Ricardo Santana, sócio-líder de Data & Analytics, Automação e IA da KPMG, Leandro Bissoli, Sócio e Managing Partner da Peck Advogados, e Henrique Arturin, Superintendente de Data & IA do Bradesco, estão acompanhados pelo mediador Marcelo Frontini, Growth Regional e Diretor do Brasil da Qorus, para discutir os desafios e oportunidades da Inteligência Artificial no setor financeiro, focando em como a tecnologia está sendo aplicada de forma responsável, os obstáculos éticos e regulatórios, e casos de uso reais.
- A indústria financeira, especialmente no Brasil, sempre foi pioneira na adoção de tecnologias. Desde o início do Internet Banking, passando pela compensação de cheques por imagem até a biometria facial, o setor financeiro tem se adaptado e incorporado novas tecnologias.
- O setor financeiro já está mais avançado na adoção de IA devido ao ambiente regulatório robusto que exige a gestão de riscos.
- A privacidade e a LGPD foram pontos de atenção, e agora a discussão se volta para a IA.
- No Brasil, 15% das empresas financeiras estão liderando a IA em escala, contra 24% globalmente, indicando espaço para crescimento.
- A automação inteligente (leitura de contratos, regulamentos) e a detecção de anomalias (fraudes) são áreas onde a IA tem gerado retorno significativo.
- Cerca de 40% das empresas estão tendo retorno sobre o investimento em IA, mas muitas ainda não conseguem mensurá-lo.
Barreiras para a adoção:
- Preocupação com o manuseio de dados e informações.
- Falta de profissionais especializados em IA, mesmo com a IA gerando códigos, a necessidade de capacitação é crescente.
- Principalmente para empresas que não são de grande porte, o custo de implementação e manutenção de IA é elevado.
Governança e regulamentação:
- É crucial estabelecer regras para o uso da IA; a ausência de regulação interna leva à desgovernança.
- O PL2338 (Projeto de Lei de IA) é um ponto de atenção para o setor, embora o setor financeiro já esteja habituado à gestão de riscos através de circulares e normativos.
- A proposta de uma nova autoridade reguladora para a IA (CIA) representa um desafio, dadas as complexidades e o arcabouço robusto do setor financeiro.
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Formação de pessoas:
- A dificuldade em encontrar o “unicórnio” (profissional completo em estatística, desenvolvimento e negócio) levou à criação de times híbridos.
- Programas de pesquisadores e parcerias com universidades foram fundamentais para capacitar talentos.
- Apesar da IA e IA generativa, a supervisão humana ainda é indispensável.
Pesquisa
- Há uma preocupação com a dependência de grandes modelos internacionais (GPT, Gemini), enquanto o Brasil tem poucos projetos nacionais de base.
- É necessário investir em pesquisa e desenvolvimento no Brasil, capacitando profissionais para adaptar e gerar valor com essas tecnologias, usando a língua portuguesa brasileira.
Case: Bradesco
A BIA, assistente virtual do Bradesco, ilustra de forma emblemática o avanço da inteligência artificial no setor financeiro. Surgiu em 2016 utilizando o IBM Watson, respondendo a demandas simples de clientes e funcionários. Com a evolução da tecnologia, o Bradesco inovou ao desenvolver uma plataforma própria de IA generativa, a BRIDGE (Bradesco Inteligência de Dados Generativa), capaz de processar dados internos e entregar respostas ainda mais personalizadas, seguras e contextualizadas. A BIA passou a compreender linguagens naturais, buscar informações em sistemas internos do banco e resolver desde dúvidas até transações mais complexas, reduzindo tempo de atendimento e ampliando a satisfação do usuário. O avanço permitiu um controle rigoroso de segurança e governança, já que toda a infraestrutura é hospedada no próprio banco, mitigando riscos e protegendo os dados sensíveis. Ao democratizar o acesso à IA generativa, a BIA fortalece a digitalização do relacionamento bancário e posiciona o Bradesco à frente no uso de IA no Brasil.
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