entrevista christiano holfs Inter

Christiano Rohlfs Coelho

| Por Ana Carolina Lahr |

O Inter é considerado um dos primeiros bancos digitais do Brasil. Ele surgiu em 2016, com um posicionamento muito claro sobre a sustentabilidade e se destacou por propor um modelo de negócio ecoeficiente, com oferta de produtos 100% digital – ou seja, sem agências e, consequentemente, com menor impacto para o meio ambiente. 

Em 2018, após abrir capital para fazer um segundo movimento de transformação digital, ao migrar todos os seus dados para nuvem e tornar o modelo de negócio mais escalável, ele passou a se posicionar no mercado como um Super App – ou seja, com ofertas além das financeiras. Com isso, a responsabilidade em atender à expectativa de uma gama mais ampla de stakeholders e aprimorar seu status de sustentabilidade tornou-se ainda mais latente. Foi assim que nasceu, em 2019, a área de sustentabilidade do Inter. 

Nesta entrevista, Christiano Rohlfs, head de sustentabilidade empresarial do banco, celebra o lançamento da seção Vida Sustentável, no Super App, e aponta os próximos passos nesse caminho inspirador da agenda ESG que entra em um processo de amadurecimento. (Acompanhe aqui a entrevista que deu origem à matéria da revista digital e-CANTA Bancos Digitais).

"Sustentabilidade é estratégia. E estratégia, para mim, é sobre fazer escolhas"

Especialistas apontam o pilar da governança como sendo o mais importante na agenda ESG de uma empresa. Como está estruturada a governança do Inter e qual a sua importância na estrutura dos demais pilares? 

A gente pode considerar o pilar de governança como um alicerce do ESG. Todos os valores, as normas e os caminhos da sustentabilidade são determinados pela governança de uma corporação. No Inter, a gente tem uma área de governança específica que cuida dos assuntos de governança institucionais – como movimento de mercado de capitais e outras iniciativas –, mas também endereçamos o G, do ESG, por meio da sustentabilidade. 

Explicando um pouco mais como funciona essa trilha, no Inter a gente tem como primeiro passo a escuta aos stakeholders, porque nada melhor do que ouvir suas partes interessadas para entender onde estão os seus principais riscos e oportunidades. No momento que você ouve os seus stakeholders sob a ótica dos pilares ambiental, social e de governança, com temas da sustentabilidade que tem interfaces com o seu modelo de negócio, você passa a perceber quais os caminhos de evolução que essa instituição precisa ter. 

A gente tem um exemplo que une a materialidade com a responsabilidade social muito interessante olhando para a questão da privacidade e da segurança. Trata-se de uma oportunidade que surgiu no ano passado de atuar em rede com uma outra companhia e ter nosso gerente de segurança da informação capacitando idosos sobre segurança digital. 

No quesito ética, integridade e transparência, nós temos um comitê voltado para isso, um canal de denúncias e todos os caminhos de governança que também apoiam essa jornada. Então, esses são dois exemplos que emblematizam. São vários, mas eu vou me ater nesses dois, em termos da governança, por parte da estrutura de integração e ESG do Inter. 

Como é a atuação da área de sustentabilidade na missão de engajar os líderes e promover uma cultura ESG interna?

Voltando aos stakeholders, após a escuta, temos a materialidade. E o que é a materialidade? Justamente o mapeamento do diagnóstico dos principais riscos e oportunidades da organização pela sua análise da sustentabilidade para aquele modelo de negócio. Quando se chega a uma materialidade, você tem que ter um resultado desse diagnóstico, que a gente chama de \”integração ESG\”. Isso se dá no Inter de duas formas. De uma forma mais vertical, que vai direto aos negócios e aos produtos e serviços, e também de uma forma mais horizontal.

