por Elias Sfeir
A identidade tornou-se infraestrutura essencial da economia digital. Crédito, pagamentos e proteção do consumidor dependem de saber, com segurança, quem está do outro lado da tela.
A inteligência artificial mudou a escala do risco. Segundo relatório da Entrust, baseado em 1 bilhão de verificações em 195 países, 85% das fraudes de identidade envolvem IA generativa, e deepfakesrespondem por 1 em cada 5 ataques biométricos. Em documentos, as identidades nacionais concentram 46% das fraudes no mundo.
Brasil e mundo: mesma taxa, perfis diferentes
Segundo relatórios do setor, a suspeita de fraude digital caiu em 2025 e o Brasil empatou com a média global, em 3,8%. A queda, porém, não significa menos risco: no mundo, a tomada de contas cresceu 37% e o roubo de identidade, 83%, e 26% dos consumidores relataram perdas no último ano, índice que chega a 39% na Geração Z.
Tabela 1 – Indicadores de fraude digital (2025)
Indicador | Brasil | Mundo |
Taxa de suspeita de fraude digital | 3,8% | 3,8% |
Variação 2024–2025 | −36% | −21% |
Consumidores alvo de golpes | 41% | 53% |
Consumidores que caíram no golpe | 9% | 10% |
Perda média por vítima | R$ 10.699 | R$ 9.307 |
Suspeita na abertura de conta | 3,7% | 8,3% |
Suspeita no login | 2,6% | 4,3% |
Suspeita nas transações | 3,2% | 2,8% |
O brasileiro perde mais. Entre as vítimas, a perda média chegou a R$ 10.699, cerca de 6,6 salários-mínimos e 60% acima dos R$ 6.311 do levantamento anterior. O valor supera a média global de US$ 1.671 (R$ 9.307). O risco no país se desloca para o pagamento: a suspeita é bem menor que a global na abertura de conta e no login, mas maior nas transações, padrão típico de golpes em que a própria vítima é induzida a transferir recursos.
Tabela 2 – Principal causa de perda por fraude (% das vítimas; respostas múltiplas)
Tipo de fraude | Brasil | Mundo |
Golpe por telefone (vishing) | 32% | 23% |
Contas laranja (mulas de dinheiro) | 19% | 24% |
Invasão de conta (ATO) | 18% | 21% |
Roubo de identidade | 17% | 21% |
Golpe por SMS (smishing) | 17% | 18% |
Uso indevido de cartão | 16% | 19% |
Phishing (e-mail e mensagens) | 15% | 20% |
Outras formas de engenharia social | 15% | 20% |
A fraude brasileira passa pelo telefone. O vishing é a principal causa de perda para 32% das vítimas no Brasil, nove pontos acima da média global, enquanto no mundo a distribuição é mais equilibrada entre contas laranja, invasão de contas, roubo de identidade e phishing. Como 58% dos brasileiros disseram não ter percebido nenhuma tentativa, há sinal de subpercepção de golpes bem executados. Soma-se a isso a fraude de primeira pessoa (first-party fraud), em que o próprio titular usa seus dados para obter vantagem. Segundo a LexisNexis Risk Solutions, essa modalidade já representa 36% dos eventos de fraude detectados globalmente.
A resposta: identidade digital e dados compartilhados
No mundo, já são 5 bilhões de credenciais digitais em 160 países. No Brasil, a Carteira de Identidade Nacional (CIN), soma cerca de 65 milhões de emissões em setembro de 2026 e, estudo do setor de birôs de crédito confirma que reduz em até dez vezes o risco de fraude em relação ao RG. O compartilhamento de sinais de risco em consórcios eleva a detecção de fraudes de 25% para 67%, de acordo com a LexisNexis Risk Solutions.
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