Se do ponto de vista mercadológico e tecnológico o Brasil oferece um ambiente perfeito para as Fintechs, com pessoas num grau suficiente de intimidade com as novas tecnologias e dispostas a experimentar novos serviços, no campo regulatório o cenário é justamente contrário. A falta de flexibilidade pode impedir que as inovações alcancem todo o seu potencial.
A opinião é do escritor, palestrante, educador financeiro e consultor especializado em finanças, investimentos e economia André Massaro. Ele publicou terça-feira (01/03) um artigo na seção “Você e o Dinheiro” do portal Exame.com com o título “Brasil: O paraíso e o inferno das fintechs”.
No texto ele afirma que é extremamente difícil para um empreendedor atuar no mercado financeiro brasileiro. Massaro cita o caso de uma empresa de origem estrangeira que opera com empréstimos “P2P” (onde usuários podem emprestar diretamente dinheiro para outras pessoas e empresas). A fintech precisou se aliar a um banco brasileiro para atuar aqui. Segundo o autor, na prática, a empresa altamente inovadora, que poderia ajudar nosso mercado de crédito a ficar mais dinâmico, teve que virar um simples correspondente bancário, travestido de empresa tecnológica e “moderninha”.
“A verdade é que muitas das empresas altamente inovadoras e criativas que vem surgindo em outros países, que possibilitam coisas interessantíssimas como recursos para novos empreendimentos, pagamentos e orientação para investidores (ou mesmo a execução automática de estratégias de investimento), simplesmente não poderiam atuar no Brasil por não atenderem aos requisitos de nossas autoridades financeiras, apesar de serem originárias de países com mercados financeiros muito mais complexos e desenvolvidos que o nosso”, comenta.