Fórum B&B – Fraude, segurança e riscos no mercado financeiro: um passo adiante com tecnologia e dados

Em um cenário onde as tentativas de fraude digital evoluem rapidamente com a tecnologia, o Brasil é alvo, tendo registrado R$ 71 bilhões em perdas com crimes digitais em um ano, com um golpe registrado a cada 16 segundos. Os especialistas debateram a debater fraude, a segurança e os riscos no mercado financeiro, com foco no uso ético e seguro da inteligência artificial; a importância da governança de dados, os desafios e oportunidades do Open Finance e a necessidade de uma mudança cultural e requalificação da força de trabalho para lidar com as novas tendências de segurança cibernética e resiliência.

Mediação: Andrea Thomé, Head do Conselho do Brasil do WOMCY. Painelistas: Paulo Conduta, CISO da Oribank e coordenador da Comissão de Cibersegurança da ABBC; Murilo Bruno, CRO da Volkswagen Financial Service; e Eva Pereira, líder de Cultura e Resiliência em Segurança e Informação da Magazine Luiza.

IA como Aliada

  • Tecnologia já é uma realidade antiga em cibersegurança (via machine learning) para detectar anomalias e ataques. Grandes bancos lideram o uso (80% segundo a Febraban), mas a adoção está crescendo e a IA Generativa chegou para ficar, transformando o cenário rapidamente.
  • Eficiência, prevenção de riscos e personalização de ofertas são os principais benefícios já percebidos. 
  • Os criminosos também usam IA avançada, colocando o setor em uma corrida para se manter no mesmo nível ou à frente.
  • O Banco Central (BACEN) está ativamente mapeando o uso de IA no mercado para criar novas regulações e elevar o nível de resiliência cibernética do sistema.

Riscos tecnológicos

  • Instituições tradicionais, com sistemas legados, enfrentam o desafio de modernizar suas plataformas para competir com fintechs que já nascem digitais e integradas. 
  • A complexidade e o volume de dados em tempo real exigem modelos de IA de alta qualidade. Falhas aqui podem levar à incapacidade de explicar eventos e não conseguir entender e explicar um ciberataque ou fraude é um problema sério. 
  • Falhas na governança de dados ou uma IA mal calibrada no atendimento ao cliente podem gerar danos significativos à imagem da instituição.
  • Open Finance = novos riscos. A descentralização e compartilhamento de dados aumenta os vetores de ataque. A regulamentação ainda precisa acompanhar.

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Educação é chave

  • Talentos escassos. O déficit de profissionais em IA e segurança digital é crítico. Precisamos formar e requalificar rapidamente;
  • É crucial educar os colaboradores sobre o uso correto e ético da IA, assim como se faz com segurança da informação. Entender que dados alimentar, para onde vão e analisar criticamente os resultados. 
  • Desmistificar o receio de que a IA vai substituir empregos, mostrando que ela automatiza tarefas repetitivas e volumosas, mas (ainda) não traz a humanização. 
  • Empresas planejam requalificar a força de trabalho, pois as habilidades exigidas estão mudando rapidamente. Os times de fraude estão evoluindo de áreas periciais para equipes híbridas, com visão completa da jornada do cliente e conhecimento em dados, modelos e IA. 

Resiliência cibernética

  • Fazer o “básico bem feito”, ter governança, conhecer o negócio e testar constantemente. Estar preparado para o “quando” o incidente ocorrer, não o “se”. 
  • Profissionais precisam de mais do que habilidades técnicas (hard skills); soft skills como a própria resiliência, capacidade de se relacionar e autoconhecimento são cruciais para navegar num mercado desafiador e evitar a superficialidade que o uso acrítico da IA pode gerar.

Compartilhamento de Informações

  • Iniciativas como a Resolução 6 do BACEN (base compartilhada de fraudes) e as marcações de fraude no DICT (diretório do PIX) são essenciais para agilizar a identificação de fraudadores e a mitigação de golpes. 
  • Segurança do PIX: Regulada por um manual de segurança aplicável a todas as instituições, buscando um nível mínimo que mitiga cerca de 90% dos riscos. Os 10% restantes exigem inteligência, identificação do usuário e análise comportamental, muitas vezes com IA. 
  • Brechas identificadas devem ser compartilhadas para que todo o mercado aprenda e melhore.

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