enchentes no RS. Os valores são revertidos ao SOS Chuva, que leva alimentos e itens de higiene.
PicPay
A conta digital PicPay criou uma chamada especial no aplicativo para as doações. O botão direciona para doações via pix para o Governo do Estado do Rio Grande do Sul (chave 92.958.800/0001-38).
Doações do exterior
Diante do grande número de doações que chegam do exterior para ajudar as vítimas das cheias no Rio Grande do Sul, a Receita Federal expediu orientações para o tratamento tributário e aduaneiro desses itens. Segundo matéria do Valor Econômico, as doações de pessoas físicas do exterior podem ser entregues às alfândegas e inspetorias na fronteira terrestre. Os agentes públicos cuidarão, junto aos demais órgãos, do encaminhamento destas mercadorias para o Brasil.
A Receita informou ainda que as doações estarão isentas de tributos e que os produtos vindos do exterior serão submetidos a controles da Receita e demais órgãos que atuam no comércio exterior. Terão, porém, tratamento expresso.

Atenção aos golpes!

Apesar das inúmeras iniciativas idôneas para arrecadar doações para os afetados pelas enchentes, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) alertou que criminosos estão aproveitando o movimento de solidariedade da população brasileira para aplicar golpes e orienta que, ao fazer uma transferência com um número de chave Pix, o doador confira com muita atenção todos os dados do pagamento e se o beneficiário é realmente quem irá receber o dinheiro. A mesma orientação é válida para doações feitas por TED e boletos.
Outra situação de golpe ocorre por meio de links falsos e da engenharia social, que usa técnicas para enganar o indivíduo para que ele forneça dados confidenciais, além de realizar transações financeiras para o golpista. “Muitos criminosos estão aproveitando o momento de comoção pública para criar chaves Pix e pedir dinheiro para sua própria conta. Quando for doar, confira o nome do beneficiário, empresa ou ONG e esteja certo se eles estão realmente fazendo campanhas de ajuda às vítimas. Também é muito importante que o cliente não clique em links recebidos por aplicativos de mensagens, de redes sociais e em links patrocinados em sites de busca”, alerta José Gomes, diretor do Comitê de Prevenção a Fraudes da Febraban.

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