A criação e a distribuição de conteúdo na internet tradicionalmente são feitas por grandes corporações. Empresas como Facebook, YouTube e Twitter são os maiores para postar e compartilhar produções, sejam elas escritas, em vídeo, imagem ou algum outro formato. Usuários dessas redes demonstram que gostaram (like), compartilham ou impulsionam de outras maneiras a publicação, que ganha mais atenção. Todo esse processo massifica o conteúdo.
Com esse trabalho, os principais beneficiários do sistema são os hubs – os gerenciadores de conteúdo centralizados. Além da propaganda, a maioria dos criadores de conteúdo, que busca empreender um modelo de negócios, tem poucas maneiras de rentabilizar o produto e o valor que inseriu em sua arte é tirado dele pelas corporações.
Tudo está prestes a mudar
Uma mudança potencial está chegando por meio de empresas que procuram aplicar a tecnologia blockchain para interromper a forma como o conteúdo é entregue e acessado na internet. Blockchain é a tecnologia que suporta criptomoedas como Bitcoin. Ela propicia um ledger distribuído (banco de dados que está armazenado em todos os computadores da rede ao mesmo tempo), o que pode permitir a todos os usuários acessar os mesmos dados ao mesmo tempo, com segurança.
Uma solução blockchain?
Essas plataformas, como a projetada pela Synereo – chamada de WildSpark – esperam inovar a atenção da economia ao mudar a forma como as pessoas criam, compartilham e monetizam conteúdos. Os usuários podem carrega-los e acessá-los em legers distribuídos, removendo a necessidade de um hub corporativo central.
Construídos em plataformas blockchain, esses ecossistemas são projetados para criar uma estrutura de compartilhamento de conteúdo totalmente descentralizada. Os modelos legados de centralização e aproveitamento podem ser substituídos por máquinas. Desta forma, a tecnologia blockchain terceiriza o gerenciamento para as máquinas. Essa mudança tem benefícios semelhantes para usuários e criadores.
Os criadores recebem um veículo para monetizar seu conteúdo. A plataforma permite a eles fazer upload e anunciar conteúdo e, à medida que os usuários assistem, leem ou acessam, o sistema permite ampliar o conteúdo pela colaboração de tokens digitais para os criadores.
Token como moeda
Outras empresas também usam o blockchain de maneiras semelhantes para criar novos e melhores métodos de distribuição de conteúdo. Uma dessas empresas, a Decent, construiu um sistema de conteúdo descentralizado, confiando no potencial da blockchain para remover terceiros (hubs) e colocá-lo na mão dos criadores. Outras empresas, como a singularDTV, esperam entrar em cena também, uma vez que os criadores de conteúdo buscam melhores maneiras de rentabilizar seu trabalho.
Independentemente da plataforma, essas companhias devem criar formas para fazer a troca de valores em seus respectivos sistemas. A maioria escolheu criptomoedas (tokens digitais emitidos por elas).
O WildSpark, chamado de AMPs, que são pequenos para amplificar e o Decent, chamado DCTs, que é abreviação de decent, são tokens digitais em sua própria plataforma. Esses tokens, como os AMPs, atualmente valem cerca de US $ 0,23 cada, e são usados para recompensar os criadores de conteúdo e podem ser usados para ter acesso para baixa-los ou compartilhá-los.
Esses tokens digitais podem ser trocados por moedas correntes, como dólares ou euros, mas também podem ser usados no próprio ecossistema do conteúdo. Desta forma, como o conteúdo é compartilhado e ‘gostado’, os criadores recebem recompensas monetárias reais por seu trabalho e os lucros do sistema são direcionados diretamente a eles via tokens. Ao invés de um hub central recebendo os lucros, os criadores mantêm o valor que eles transferiram para o mercado.
Os usuários, chamados de curadores, também são incentivados a compartilhar conteúdo em seus feeds. À medida que o conteúdo compartilhado é propagado, o compartilhador também é recompensado, monetizando o trabalho de encontrar e manter conteúdo de qualidade na web. Desta forma, aqueles que usam o sistema e encontram conteúdo novo e interessante também poderão encontrar maneiras de serem recompensados pelo seu trabalho.
Uma nova economia da atenção
Deve ser evidentemente doloroso que todo o mundo da propaganda busque conseguir a atenção dos consumidores. Tudo se torna mais rápido, mais brilhante e mais alto, na medida em que a atenção se torna a mercadoria mais valiosa na internet. Não importa quão alta seja a qualidade do conteúdo, se ninguém está prestando atenção, não vale nada.
No entanto, esta economia de atenção descentralizada é nova na forma como se dissemina conteúdo e se prende a atenção. Os usuários não estão mais vinculados às regras e regulamentos do hub centralizado, mas habilitados a oferecer e apoiar conteúdos que mereçam atenção.
Isso significa que tanto criadores quanto curadores podem decidir onde prestar atenção, e quando a atenção deles chamar a atenção de outros, este receba por seus esforços. Por meio da descentralização da tecnologia blockchain, criadores e usuários estão interligados, tanto na criação de conteúdo quanto em sua propagação.
* VP of marketing, Hennessey Consulting
Fonte: Inc 5000
Tradução e adaptação: Edilma Rodrigues, da Cantarino Brasleiro