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Fintechs concedem R$ 1,2 bi em crédito, 79% de seus clientes são das classes C, D e E

Estudo da PwC em parceria com a Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD), obtido com exclusividade pelo Valor Econômico, aponta os empréstimos sem garantia como a principal modalidade de crédito oferecida pelas fintechs. Essas empresas do setor financeiro, explica o jornal, ainda representam uma parcela ínfima do mercado brasileiro de crédito. “Mas é comendo pelas beiradas que elas tentam conquistar seu espaço,” uma vez que esses empréstimos perderam a preferência dos grandes bancos com a crise econômica.

A pesquisa, que ouviu executivos de 43 fintechs e representa um mapeamento inédito do setor, mostra que as fintechs concederam R$ 1,2 bilhão em empréstimos no ano passado, “uma fração dos R$ 3,7 trilhões originados no mercado todo, entre recursos livres e direcionados,” compara a matéria do Valor. O ritmo, no entanto, é acelerado. A alta em relação a 2017 foi de 48,6%. O estudo, que deve ser anual, segundo o sócio da PwC Brasil, Luís Ruivo, mostra um crescimento rápido do setor.

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79% dos clientes dessas plataformas estão nas classes C, D e E

Os clientes que as fintechs mais atingem, segundo informou ao Valor o presidente da ABCD, Rafael Pereira, já têm conta em alguma instituição, mas consomem poucos produtos e não têm acesso a crédito. O estudo aponta que 79% dos usuários dessas plataformas estão nas classes C, D e E. No segmento de pessoa jurídica, 72% vão de microempreendedores a empresas de até 49 funcionários.

Setores de atuação

De acordo com o levantamento, os empréstimos sem garantias são oferecidos por 42% das fintechs de crédito que atendem pessoas físicas. O crédito direto ao consumidor, outra modalidade sem lastro, é o segundo produto mais comum, operado por 19% das empresas.

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No caso das fintechs voltadas a empresas, as linhas mais comuns são crédito geral sem garantias (35%), capital de giro (30%) e crédito geral com garantias (30%).

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Nos dois segmentos (pessoa física e jurídica), 32% dos participantes da pesquisa disseram aceitar bens para garantir as operações.

Tecnologia é o diferencial das fintechs

A oferta de crédito sem garantia é reflexo do maior diferencial competitivo das fintechs, a tecnologia. Com ferramentas de análise de dados e aprendizado de máquina, elas fazem a análise do risco de cada tomador — e não de grupos de tomadores, como era o modelo tradicional dos bancos (ainda usado, em muitos casos). “Com mais tecnologia, você consegue dar mais crédito sem garantia sem que isso represente um risco elevado”, afirmou ao Valor Econômico o presidente da ABCD e da Rebel, fintech de empréstimo pessoal. “Isso permite mais inclusão no mercado.”

A aposta é em taxas de juros menores 

O grande apelo das fintechs são as taxas de juros. Metade delas cobrava, no ano passado, até 4,8% ao mês para pessoas físicas, enquanto a taxa para pessoas jurídicas era de até 4,5% ao mês em 90% das plataformas. Os juros médios cobrados no sistema financeiro estavam em 6,8% ao mês em junho de 2019, segundo o Banco Central.

Apesar disso, reduzir o preço para o tomador não é o maior objetivo das fintechs. Para 86% delas, o problema a ser solucionado é melhorar o tempo de aprovação e tornar o processo menos burocrático. Melhorar a experiência do cliente foi apontado também por 86%. Uso de tecnologia e melhores condições de pagamento vêm em seguida, com 79% e 67%, respectivamente. “No mundo todo, o desafio das fintechs é melhorar a experiência do usuário. Aqui, além disso, tem a particularidade do preço [do crédito] alto”, disse Ruivo ao jornal.

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A tecnologia é um diferencial importante, mas vale lembrar que as fintechs conseguem oferecer juros mais baixos também porque têm estruturas enxutas e um peso regulatório bem menor que o dos bancos. Essas empresas não têm agências físicas e atuam em nichos de mercado, em vez de oferecer um leque completo de serviços.

Submeter-se à regulação é opcional e, até agora, a escolha da minoria. Apenas 9% das companhias têm licença para atuar como sociedade de crédito direto (SCD) e 2% para ser uma sociedade de empréstimos entre pessoas (SEP) – as duas modalidades regulatórias criadas pelo BC em 2018. A maioria atua no modelo de correspondente bancário, usando a estrutura de uma instituição financeira para viabilizar as operações.

Mas esse cenário pode mudar em breve, já que 42% disseram que pretendem solicitar, no prazo de um ano, autorização para atuar como SCD e 9% têm planos de se tornar SEP. Segundo Pereira, da ABCD, o modelo de “open banking” que o BC planeja adotar é um incentivo para isso. O compartilhamento de informações só será obrigatório entre instituições reguladas.

O crescimento das fintechs também se nota no perfil financeiro das companhias. Quase metade delas (46%) têm no capital próprio sua principal fonte de recursos. Outras 40% contam com capital próprio e dívida. No entanto, entre 2016 e 2018 aumentou de 20% para 60% a fatia das empresas que fizeram captações no mercado — usando instrumentos como fundos de direitos creditórios.

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Olhando para a frente, 74% das companhias disseram estar em busca de recursos. Dessas, 79% querem mais de R$ 10 milhões para financiar as operações de crédito. “O funding deve mudar com os juros mais baixos. Vai ter muito investimento em equity [cotas de capital], mas também em dívida”, assinala Pereira na reportagem. “As fintechs estão começando a mostrar uma trajetória de crescimento.”

Fonte: Valor Investe

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