Fim da desoneração fiscal no setor de software pode travar avanço da revolução digital no Brasil

O painel “Impacto da oneração fiscal nas iniciativas de inovação” realizado terça-feira (25) no congresso Fintech View, coordenado por Fabio Gonsalez, co-fundador do FintechLab, revelou a preocupação dos profissionais de tecnologia com relação aos efeitos que o fim da desoneração fiscal promovida pelo governo pode trazer para o futuro do setor.

Entre os dados citados, um dos que chamaram mais a atenção foi o de que durante a vigência da desoneração foram criados 130 mil empregos diretos com carteira assinada nos setores ligados à produção de inovação tecnológica.

“Nesse período a atividade conseguiu aumentar a arrecadação de impostos para o governo acima do que conseguiram muitos outros setores da economia e mesmo assim as autoridades decidiram retirar os benefícios”, disse o representante da Associação Brasileira das Empresas Software (ABES), Manoel Antonio dos Santos.

Segundo ele, a partir do momento em que a desoneração passou a não mais vigorar até o dia de hoje já foram eliminados cerca de 55 mil destes empregos e a expectativa é que a perda continue crescendo de forma acelerada nos próximos meses.

Ailtom Nascimento, da Stefanini, uma das maiores empresas do setor no país confirmou a preocupação com o futuro. Ele revelou que no período da desoneração a companhia fez investimentos pesados para transformar a unidade brasileira no centro das exportações globais da corporação.

“Construímos um centro de desenvolvimento em Campina Grande onde temos mais de 3 mil pessoas trabalhando. Mas todo o esforço para criar um ambiente competitivo para o Brasil foi por água abaixo”, disse.

O outro participante do painel, Paulo Marcelo, da Ressource, ponderou sua percepção de que várias empresas estão neste momento repensando seus posicionamentos em relação ao Brasil em função deste novo cenário. “Certamente muitas delas vão recuar e isto será muito prejudicial para o avanço do país no cenário da revolução digital” declarou.

Gonsalez encerrou a discussão ressaltando a necessidade de rever este caminho sob pena do país perder espaço no cenário da revolução digital.

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