Na forma vertical, o Inter tem cinco principais verticais de negócios – investimentos, crédito, seguros, banking e shopping. Nessas verticais, a gente mapeia os principais riscos e oportunidades daquela avenida e traz esse mapeamento para a liderança. Entende com ele quais os melhores caminhos, o caminho mais estratégico e assertivo que considera a materialidade e começa uma consultoria interna para o acompanhamento desses projetos. 

Na horizontal, olhando diretamente para os pilares ambiental, social e de governança, buscamos gaps que a organização tem relacionados aos seus peers. Nesse processo, encontra-se nosso engajamento de liderança, já que muitas vezes temos que chegar em áreas estratégicas para fazer com que essas áreas entendam quais melhorias elas precisam fazer para efetivar em prol da instituição e estar, ao mesmo tempo, mais alinhadas ao desenvolvimento sustentável da empresa. 

Outro ponto interessante a se considerar é que a estrutura de sustentabilidade do Inter é muito verticalizada e próxima da alta gestão. Eu estou ligado diretamente ao vice-presidente de desenvolvimento organizacional, que está ligado ao CEO e ele, por sua vez, ao Conselho. A gente tem, inclusive, um comitê ESG, estatutário, que está entre o CEO e a alta liderança. Toda essa estrutura nos ajuda a trazer os caminhos de melhoria na trajetória ESG à consciência dos líderes. As lideranças são muito importantes e cada uma delas no seu papel. Eu, como líder de sustentabilidade, devo engajar e trazer à luz a materialidade; a eles, cabe entender as necessidades e ajudar no roadmap de construção desse caminho ESG.

Hoje, o cliente está cada vez mais atento aos passos da empresa como um todo. Qual é o seu grau de exigência com relação à agenda ESG?

O mapeamento desse QPI, esse grau de exigência, é sempre muito complexo, mas tem várias pesquisas de mercado que mostram que a geração Z e os millennials são muito mais desenvolvidos com as questões de sustentabilidade do que as gerações anteriores. Isso já se reflete em alguns comportamentos de compra e comportamentos do dia-a-dia. Então, é um ponto que a gente considera bastante já que aproximadamente 70% da nossa base é desse público e, de fato, a gente procura mapear e entender quais os melhores caminhos para atender à essas expectativas.

Uma das formas que encontramos para atender a essas expectativas foi por meio do recente lançamento da área Vida Sustentável, no nosso super app. Era um sonho meu desde o início da criação da área conseguir levar possibilidades de comportamento sustentável para os nossos clientes através da plataforma.

Esse é um exemplo claro de como vocês usam a tecnologia em prol do fortalecimento do ESG. Que outras tecnologias vocês têm utilizado para fortalecer a agenda?

Dentro do Vida Sustentável, o consumidor tem muitas possibilidades de se engajar com a agenda. No pilar ambiental, temos a calculadora de carbono. Ela é muito instrutiva e atua desde a educação sobre o que é pegada de carbono. A gente põe até figuras no final: “qual seria o tamanho de uma bola de carbono da sua emissão anual”, para que a pessoa tangibilize aquilo e possa de fato entender a pegada de carbono dela. 

No pilar social, oferecemos a oportunidade para que as pessoas consigam fazer os seus caminhos de voluntariado em todo o território nacional de forma gratuita em uma parceria com o Atados. O Inter não tem nenhuma ambição de receita com essa jornada, nem o Atados. Como temos um projeto interno de voluntariado, que já soma 600 engajados, essa é uma das iniciativas para o público que reflete a cultura interna e faz muito sentido.  

Todas essas ferramentas são resultado de um investimento em tecnologia e só conseguem ser executadas dentro desse cenário, por meio do aplicativo. 

Falando em educação financeira, sempre com a tecnologia, o Inter já tinha vários conteúdos em várias redes, mas eles ainda não estavam compilados num lugar só. Como é um tema material para o Inter, temos também uma sessão dentro do vida sustentável voltada para esse conhecimento. A abordagem vai desde endividamento, passando por dicas de equilíbrio financeiro e até chegar aos investimentos. Somando a esse ponto, e trazendo outro ponto material do Inter que é a privacidade e a segurança da informação, nós já estamos colocando conteúdos dentro desse campo de conhecimento. É uma trilha bem completa. 

