Insight 1| Fintail: oferta de produtos e serviços financeiros pelo varejo

Traduzido como “os serviços financeiros oferecidos pelo varejista”, o termo “fintail” foi introduzido pela Cantarino Brasileiro quando a tendência ainda era uma realidade para poucos. Durante o webinar Bancos & Varejo realizado na semana passada, o conceito foi consolidado entre especialistas do setor em um painel que se propôs a discutir a evolução do formato de negócio e as perspectivas para o seu futuro, ilustrando a teoria com cases reais. 

Para isso, contou com a mediação do consultor financeiro e de varejo, Boanerges Freire, e os convidados Guilherme Cabrini, head de pagamentos online da 99; Fábio Murakami, diretor de produtos financeiros e open payment da Fintech MagaLu; e Raul Moreira, coordenador do Comitê de Inovação do Banco Original.

Corbini ficou incumbido de trazer para a discussão os fundamentos do conceito de fintail. 

Usando como exemplo o papel da inserção dos serviços financeiros na empresa de mobilidade, ele lembrou que a ampliação do serviço veio de uma necessidade interna de remover o dinheiro em espécie de circulação, até por uma questão de segurança. “O dinheiro sempre foi uma dor no nosso negócio e a gente começou com esse processo de remoção de dinheiro com a introdução da carteira digital, há dois anos”, contextualizou.

Antes da solução, a opção para pagamento era apenas o cartão de crédito. “Isso excluía boa parte da nossa base. Depois, começamos a aceitar dinheiro. Hoje, a maior parte das corridas ainda é paga em dinheiro, mas no cenário pré-pandemia isso representava quase 80% e a gente já conseguiu reduzir mais de 20%”. 

Outra facilidade que a oferta de serviços financeiros trouxe foi em relação à remuneração dos motoristas. “Antes, a gente demorava quase uma semana para poder pagar as corridas que ele fazia. Desde que agregamos serviços financeiros dentro da nossa estrutura, passamos a fazer esse pagamento online na hora da corrida. Ele recebe e já pode imediatamente gastar o saldo”, celebrou.

Segundo o executivo, como varejo, ao agregar o serviço financeiro ao core business a 99 conseguiu oferecer uma otimização do custo em relação aos pagamentos e recebimentos dentro do serviço principal, e também a otimização de tempo. O benefício final para o público – passageiro e motorista -, foi a ampliação para meios de pagamento alternativos e o acesso a uma forma mais segura de pagamento. “Entrar no varejo com serviços financeiros otimizou o nosso ecossistema como um todo, de forma muito gritante. No final, a gente consegue prestar um serviço melhor lá na ponta”, avaliou Corbini.

Inclusão 

O coordenador do Comitê de Inovação do Banco Original falou sobre a contribuição do fintail em relação aos vários aspectos de inclusão – financeira, de educação e digital. 

Ele ressaltou que a Lei dos Meios de Pagamento, que faz no próximo mês nove anos de existência, foi a grande precursora do novo modelo de oferta de serviços financeiros pelo varejo.

Raul recordou que o Brasil já viveu uma onda de ofertas de produtos financeiros por parte do varejo no passado, mas, naquela época, não estavam em evidência nem o fator inclusão, nem a tecnologia. Além disso, não existia uma regulação para criar um ambiente propício a esse processo competitivo. “De lá pra cá, o Brasil viveu uma dinâmica competitiva completamente nova e uma onda formada principalmente pela mudança da tecnologia e da regulação, além, é claro, de um novo tipo de consumidor, que passou a aceitar claramente essas novas soluções e ofertas, principalmente de contas digitais”, lembrou.

Para ele, trata-se de ondas sobrepostas e transformações que o sistema financeiro vem passando e que criam um novo ambiente para o Brasil. 

Antes de citar alguns indicadores importantes da inclusão financeira, o coordenador do Banco Original salientou a dívida do sistema financeiro e varejista com a sociedade no sentido de promover a inclusão financeira de forma estruturada e mais inteligente, envolvendo também a inclusão digital e educacional da população.

Em seguida, apontou a adesão do Pix – “que em agosto totalizou cerca de 115 milhões de pessoas, isso é praticamente a população economicamente ativa do Brasil” – como fator decisivo nesse processo.  

Serviços financeiros x core business

Considerando o sucesso da Magalu com a sua inserção no mercado de serviços financeiros, o mediador pediu que Murakami orientasse o varejista sobre o papel que deseja exercer em relação aos serviços financeiros e como integrar isso com o seu negócio principal. 

Ao lançar um olhar para o cenário vivido diariamente no varejo – custo de capital de um item parcelado, custo de recebimento do meio de pagamento, pagamentos negados, fraude, custo de captação, dentre outros – o executivo reforçou que não tem como ele escapar dos meios de pagamentos. “Isso está dentro do negócio de varejo”, reafirmou.

Nesse sentido, afirmou que deve-se trabalhar de uma forma criativa para estimular o uso dos meios de pagamentos mais convenientes, destacando as vantagens e simplificando o processo. “Isso tem muito retorno, traz uma adesão muito clara e rápida com relação a esses meios de pagamentos”, afirmou, exemplificando com uma ação recente da rede. 

O ponto de vista foi reafirmado pelo mediador, que resumiu a primeira rodada: Ou seja, o varejista que não olhar com atenção e com consciência e com foco para esse tema de serviços financeiros na sua atividade, tornar isso apenas um mal necessário, não só está atrasado e vai ser atropelado pela concorrência, mas o seu próprio cliente vai ficar mal atendido e ele vai acabar perdendo esse cliente, ou enfim, ou sendo melhor atendido em outro lugar”. 

Acompanhe essa discussão completa na playlist da Cantarino Brasileiro no YouTube.

CONTINUE LENDO INSIGHTS CB ED. 30

Editorial: Bancos, varejo, Pix etc. e tal

Insight 1 | Fintail: oferta de produtos e serviços financeiros pelo varejo

Insight 2 | Fintail, round 2!

Insight 3 | Mudanças e aceleração dos serviços financeiros no varejo

Insight 4 | Bancos digitais: muito além dos serviços financeiros

Insight 5 | Artigo: Satisfazer o consumidor é também exercitar a sua saúde financeira

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