Crédito: Canelinha FM

Estudo diz que estresse financeiro atinge mais da metade dos brasileiros

Novo índice da ANBIMA revela impacto da pressão econômica nas finanças e na saúde mental dos brasileiros

Por Cantarino Brasileiro*

Mais da metade dos brasileiros (51%) enfrentou alto estresse financeiro em 2024, segundo a 8ª edição da pesquisa Raio X do Investidor Brasileiro, realizada pela ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) em parceria com o Datafolha. A principal causa foi a necessidade de aumentar a renda (84%), seguida pela dificuldade em controlar as finanças (83%) e o esforço para cortar gastos supérfluos (72%). Metade dos entrevistados declarou ainda se sentir constantemente pressionada com os próprios gastos.

A edição mais recente do levantamento introduziu um novo índice de estresse financeiro, que aprofundou a análise ao cruzar autopercepções com reações a 12 afirmações objetivas, como “Estou sempre preocupado em aumentar a minha renda” e “Tenho muito cuidado em controlar minhas finanças”. O modelo anterior baseava-se apenas na autodeclaração de nível de estresse (baixo, médio ou alto).

Esse cruzamento de dados revelou discrepâncias importantes: apenas 5% dos entrevistados realmente se encaixaram no grupo de menor estresse, embora 22% se declarassem pouco estressados. No grupo intermediário, 46% apresentaram nível médio de estresse, enquanto apenas 26% afirmaram sentir isso.

Outro ponto de destaque foi a forte ligação entre endividamento e estresse. Um terço dos entrevistados — o equivalente a cerca de 52 milhões de brasileiros — disse ter alguma dívida em atraso no domicílio. Entre essas pessoas, 66% apresentaram alto estresse financeiro, enquanto entre os que não tinham dívidas, esse percentual caiu para 44%.

As diferenças de percepção também se manifestaram entre grupos sociais. As mulheres sentiram mais a pressão financeira: 60% delas relataram alto estresse, contra 41% dos homens. Entre as gerações, os mais afetados foram os millennials (57%) e a geração X (53%), justamente os grupos em fase mais ativa da vida profissional. Já entre os boomers (com 64 anos ou mais), apenas 39% relataram altos níveis de estresse.

Segundo Marcelo Billi, superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da ANBIMA, o cenário atual é reflexo tanto das condições econômicas quanto da falta de preparo para lidar com o dinheiro.

“Parte importante do alto nível de stress relatado pelos brasileiros e brasileiras tem a ver com insuficiência de renda e a volatilidade do cenário socioeconômico. Basta notar o quanto o problema é mais acentuado nas classes C, D e E. Mas mesmo entre as pessoas mais ricas há uma parcela grande de entrevistadas relatando altos níveis de stress. Isso mostra que falta de educação financeira e planejamento também são fatores significativos para o desequilíbrio nas finanças e a deterioração da saúde financeira e mental”, afirmou.

A pesquisa utilizou uma escala de zero a dez para mensurar o estresse financeiro, categorizando os resultados em três grupos: baixo estresse (notas de 0 a 4), médio (de 5 a 7) e alto (de 8 a 10). A coleta de dados ocorreu entre os dias 4 e 22 de novembro de 2024, com entrevistas presenciais aplicadas por tablet com 5.846 pessoas das classes A/B, C e D/E, em todas as regiões do Brasil. A margem de erro é de um ponto percentual.

O relatório completo, com os principais dados e cruzamentos da pesquisa, está disponível para download. A análise oferece uma radiografia detalhada de como os brasileiros cuidaram do dinheiro e dos investimentos no último ano — e como isso afetou sua saúde mental.

*Escrito com IA generativa

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