Outro exemplo de como a tecnologia tem impulsionado a agenda e o negócio de forma complementar é como ela promove o cross selling. No ano passado, lançamos o Dr. Inter, uma operação de telemedicina no campo de bem estar do vida sustentável. Ela atua como uma ferramenta de inclusão, já que algumas pessoas têm dificuldade de locomoção e estão com uma emergência, podendo usar essa ferramenta como um primeiro diagnóstico. Nesse caso, estamos falando de um viés de receita, mas que também está alinhado com a sustentabilidade. 

Qual o peso da inovação aberta na agenda ESG do Inter?

Esse posicionamento é totalmente relevante no nosso posicionamento e vou aproveitar essa pergunta para pontuar que a sustentabilidade precisa acontecer primeiro internamente para chegar ao ambiente externo.

Assim, quando falamos em inovação aberta no âmbito interno, temos no Inter uma trilha de inovação que se chama Interlap. Ela convida os colaboradores a trazerem inovações para um tópico específico como eficiência, caminhos de redução de custos e mapeamento de iniciativas. 

No âmbito externo, cito uma rede de startups de Minas Gerais, a Orbi, que foi fundada pelo Inter e alguns parceiros – MRV, Localiza, entre outros. Esse hub de startups promove nosso estreitamento com a inovação aberta e traz possibilidades de atuação. Uma dessas startups faz venda de produtos para pequenos produtores e – lá vem eu com spoiler – a gente está tentando impulsionar esse mercado dos pequenos produtores por meio da nossa ferramenta. 

Quais os caminhos para o futuro que você vislumbra para a agenda ESG do Inter?

Sermos mais assertivos na compensação de carbono já é um mapeamento que a gente vem fazendo e está colocado na esteira de produção. E se deixar eu falo até amanhã, porque o viés sustentável tem infinitas possibilidades. Mas, eu gosto de pensar sempre na palavra estratégia. Sustentabilidade é estratégia. As pessoas conectam a sustentabilidade com os cuidados com a natureza, a reciclagem, o plantio de árvores – que não deixam de ser caminhos da sustentabilidade – mas, quando a gente pensa na sustentabilidade para uma companhia, é estratégia pura. Quando eu falo em ESG, pilares ambientais, sociais e governança, é de fato, estrategicamente, trazer esses pilares e os tópicos de materialidade que têm a ver com eles, para aquele modelo do negócio e para dentro da organização. Estratégia, pra mim, é sobre fazer escolhas.

Quer saber mais sobre a evolução da agenda ESG nos bancos digitais?

BAIXE A REVISTA DIGITAL e garanta a sua vaga no EVENTO PRESENCIAL, no dia 18 de maio, em São Paulo.

Compartilhe

Notícias relacionadas

Entrevistas
Ensino de base, educação financeira e a Agenda BC#
Luis Mansur, do Banco Central, fala sobre o papel do órgão frente ao tema educação...
Entrevistas
Transformação e eficiência tecnológica na jornada de Luis Bittencourt
Promovido a vice-presidente de tecnologia e operações da F1rst – braço do Santander –, ele...
Entrevistas
Liderança feminina no setor financeiro: as inspirações de Walkiria Marchetti
Executiva recém aposentada foi a primeira mulher a ocupar o cargo no Bradesco e recebeu...
Entrevistas
Tarciana Medeiros
Presidenta do Banco do Brasil destaca o comprometimento de sua gestão com a equidade de...

Assine o CANTAnews

Não perca a oportunidade de saber todas as atualizações do mercado, diretamente no seu e-mail

plugins premium WordPress
Scroll to Top