INSIGHT 3: Inclusão: desafios e oportunidades dos bancos digitais

Definidas como empresas que faturam 4,8 milhões ao ano, as pequenas e médias empresas do Brasil empregam hoje 364 bilhões de pessoas no país – 20% da carteira PJ -,  de acordo com o Banco Central. Com tamanha representatividade na economia, elas foram inspiração para o artigo assinado por Marcelo Frontini, diretor executivo da Sofisa, no Informativo CB| O Futuro dos Bancos Digitais, que explorou as oportunidades que o movimento pode oferecer a elas. 

O ponto de vista ganhou espaço e teve sua discussão ampliada durante o painel “Inclusão: desafios e oportunidades dos bancos digitais”, realizado no primeiro episódio do webinar temático realizado em junho pela Cantarino Brasileiro. Mediado pela diretora de marketing e Inovação da empresa, Cida Vasconcelos, o painel contou ainda com a presença de Marcos Goulart, superintendente de desenvolvimento de negócios da Brink\’s e Fábio Lins, superintendente executivo de inovação, canais, Pix, I.A. e open finance do Banco Original. 

“A gente percebe que na pequena e média empresa que o empreendedor está querendo crescer, mas mistura, em alguns momentos, o seu próprio dia a dia como pessoa física”, observa Frontini, sugerindo que a inovação – não apenas na área financeira mas todos as outras, tem muito a oferecer a esse empresário. 

Fábio Lins salientou as mudanças que a transformação digital trouxe para o setor financeiro e como isso influenciou o processo de inclusão digital como um todo, incluindo das PMEs: “A combinação de tecnologia e flexibilização da regulamentação fez com que todas as transações financeiras passassem a acontecer de forma digital. Obviamente, isso vem acompanhado por um avanço importante de segurança e fraude. Sem isso, a gente não conseguiria viabilizar todo esse processo de expansão e de inclusão digital da sociedade como um todo”.

Olhando para os micro e pequenos empresários como clientes dos bancos digitais, Fábio lembrou que para eles também a experiência é tudo hoje em dia. “A facilidade com que essa empresa abre a conta em poucos cliques, a possibilidade de chave no mesmo canal, a sua conta pessoa física e a sua conta pessoa jurídica, tudo isso é muito importante. Além disso, o digital às vezes não resolve tudo e esses empresários precisam ter um apoio humano ajudando”, exemplificou.

Para ele, a função dos players nesse processo de inclusão é garantir que o ecossistema funcione. “As fintechs, os bancos tradicionais e os bancos digitais devem estar integrados para oferecer a melhor experiência do cliente”.

A contribuição humana junto à tecnologia é, para Marcos Goulart, um dos buracos ainda enfrentados por grande parte das instituições que adotaram a transformação digital. “A gente percebe como o principal desafio e o principal investimento que as instituições têm feito para se posicionar como a melhor opção. Nessa hora, a estratégia de canais físicos da maioria das instituições financeiras, sejam elas de grande ou médio porte, mudou completamente”.

Para suprir esse gap, a Brink´s tem oferecido para essas instituições a possibilidade de terceirizar essas atividades. “Existe um novo posicionamento, onde a gente começa a entrar agora como o suporte e a distribuição de serviços e produtos financeiros e não somente transporte de valores”, salientou.

Outro tema que entrou em debate foi a importância da tecnologia 5G no processo de transformação digital, e o quão o acesso facilitado à internet é fator decisivo no processo de inclusão das PMEs. “Para as pequenas e médias empresas, elas terão acesso a diversas plataformas que a gente sabe hoje que existem no mercado”, observou Frontini.

Crédito 

Quando veio à tona a pergunta sobre como os players podem ajudar a melhorar essa taxa de mortalidade das PMEs, a concessão de crédito foi apontada como crucial.  “Na minha opinião, o crédito é uma das maiores necessidades de qualquer empresa e, principalmente das MPEs. Principalmente até por conta da pandemia, se o mercado financeiro não oferecer crédito, dificilmente essa onda vai girar”, salientou o representante do Banco Original.

Mas, segundo ele, é preciso ir além dos modelos tradicionais de análise de crédito, já que olhar só o histórico já não é mais suficiente. “Com essa quantidade toda de dados que a gente tem, é preciso fazer um bom uso disso. Os dados têm que ser processados de uma forma rápida e on-line”, pontuou.

Um desafio adicional no mundo digital é a garantia. “Se não, a gente não vai conseguir baratear um dos grandes componentes da taxa de juros e, obviamente, a inadimplência”, concluiu. 

Nesse desafio, ele trouxe a blockchain como uma possível alternativa para melhorar a formalização das garantias, otimizando e simplificando o processo, deixando-o mais seguro. “Essa é uma provocação que a gente tem feito bastante com o Banco Central, por meio da Febraban, que pode ser realmente um caminho muito importante para que a gente consiga consiga conceder crédito mais barato e mais abrangente para todo o nosso parque de empresas e para a população como um todo”, finalizou. 

“É inegável o papel de sua relevância que acesso a serviços financeiros

especializados a crédito é a principal mola propulsora de você e de qualquer retomada econômica. Então, as instituições financeiras, agora, mais do que nunca, têm um papel de extrema importância na economia não só brasileira, mas na economia mundial”, acrescentou Goulart, estimulando o estudo de modelos de créditos internacionais para inspirar a transformação do modelo no Brasil.

Insights Ed. 24

EditorialAs oportunidades da inclusão financeira nos Bancos digitais
1Ontem, hoje e amanhã: a transformação do varejo bancário
2Perfil do cliente do banco digital
3Inclusão: desafios e oportunidades dos bancos digitais
4Inclusão passa pela educação financeira

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